76 – O Cadáver Atômico (1955)

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Creature with the Atom Brain


1955 / EUA / P&B / 69 min / Direção: Edward L. Cahn / Roteiro: Curtis Siodmak / Produção: Sam Katzman (Produtor Executivo – não creditado) / Elenco: Richard Denning, Angela Stevens, S. John Launer, Michael Granger, Gregory Gay


 

Com a chegada da era atômica ao cinema, Hollywood varreu para debaixo do tapete todos seus antigos monstros, ou então adaptou-os de alguma forma para essa nova realidade. Esse foi o caso que aconteceu com os zumbis. E uma óbvia prova disso é O Cadáver Atômico.

Até o final da década passada, os filmes de zumbi eram focados na mitologia sobre a criação vodu desses seres autômatos, sempre pontuados por questões raciais e tensão colonial. Aqui nos anos 50, todos esses aspectos foram substituídos pelo medo da invasão, lavagem cerebral e controle, como perfeita alegoria do que o comunismo fazia com seus cidadãos. O Cadáver Atômico é o instrumento perfeito (tá, usar o adjetivo perfeito em um filme bisonho como esses é contraditório) para nos mostrar essa guinada na temática zumbi.

Vale lembrar que até aqui essas simpáticas criaturas putrefatas que nos toma de assalto hoje, não eram mortos que voltaram de seus túmulos e não tinham aquele famoso apetite sedento por carnes humanas, em especial pelo cérebro. Mas podemos dizer portanto, que ao começar o processo de eliminar o vodu da mitologia zumbi (apesar de alguns filmes futuros ainda usarem desse expediente, como Os Zumbis de Mora Tau, do mesmo diretor, Edward L. Cahn, e Epidemia de Zumbis, da Hammer), e inserir a radioatividade na jogada, como aqui em O Cadáver Atômico, por exemplo, começou-se a pavimentar o caminho para que no final da década de 60, George Romero criasse seu über clássico A Noite dos Mortos-Vivos, cuja explicação inicial da volta dos mortos à vida era a tal radiação, e mudasse para sempre o cinema do horor.

Mas sem colocar a carroça na frente dos bois, O Cadáver Atômico foi escrito por Cutis Siodmak, já figurinha carimbada desse blog, responsável por escrever O Lobisomem e tantos outros filmes da Universal como A Volta do Homem Invisível, O Filho de Drácula e A Casa de Frankenstein, além do clássico de zumbis de Jacques Tourneur, A Morta-Viva. Mas isso não quer dizer muita coisa, viu. Este é um terror / sci-fi de baixíssimo orçamento da Clover Productions, do produtor Sam Katzman, e de baixíssima qualidade também.

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Aqui os zumbis não são resultado de magia e sim, claro, do uso da tecnologia e da exposição à radiação. Um cientista nazista chamado Dr. Whilhem Steigg descobriu uma forma de reanimar cadáveres através da radioatividade e com isso, controlar seus cérebros para que eles cometam todo tipo de ação nefasta para ele, que trabalha em conjunto com um vingativo criminoso foragido. Ou seja, aqui já juntamos três dos grandes clichês do cinema de horror dos anos 50: medo nuclear, medo do controle mental (coisa de comunista) e um cientista louco de lambuja.

O Dr. Chet Walker e o Capitão Dave Harris são os que devem investigar de onde esses “zumbis” estão surgindo e quem é o homem por trás dessa maldade. E para ilustrar o filme, tome uma porrada de parafernália científica que vai tornando-o cada vez mais ridículo: contadores Geiger a torto e direito para descobrir picos de radiação que levaria aos “zumbis”, roupas antirradiação barulhentas, maquinários “high tech” e o inverossímil e estúpido túnel de vento que os bandidos precisam passar com seu material radioativo para chegar até o laboratório.

Vale a cena final, quando a polícia precisa se confrontar com um exército de zumbis e o diretor Edward L. Cahn já nos dá uma prévia do que seria um embate futuro com uma horda de zumbis, deleitando-se no caos, estampando na câmera os corpos sendo alvejados de balas e além de evidenciar a massa corpórea deles, mostrando suas testas com profundas cicatrizes das suas cirurgias.

O Cadáver Atômico é um filmes bem mais ou menos. Mais para menos na verdade. Parte de uma premissa que se perde completamente, além de não se sustentar, e piora por estarmos acostumados a ver filmes de zumbis pós Romero, então esse daqui se mostra dos mais bestas. Na verdade, o motivo dele figurar nessa lista é só por traçar um paralelo da evolução do zumbi no cinema, desde práticas mágicas no Haiti, até intervenções nucleares que iriam transformá-lo mais tarde em um dos monstros mais queridos e lucrativos do cinema atual.

Zumbis na era atômica

Zumbis na era atômica


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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] Mar Revolto, O Ataque vem do Polo (sem dúvida o pior filme de monstro gigante de todos os tempos), O Cadáver Atômico e Os Zumbis de Mora Tau. Além destas precisosidades, Katzman também é conhecido pela minissérie […]

  2. […] Denning, que interpreta o geólogo Hank Scott, que já havia atuado em O Monstro da Lagoa Negra e O Cadáveres Atômico, entre outros, e Mara Corday, que vive a fazendeira Teresa Alvarez, a mesma atriz de Tarântula e O […]

  3. […] E é de se tirar o chapeu para Os Zumbis de Mora Tau, que apesar de não ser aquela maravilha da sétima arte, tentou investir em uma trama criativa, que atualizava a relação da figura do zumbi com a maldição vodu, e tentou escapar de qualquer enredo que envolvesse foguetes, alienígenas ou poderio nuclear. E um detalhe curioso é que os zumbis já haviam se tornado vítimas da radiação em um filme anterior do mesmo produtor, Sam Katzman, em O Cadáver Atômico. […]

  4. […] por Edward L. Cahn (O Cadáver Atômico, Os Zumbis de Mora Tau), a trama de O Terror Que Vem do Espaço se passa no futuro (para eles), em […]

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