769 – Infecção (2004)

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Kansen / Infection


2004 / Japão / 98 min / Direção: Masayuki Ochiai / Roteiro: Masayuki Ochiai / Produção: Takashige Ichise; Yukie Kito (Produtor Associado); Kazuya Hamana, Yasushi Kotani (Produtores Executivos) / Elenco: Michiko Hada, Moro Morooka, Shirô Sano, Kôichi Satô, Masanobu Takashima


Você já ouviu falar do J-Horror Theater? Foi uma série de filmes de terror japoneses (ah, vá), produzidos por Takashige Ichise (o produtor de Ring – O Chamado, responsável por começar a porra toda), onde ele escolheu seis diretores diferentes para cada um criar um filme lançado sob o selo.

Infecção, dirigido por Masayuki Ochiai foi o pontapé inicial do projeto, que ainda contou com O Terror da Premonição, de Tsuruta Norio, Almas Reencarnadas, de Takashi Shimizu, Crimes Obscuros, de Kiyoshi Kurosawa, A Maldição do Rio, de Hideo Nakata e Herança Amaldiçoada, de Hiroshi Takahashi (você viu que bonitinho, todos eles lançados aqui no Brasil… Quando falo que o J-Horror fez sucesso por essas bandas…).

Muito bem, Infecção é mais um daqueles filmes que ganham o selo WTF do cinema de terror japonês. Confuso, desajuntado, não-linear, apesar de gastar mais tempo com explicações do que o convencional, com uma reviravolta maluca no final, típico do subgênero. E definitivamente é só para os iniciados no J-Horror, e não para aqueles ávidos por um espírito cabeludo aparecendo para se vingar.

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Caindo pelas tabelas!

O filme se passa todo um hospital decadente, que desde o começo, fica claro que está com sérios problemas financeiros, sem uma equipe médica o suficiente, a ponto de não receber novos pacientes e uma série de funcionários no limite do estresse e da exaustão e novatos muito aquém da competência de suas responsabilidades. Isso para o japonês pode ser um choque, mas aqui, nada muito diferente do que encontramos no SUS.

Pois bem, um paciente chega até o hospital, depois de rodar por horas e sendo devidamente ignorado por todas as emergências, supostamente carregando uma perigosa doença infecciosa degenerativa hemorrágica. Ele é largado na porta de entrada do PS durante a noite e pouco a pouco, todos os médicos residentes e enfermeiros passam a ser contaminados por essa doença, que literalmente os fará se dissolver em uma gosma verde.

Esse é o plot básico, mas como todo filme asiático de terror, há todo um subtexto e uma subtrama envolvida, e não é simplesmente um daqueles filmes de epidemia e contágio. Vale ficar atento em todas as nuances e os sentidos metafóricos dados para a infecção, não simplesmente como uma causa patológica e principalmente sobre a questão do contágio. Além disso, é possível perceber uma gradual mudança de estilo, completamente proposital, imposta pelo diretor Masayuki Ochiai, que também escreveu o roteiro, com história de Ryôichi Kimizuka, que aos menos atentos e detratores, pode parecer simples erro de continuidade.

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Use filtro solar, já dizia Pedro Bial

No começo da fita percebemos o hospital movimentado, durante o dia, com uma equipe maior de funcionário, mas o decorrer da noite, o local vai se tornando inóspito, escuro, claustrofóbico, com o sumiço quase que completo dos pacientes e também do staff de médico e enfermeiros, focando apenas em um pequeno grupo de pessoas. Algo que não faria o menor sentido, se não fosse apenas um simbolismo, que remete a conclusão da trama.

Há também uma clara transformação na paleta de cores, principalmente do vermelho para o verde, que haverá uma explicação lógica, e psicológica, sobre a percepção de cores em nossa mente, e que bem passa despercebido até seu plot twist final, quando você pensará: mas é claro, como não pensei nisso antes. Pelo menos aconteceu comigo da primeira vez que vi, confesso.

Agora para os menos chegados no horror psicológico (então você deve estar vendo o filme errado, mas tudo bem) Infecção ainda há uma presença espiritual no local (nada muito acentuado e nem clichê), tem toda aquela bizarrice tipicamente japonesa, algumas maluquices, atmosfera lúgubre e claro, uma boa dose de nojeira, afinal, ainda é um filme sobre uma doença contagiosa, então rola algumas coisas gráficas, principalmente quando os afetados praticamente tem seus órgãos liquefeitos. Em gosma verde, detalhe!

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Vem cá me dar um abraço!



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] de dois filmes anteriores bem regulares, Infecção e O Terror da Premonição, lançados no ano anterior, finalmente a série mostrou a que veio. […]

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