766 – Exorcista – O Início (2004)

14447374921.jpg


Exorcist – The Beginning

2004 / EUA / 114 min / Direção: Renny Harlin / Roteiro: Alexi Hawley (William Wisher Jr., Caleb Carr – história) / Produção: James G. Robinson; Wayne Morris (Coprodutor); Guy McElwaine, David C. Robinson (Produtores Executivos) / Elenco: Stellan Skarsgård, Izabella Scorupco, James D’Arcy, Remy Sweeney, Julian Wadham, Andrew French, Ralph Brown


Não há quantidades de caracteres para escrever o quanto Exorcista – O Início é uma porcaria. Então resolvi fazer um pouco aqui diferente nesse post e escrever um versus da versão de Renny Harlim, com o original concebido por Paul Schrader, que depois foi lançado como Domínio: Prequela de O Exorcista, que é OUTRO filme.

Pois bem, o que rolou foi que a Paul Schrader, aka o roteirista de Taxi Driver, Operação Yakuza e Touro Indomável, e diretor de A Marca da Pantera e Gigolô Americano, inicialmente seria o diretor de Exorcista – O Início, escrito por William Wisher Jr. e Caleb Carr. Tarefa dureza, uma vez que sabemos que O Exorcista é um dos suprassumos do terror, o segundo filme é das maiores bombas da história e o terceiro sofreu diabos (perdão pelo trocadilho) na mão dos produtores e saiu aquele menosprezado remendo.

Depois de trinta anos do lançamento do original de William Friedkin, Schrader queria voltar ao terror psicológico e deixar as papagaiadas de lado, entregando muito mais um thriller psicológico, artsy, metafísico, sobre horror implícito. Ao entregar essa versão com esse approach para os engravatados da Morgan Creek, ele tomou um gigantesco NÃO na fuça, uma vez que um filme como aquele seria “comercialmente invendável”.

exorcist41x.jpg

Templo da perdiçãi

Na lata me lembrou o caso de Mario Bava com seu Lisa e o Diabo que virou A Casa do Exorcismo, quando Alfredo Leone forçou o mestre italiano a abandonar a sua abordagem lírica e empírica e enxertando cenas adicionais para pegar carona no sucesso de O Exorcista. Ele usou essa mesma “desculpa”.

A decisão dos produtores foi fazer uma extensa revisão de script, entregando a história nas mãos de Alexi Hawley, e praticamente refilmá-lo por completo, com uma nova trama, novos atores, e claro, óbvio, lógico, uma mulher possuída pelo Pazuzu, falando com voz gutural e todas aquelas coisas básicas que vem no pacote do subgênero. Schrader perdeu o posto na cadeira de diretor e a fita foi dada para Renny Harlim.

Dá vontade de dar um tiro na cabeça vendo Exorcista – O Início. A premissa é interessantíssima, mostrando a juventude do padre Lankester Merrin (Stellan Skarsgård), – apesar de um erro cronológico gritante quanto a idade do pároco – logo após abandonar a batina depois de um trágico incidente em sua paróquia na Holanda durante a ocupação nazista na II Guerra Mundial, e resolver virar o Indiana Jones e se tornar arqueólogo. Você sabe né, que Merrin e Pazuzu já haviam se encontrado em algum momento da vida, uma vez que isso fica claro tanto no filme quanto no livro de William Peter Blaty. Ninguém imaginava que seria algo tão tosco e deprimente.

tumblr_nmv0q0Vu4T1tvsbvjo3_1280.jpg

Encoxado por Pazuzu

Exagerado ao extremo, com um desbunde de CGI porco (o que são aquelas hienas, pelamor), furos no roteiro que parecem crateras lunares (que foi reescrito e com vários elementos enxertados de última hora, além do dedo dos produtores, então não dava para sair nada nem maomeno dali), erros históricos, lapsos de continuidade, anacronismos, e por aí vai, Exorcista – O Início é uma afront que culmina da pior forma possível naquela patética cena da caverna com Merrin enfrentando a Dra. Sarah (Izabella Scorupco) com o Cramulhão no corpo. Só quero frisar a cena em que ela sai correndo, cabelos esvoaçantes parecendo comercial da Seda, com a sua linguinha pra fora de um lado par ao outro… Só isso basta.

Pois bem, o longa foi um fracasso colossal nas bilheterias e despertou ira de público e crítica, principalmente nos debates nos fóruns na Internet, mídia especializada e comunidade do Orkut (tipo a saudosa Trash, Gore e Terror em Geral) sobre a existência de uma versão classuda e atmosférica de Schrader que subiu no telhado.

Todo mundo queria ver a diferença entre o que seria concebido originalmente e aquela bomba que chegou aos cinemas, esbanjando um orçamento de 50 milhões de doletas e faturando “só” 41 milhões nos EUA (e depois mais 36 no resto do mundo, mas somando todos os gastos, publicidade, etc, etc, o filme ficou no prejuízo). Fora o tanto de reviews negativos.

dominion-prequel-to-the-exorcist (1).jpg

Yoga fire!

Originalmente a versão de Schrader deveria ser lançada como um bônus no DVD de Exorcista – O Início, mas eis que os engravatados em suas salas com ar-condicionado demoveram da ideia depois da situação vexatória e autorizaram Schrader a terminar o seu filme e exibi-lo em alguns festivais assim como um pequeno lançamento nos cinemas, dando-lhe um novo título: Domínio: Prequela de O Exorcista. A data que os amigos da onça marcaram foi 20 de maio de 2005, o mesmo de Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith, o único que presta daquela nova trilogia bomba do Lucas e que traria a tão esperada origem do Darth Vader.

Claramente tu percebe que Schrader não recebeu dinheiro nem para publicidade do filme e nem para produção musical. Ele só teve 35 mil dólares para efeitos visuais e pós-produção, o que fica bem nítido a qualidade inconstante do áudio e a pobre computação gráfica utilizada. Com certeza isso impacta no andamento e resultado final de Domínio.

O grande problema, a meu ver, é que todo mundo foi com muita sede ao pote assisti-lo, depois da vergonha alheia que passou ao encarar O Início. E convenhamos, Domínio é chato para cacete! Ele pode não sofrer da crise de identidade e de megalomania do seu irmão, mas também não assusta, não envolve e nem tem tooooooda essa atmosfera assim. Apesar de ter sido elogiado pelo próprio William Peter Blaty e pelos Roger Egbert da vida.

dominion-prequel-to-the-exorcist.jpg

Os caçadores do capeta perdido

Ele é inteligente, explica algumas passagens e pontas soltas (por exemplo, como realmente foi a cena de execução dos judeus que fez com que Merrin se afastasse da batina, e deixa implícita a história da igreja construída sobre o local de profanação, sem inventar baboseiras de que ali seria o ponto que Lúcifer caíra na Terra depois da Guerra nos Céus) mas ainda assim é entediante ao extremo, e praticamente NADA acontece. Decepciona, Menos, mas decepciona.

Seu final, apesar de não ter aquela parafernália de O Início, e ser um embate muito mais psicológico, verborrágico entre o padre de fé renovada e o possuído da vez (como deveria ser O Exorcista III também, sem o dedo dos produtores), ainda mantém a mesma panfletagem carola. E não era de se esperar que fosse diferente, uma vez que sabemos que Merrin voltou a usar a estola e o crucifixo, tanto que foi chamado para ajudar o padre Karras a tirar o capeta de Regan.

Conclusão: se tiver que escolher entre assistir Exorcista – O Início ou Domínio: Prequela de O Exorcista, coloque o DVD ou Blu-Ray do original mais uma vez e dê o play, vá (re)ler o livro de Blatty.

Exorcist_4_Demon.jpg

Sai, diaba!


 


 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Antonio Almeida disse:

    Gosto e muito dos dois filmes, O Exorcista – O Início e Domínio: Prequela de O Exorcista. Quanto ao Exorcista III o acho ótimo.

  2. Kkkk voçê falou com tanta raiva do filme , eu
    não acho essa merda toda não acho ele o segundo melhor , filme da franquia quem é verdadeiro Fá de o exorcista vai amar o filme
    da franquia certo os ou

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: