767 – O Filho de Chucky (2004)

seed-of-chucky-(2004)-large-picture.jpg


Seed of Chucky


2004 / EUA, Reino Unido, Romênia / 87 min / Direção: Don Mancini / Roteiro: Don Mancini / Produção: David Kirschner, Corey Sienega; Guy J. Louthan, Laura Moskowitz, Vlad Paunescu (Coprodutor); Guy J. Louthan (Produtor Executivo) / Elenco: Brad Dourif, Jennifer Tilly, Billy Boyd, Redman, Hannah Spearritt, John Waters


Na boa, haters gonna hate, mas O Filho de Chucky é o melhor da série do boneco assassino. Eu já elogiei diversas outras vezes aqui como Don Mancini, criador do serial killer de plástico mais infame do cinema de terror, acertou em mudar o tom em A Noiva de Chucky, deixando de se levar a sério e entregar filmes fracos e péssimos (leia-se parte 2 e 3), e partir de vez para a zueira sem limites.

Gente, estamos falando de UM FUCKIN’ BONECO QUE MATA POSSUÍDO PELO ESPÍRITO DE UM MACUMBEIRO! Tudo bem que quando Brinquedo Assassino foi lançado lá em 1989, vivíamos a galhofa e o exagero daquela década, e temos uma conta de MUITO saudosismo com o filme. Mas tu já o assististe depois de velho, né? E ainda mantem a mesma opinião de quando pivete? Creio que não.

O Filho de Chucky é SIMPLESMENTE sensacional. Você pode até vociferar contra minhas próximas gerações, deixar de ler o blog e os cambau, mas é inegável o quanto eles acertaram na mão, principalmente para um quinto filme de uma franquia. O absurdo come solto, e nada melhor do que não se levar a sério em nenhum centímetro de película gasto, e ainda sacanear a si mesmos, os atores envolvidos no filme (a autoparódia de Jennifer Tilly – incluindo seu filme de maior sucesso, Ligadas pelo Desejo, dos irmãos Wachowsky – é das mais mordazes EVER) e a própria indústria de Hollywood. E fazer uma homenagem velada ao cinema de horror.

E o nonsense come solto, como manda o figurino. Chucky (mais uma vez impagável com a voz de Brad Dourif) e Tiffany tiveram um FILHO! Quão bizarro é isso? E não é um filho comum, é um boneco hermafrodita, que não sabe se é menino ou menina (e os pais ficam brigando por conta de seu gênero) e que depois vira uma TRAVA LHOKA! Detalhe, com a cara do Ziggy Stardust e chamado de Glen/ Glenda (voz de Billy Boyd), obviamente por conta do filme de Ed Wood, em que ele interpreta um crossdresser, algo que ele era na vida real.

Seed-Of-Chucky-seed-of-chucky-29019485-1920-1080.png

Pais exemplares!

Convenhamos também que a cena de abertura de O Filho de Chucky é demais! Filmado em POV, pelo ponto de vista de Glen/Glenda, que remete tanto a Psicose, na cena do chuveiro, quanto, e principalmente, Halloween – A Noite do Terror de John Carpenter. E as mortes são das melhores da franquia, sangrentas e inventivas, fazendo o gore rolar solto.

Destaque para Tony Gardner, famoso maquiador que fez escola com Rick Baker, papel dele mesmo, e tendo a cabeça decepada pelo casal de bonecos psicopatas; participação mais que especial de John Water, vivendo um paparazzo que tem metade do rosto corroído por ácido; e o rapper Redman, cujo plano é fazer um filme bíblico épico sobre José e Maria (com Tilly almejando o papel de VIRGEM MARIA, nada menos que genial) e tem seu bucho aberto com uma faca por Tiffany e seu intestino colocado para fora.

E também vale e MUITO pela piada com Britney Spears, que tem seu carro jogado ribanceira abaixo por Chucky. Que detalhe, NÃO é a cantora, por mais que se pareça MUITO, e os produtores foram obrigados a colocar nos comerciais de TV o nada usual aviso de que ela NÃO PARTICIPAVA DO FILME!

E quer saber o que mais? Além de brincar com a metalinguagem e fazer troça com a indústria cinematográfica, O Filho de Chucky critica de forma mordaz a questão do gênero, ao direito da escolha e aos muitos daddy e mummy issues que isso pode provocar na cabeça dos filhos, principalmente vindo de famílias disfuncionais, travestido aqui de dois bonecos de plástico possuídos pelo espírito de dois psicopatas. E para os detratores de plantão, só ver o quão BOÇAL é A Maldição de Chucky, quando Mancini resolveu tentar voltar a fazer um “filme de terror” sério para a versão de plástico de Charles Lee Ray. E tenho dito.

1381453783_1.png

Filho de peixe…



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: