768 – O Grito (2004)

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The Grudge


2004 / EUA, Japão / 91 min / Direção: Takashi Shimizu / Roteiro: Stephen Susco / Produção: Takashige Ichise, Sam Raimi, Robert Tapert; Aubrey Henderson, Michael Kirk, Shintaro Shimosawa; Doug Davison, Jospeh Drake, Nathan Kahane, Roy Lee, Carsten H.W. Lorenz (Produtores Executivos) / Elenco: Sarah Michelle Gellar, Jason Behr, William Mapother, Clea DuVall, Grace Zabriskie, Bill Pullman


Mais uma refilmagem americana de um J-Horror, O Grito tem alguns diferencias pontuais que fazem com que, junto de O Chamado, de Gore Verbisnki, figure como os dois únicos que realmente prestam, perante a enxurrada das “americanizações” dos longas de terror vindos do Japão.

Ressalto que, vale citar que o produtor de O Grito é Sam Raimi, que dispensa apresentações, junto de seu parça, Robert Tapert, com quem fundou (e essa foi a primeira produção) a Ghost House Pictures. Pô, um nome como Raimi credencia o longa, até porque, ele mesmo é fã de Ju-On – O Grito, e considera “o filme mais assustador que já assistiu”. Pelo menos é o que diz o quote no DVD do original lançado aqui no Brasil.

Outro ponto positivo é a escolha do próprio Takashi Shimizu como diretor, afinal, ele dirigiu o japonês, escreveu seu roteiro e manja dos paranauê. Mais um bônus, diferente de TODOS os outros remakes, esse aqui se passa no Japão. Apesar da trama americanizada, escrita por Stephen Susco, ele mantem muito dos elementos do original, afinal, não faria o menor sentido pegar uma maldição que tem suas bases enraizadas no budismo e no xintoísmo, e transportar para a cultura yankee.

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MEOW!

Fora isso, tirando alguns elementos pontuais, O Grito segue por boa parte de seu tempo como quase um fac-símile de Ju-On, tanto em sua estrutura narrativa, como em cenas praticamente idênticas. Não é um demérito, só dá uma sensação de déja-vu, que suprime a liberdade do roteiro e difere, por exemplo, de uma abordagem completamente distinta e até estilística, como aconteceu em O Chamado.

A narrativa não linear que trabalha elipses temporais de passado, presente e futuro estão igualmente aqui presentes, salvo a subtrama das colegiais (que mais tarde foi aproveitada na sequência, O Grito 2) presente no original. No caso, Karen, papel da Scream Queen Sarah Michelle Gellar, é uma jovem americana que se muda com o namorado para o Japão, e trabalha como assistente social, incumbida de visitar uma família americana instalada em Tóquio há pouco tempo, cuja matriarca possui Alzheimer, após o sumiço da responsável por cuidá-los.

Vale aqui a mesma explicação técnica sobre a trama de Ju-On: uma maldição se instala no local onde alguém morreu sofrendo de muito rancor, amaldiçoando todos aqueles que entrarem no recinto. Esse é o mesmo plot utilizado nessa versão. Além disso, outro fator extremamente acertado é a presença da família Saeki, composta por Kayako, Takeo e Toshio, interpretados pelos mesmos atores da versão japa. Ficaria zuadíssimo uma Kayako (com qualquer nome anglo-saxão que lhe dessem) interpretada por uma atriz americana, ao invés da bailarina e contorcionista Takako Fuji, que naquela fatídica (e assustadora, tanto quanto a original) cena da escada, não usou dublê, truque ou efeito especial… Era ela descendo daquele jeito todo troncho, usando suas habilidades contorcionistas (e com sua característica sonoplastia).

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Hey, você não é a Buffy? E você não é o presidente?

ALERTA DE SPOILER. Pule para o próximo parágrafo ou leia por conta e risco. Entre os diferenciais da versão americana, temos aí a introdução de Bill Pulman como o professor que Kayako era apaixonada, responsável por gerar a crise de ciúmes e acesso de loucura e raiva assassina de Takeo, matando esposa, filho, gato, tudo que via pela frente, e depois a si mesmo (numa daquelas explicações didáticas ao extremo, literalmente para americano ver); o namorado de Karen, que também entra na casa para ter seu destino fatídico; e a moça, que escapa viva, após incendiar a casa (completamente forçado, até aquele final desnecessário e clichê do hospital), enquanto a protagonista do original acaba sucumbindo e morta por Takeo

O filme é todo bem feito, bem produzido, bem dirigido, peca no uso do CGI (público americano é tarado pela coisa, não tem jeito), tem lá seus arroubos de exagero e artifícios de jump scare, inexistentes no climático e assustador original, mas é uma boa refilmagem. E claro, fez um sucesso danado, inclusive aqui no Brasil, sendo lançado no cinema e tudo mais, afinal naquela quase metade da década, o J-Horror estava no auge e O Chamado abrira a porteira para suas transposições pelo Pacífico para ganharem seus remakes.

Prova disso é que no final de semana de estreia, O Grito faturou nada menos 39 milhões de dólares na bilheteria americana, e logo na segunda-feira, recebeu a luz verde para a realização da sua sequência, O Grito 2, lançado dois anos mais tarde. Ao término de sua empreitada nas salas de cinema do mundo todo, embolsou mais de 110 milhões de dólares (sendo que seu orçamento foi de 3,5 milhões) e tornou-se um dos mais famosos (e vistos) filmes de terror da década passada.

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Saindo do armário



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] mais interessantes, gravado em oito dias entre a produção de Ju-On e de seu remake americano, O Grito. Esquisito, hermético e cabeçudo ao extremo. Daquele tipo de cinema perturbador, o qual os japas […]

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