765 – Espíritos – A Morte Está ao seu Lado (2004)


ชัตเตอร์ กดติดวิญญาณ / Shutter


2004 / Tailândia / 97 min / Direção: Banjong Pisanthanakun, Parkpoom Wongpoom / Roteiro: Banjong Pisanthanakun, Sopon Sukdapisit, Parkpoom Wongpoom / Produção: Yodphet Sudsawad (Produtor Executivo) / Elenco: Ananda Everingham, Natthaweeranuch Thongmee, Achita Sikamana, Unnop Chanpaibool


 A produção tailandesa Espíritos – A Morte Está ao seu Lado (e esse subtítulo, hein???), é uma das melhores do ciclo de filmes asiáticos de terror. Apesar de possuir algumas diferenças do tradicional J-Horror, como aparições mais bruscas do fantasma ao estilo jump scare, um pouco mais próxima da linguagem ocidental e trilha sonora mais impactante e exagerada, ainda assim traz o velho e conhecido espírito vingativo com longos cabelos negros e o final mais criativo e apavorante dessa safra.

Um dos pontos mais interessantes de Espíritos (me recuso a ficar toda hora escrevendo o subtítulo extenso) é a ideia da fotografia de espíritos. Desde que a fotografia foi inventada por Joseph Niépce em 1826, um dos fenômenos mais aterrorizantes é a tal captação de fantasmas e pessoas mortas em fotografias. Sabe aquelas que têm um rosto estranho ou um vulto esquisito onde não deveria haver e que mete um baita medo nos impressionáveis? Esse é o principal argumento que move a produção.

Outro ponto interessante é a pura e simples nostalgia. O filme foi lançado em 2004, quando quase todo mundo já tinha uma câmera digital, mesmo que das mais simples. Hoje em dia, as câmeras digitais amadoras e profissionais tem uma resolução astronômica, as impressoras são capazes de imprimir fotos com uma alta qualidade e os smartphones e instagrams da vida fizeram com que todo mundo virasse “fotógrafo”. Mas no filme, todas as fotos são reveladas naquele velho e conhecido processo manual de mistura química e uma sala escura, ou levadas para um tiozinho que tem uma loja para fazer revelação. Hoje em dia isso é algo tão extinto quando a videolocadora ou os dodôs. Mas era uma barato você não saber como ficaram suas fotos até ir buscá-la no outro dia dentro de um daqueles pacotes verdes da Fujifilm ou amarelos da Kodak. Ou seja, hoje em dia nem dá para você encontrar mais fantasmas em fotos!

Sangue no zóio! E no lábio!

Enfim, tudo isso para dizer que Tun é um fotógrafo profissional, e no começo do filme ele está com mais três amigos e a namorada Jane celebrando o casamento de um deles. Ao voltar para casa, o casal se envolve em um acidente de carro, atropelando uma pessoa que passava pela rua escura. Sem prestar socorro à vítima, os dois partem em fuga. A partir daí coisas estranhas começam a acontecer. As fotos de Tun na universidade começam a sair borradas, com um vulto branco que ele acredita ser defeito da máquina. Mas então uma maligna presença começa a atormentá-los. Inicialmente Jane acredita que se trata da garota atropelada, porém eles descobrem que não houve vítima fatal no acidente.

Enquanto isso, Tun começa a ser atingido por uma crônica dor no pescoço e no ombro, algo que segundo ele faz tempo que o incomodava, mas depois do acidente pioraram os sintomas. Tentando descobrir o que significava aquela presença sinistra nas revelações, eles vão até uma editora que publica revistas de fotos de fantasmas. Ao chegar lá, descobrem que a maioria delas é falsa, conseguidas através de efeitos no Photoshop. Porém segundo o editor, algumas são verdadeiras, como é o caso das fotos da Polaroid, que são impossíveis de serem falsificadas. E ele ainda dá a deixa, de que talvez os espíritos nas fotos venham para tentar dizer alguma coisa para aqueles que amam, ou que lhe fizeram um mal.

É aí que entra o implacável espírito vingativo oriental. Sabe aquela coisa de “voltar para puxar o pé”? É mais ou menos isso que acontece, mas digamos que seja algo relacionado a outra extremidade do corpo. Enfim, Tun e Jane descobrem que seus três amigos, aqueles mesmos do começo do filme, se suicidaram e revela-se a trama: eles estavam envolvidos no desaparecimento misterioso de uma antiga namorada de Tun, Natre, que era uma esquisita estudante de química pelo qual ele se apaixonou, relacionamento esse reprovado e motivo de chacota dos amigos, por isso era praticado às escondidas. Após ele romper com a garota, ela cometeu o suicídio.

Vai um salonpas, aí?

Apesar de nessa altura do campeonato até parecer um filme clichê já que o terror oriental começava a perder sua força e entregar produções que eram sempre uma variação do mesmo tema, Espíritos tem muitos méritos por ser uma das mais assustadoras do gênero. Você mal consegue respirar quando o filme começa a emendar sessões de susto uma após a outra, de uma forma bem mais frenética, diferente do que vínhamos vendo até então nas narrativas mais estendidas e sóbrias como em Ring – O Chamado e Ju-On – O Grito, por exemplo. E quando chega no terceiro ato e você pensa que está tudo resolvido… BANG! Aí sim, somos surpreendidos novamente com a reviravolta no final.

Parágrafo de SPOILER. Leia por sua conta e risco ou pule imediatamente para o próximo. Após achar que todos os problemas terminaram quando o corpo de Natre foi cremado em uma cerimônia budista, eis que Jane encontra os negativos que revelam o motivo da fúria do fantasma contra Tun e seus amigos. Certa noite, eles entram bêbados no laboratório de química e estupram a garota, com Tun como cúmplice e testemunha ocular, ainda tirando as fotos do ato. E como se não bastasse, o espectador fica boquiaberto ao descobrir o real e apavorante motivo da dor nas costas do fotógrafo: o espírito atormentado de Natre está sentada em cima seus ombros!!!! É simplesmente do caralho. E a última cena do filme, antes dos créditos, é fantástica.

Espíritos foi um grande sucesso de bilheteria em seu país natal, e fez um relativo sucesso aqui no Brasil também. Tanto que de todos esses filmes orientais postados até agora, esse foi o primeiro que estreou em circuito comercial, distribuído pela Playarte. Claro que eu estava lá para assistir na telona. A Playarte fez até um trabalho bem decente de divulgação, principalmente com um assustador trailer que vai mostrando as fotografias dos espíritos, chamada na televisão, banners na internet e tudo mais. Só que tudo isso com dois anos de atraso. Mas claro que esse lançamento comercial só foi possível porque já estávamos habituados às refilmagens de J-Horror como O Chamado, O Grito e Água Negra, dirigido pelo brasileiro Walter Salles, e seus originais que vinham sendo lançados direto em DVD por aqui. Falando em refilmagem, não preciso nem dizer que Espíritos também teve sua versão americana, lançada em 2008 com o nome de Imagens do Além. Também nem preciso falar se ficou boa ou não, certo?

Peekaboo!!!



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

7 Comentários

  1. Eri Barros disse:

    Até hoje o filme mais assustador que assisti! Recomendadíssimo.

  2. horjana disse:

    POR QUE EU NÃO ENCONTREI ESTE SITE ANTES ?! SIMPLESMENTE SENSACIONAL !!!

  3. […] 1) Espíritos – A Morte Está ao Seu Lado (2004) […]

  4. Guilmer disse:

    Um dos meus preferidos de da terra do Sol nascente, eu vi e revi várias vezes, e sempre fico com medo, e a cena final é realmente fantástica.
    Parabéns pelo site, o melhor do gênero.

  5. Amor Espirita disse:

    765 – Espíritos – A Morte Está ao seu Lado (2004) | 101 Horror Movies Galera, acessei o site Namoro Espirita e finalmente achei um site para espíritas e simpatizantes a fim de relacionamento sério! Muito Bom! http://www.namoroespirita.com.br Aprovei:)!

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