763 – A Casa dos Pássaros Mortos (2004)

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Dead Birds


2004 / EUA / 91 min  / Direção: Alex Turner / Roteiro: Simon Barrett / Produção: David Hillary, Timothy Wayne Peternel, Ash R. Shah; Simon Barrett, Jim Bustfield, Isaiah Washington (Coprodutores); Laura Warner, Douglas Wroan (Produtores Associados); D. Scott Lumpkin (Coprodutor Executivo); Barry Brooker, Sundip R. Shah (Produtores Executivos) / Elenco: Henry Thomas, Patrick Fugit, Nicki Aycox, Michael Shannon, Muse Watson, Mark Boone Junior, Isaiah Washington


Taí um dos melhores (e subestimados) filmes da década passada. Lembro até hoje da surpresa extremamente positiva, climática e assustadora de assistir A Casa dos Pássaros Mortos pela primeira vez. E sempre o achei que era um FILMAÇO do gênero sobrenatural.

Principalmente pela originalidade do roteiro, que mesmo com muitos elementos clichês, consegue se destacar na multidão das produções do cinema de horror, principalmente naquela metade dos anos 2000. “Culpa” de um novato Simon Barrett, roteirista do longa, que despontou depois de A Casa dos Pássaros Mortos e hoje é daqueles nomes essenciais do novo cinema indie de horror americano, o chamado mumblegore, tendo escrito os ótimos A Horrible Way To Day, Você é o Próximo e o primeiro e segundo V/H/S/.

Fora isso, outra força motora do filme dirigido por Alex Turner, é sua atmosfera horripilante, passado em uma casa isolada no meio de um milharal durante uma noite de tempestade, e sua ambientação, situado durante a Guerra Civil Americana.

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Os seis odiados

Um grupo de soldados confederados desertores, formado por William (Henry Thomas), seu irmão, Sam (Patrick Fugit), sua namorada, Annabelle (Nicki Aycox), o escravo liberto, Todd (Isaiah Washington), e mais Clyde (Michael “General Zod” Shannnon) e Joseph (Mark Boone Junior), assalta um banco e se escondem em uma plantação abandonada, esperando a partilha do ouro e conseguir fugir para o México na manhã seguinte. A ganância será a perdição de todos eles.

O que eles não fazem a menor ideia, e irão descobrir da pior forma, é que o local é assombrado, uma vez que seu antigo proprietário, ao perder a esposa para a tuberculose, resolve fazer um ritual satânico para tentar ressuscitá-la, por meio de sacrifício dos escravos, o que claro, vai dar merda e acaba despertando uma maligna força das trevas que possuiu as suas crianças e transformará aquele casarão em uma residência maldita. E o próprio dono acabou pagando por suas heresias, sendo crucificado como um espantalho no meio do milharal.

O bando fora de lei que resolveu passar a noite por ali passará a ser visitado por aparições fantasmagóricas de crianças (daquelas que dão medo de verdade) com olhos e bocas costuradas ou com longos maxilares negros e com dentes pontiagudos e buracos na cavidade ocular e criaturas estranhas e amorfas, sem pele, como avistada logo ao chegar no recinto. Um a um, eles começam a sentir o peso daquela atmosfera tétrica do local, sendo levados as raias da loucura e atacados pelos espíritos e entidades malignas ali presentes em busca de novas almas para o sacrifício, até seu final, daqueles bem pessimistas do jeito que a gente bem curte.

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Colheita Maldita!

A Casa dos Pássaros Mortos é um típico terror de época, totalmente slow-burner, com sua fotografia escura, envelhecida e saturada que cria uma excelente atmosfera de terror, o que é cada vez mais raro no imediatista e intenso cinema de horror da nova década, sem apelar para sustos fáceis, mas pronto para fazer o espectador pular da cadeira quando preciso, muito naquele momento inspirado pela estrutura do J-Horror que vinha em avalanche, mas com um toque yankee.

Vale muito pela inventividade do roteiro de Barrett, deixando algumas coisas no ar e não se prendendo a explicações didáticas e pontuais durante todo o longa, e a capacidade em transformar um plot que poderia soar dos mais batidos, em algo original, principalmente em trabalhar ao seu tempo, algo que claramente vai dar ruim, e que descarrilha para seu final niilista (e mais uma vez sobre os perigos da ganância) e sua conclusão em aberto.

Filmado em apenas 21 dias e com um orçamento merreca de 1,5 milhões de dólares, A Casa dos Pássaros Mortos foi lançado direto em DVD, sem muito estardalhaço (por um daqueles milagres chegou aqui ao Brasil), gerou um baita buzz em seu lançamento, ganhou força no boca a boca, e mesmo após uma revisitada tanto tempo depois, ainda mantém a sua força e para mim, continua figurando entre os melhores daquele período.

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Bú!



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Leandro disse:

    Assisti esse filme há muito tempo atrás, talvez pouco depois do lançamento dele em dvd aqui no Brasil, isso quando ainda haviam locadoras por aqui. E lembro de não ter gostado muito. Impressão que tenho é que as aparições eram em cgi e isso fez com que eu não curtisse tanto. Precisava rever.

  2. Aline Bueno disse:

    Gosto demais do 101 horror movies, sempre acompanho as postagens, procuro os filmes e adoro os textos!!! Me desculpe se fui eu quem não entendeu o contexto de uma frase, mas acho que é válido comentar: no primeiro parágrafo era “refutei” mesmo a palavra que vc queria usar? Pq parece que vc está fazendo o contrário durante o texto, está concordando que é um filmaço, e refutar seria discordar disso…

    • Marcos Brolia Marcos Brolia disse:

      Oi Aline. Verdade, agora que reparei que não fazia sentido… Acho que quando escrevi o rascunho tinha escrito outra coisa e depois mudei… Já alterei de qualquer forma e valeu pelo toque.

      E ah, fico feliz que vc gosta do blog, acompanha as postagens e adora os textos! 😀

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