770 – A Janela Secreta (2004)

10.Secret-Window.jpg


Secret Window


2004 / EUA / 96 min / Direção: David Koepp / Roteiro; David Koepp (baseado no livro de Stephen King) / Produção: Gavin Polone; Ezra Swerdlow (Produtor Executivo) / Elenco: Johnny Depp, John Turturro, Maria Bello, Timothy Hutton, Charles S. Dutton, Len Cariou


A Janela Secreta é mais uma das boas adaptações de um livro de Stephen King para as telas. Thriller de primeira, dirigido e escrito por David Koepp (roteirista de Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros, Ecos do Além e Homem-Aranha) e que tem um Johnny Depp inspiradíssimo, fugindo do caricato que tomou conta de seus papeis tanto em sua filmografia em parceria com Tim Burton quanto pós-Jack Sparrow de Piratas do Caribe, assim como um também excelente John Turturro como coadjuvante.

Baseado no conto, “Janela Secreta, Jardim Secreto”, retirado da coletânea “Depois da Meia-Noite” (o mesmo material que contém o conto que se transformou no filme Fenda no Tempo), King mais uma vez faz o que sabe de melhor: escrever sobre escritores, e colocar pessoas comuns em situações de terror. Depp interpreta Morton Rainey, um excêntrico escritor recluso e desleixado após ter se separado recentemente de sua mulher, Amy (Maria Bello) ao pegá-la o traindo com Ted Milner (Timothy Hutton – que fez um escritor em outro longa baseado na obra de King, A Metade Negra) em um motel.

Certa amanhã após um de suas típicas sonecas largado em um sofá (e com uma cena de um pesadelo que, se prestado muita atenção, já dá claros indícios sobre a ruptura – se é que você me entende – que está por vir) atende um estranho maluco do Mississipi, típico vilão caricato (deliberadamente) na porta de sua casa, chamado John Shooter (Turturro), que na lata o acusa de plágio.

Bom, até aí sabemos também que o escriba do Maine A-DO-RA retratar alguns causos pessoais transportando-os para seus personagens (Jack Torrance de O Iluminado que o diga, ou então o maluco que é atropelado e fica em coma em Kingdom Hospital, e por aí vai). Aqui, lembramos de quando ele foi acusado de plágio por Angústia, o livro que deu origem a Louca Obsessão. Pois bem, Shooter diz que ele “roubou sua história”  e arruinou o seu final, e começa a ameaçar o escritor, exigindo que ele reescreva e o republique, lhe dando os devidos créditos.

Cena1.jpg

Escritor que escreve sobre escritores

Enquanto o comportamento de Shooter se torna cada vez mais psicótico, ameaçando as pessoas à volta de Rainey, o escritor passa a se tornar completamente acuado em sua casa isolada na floresta e paranoico, contratando um investigador particular para tentar descobrir os podres de Shooter e lhe dar um apavoro. O agravante aqui é que Rainey já tem um histórico de plágio, em um escândalo que ficou abafado após um acordo com seus advogados, então, ele também acaba ficando sob suspeita se roubou ou não a história, e a única forma de prova-la, é mostrar a revista em que ela fora publicada originalmente, com a data anterior da alegada por Shooter.

O desenrolar dos personagens, auxiliado pelas pistas e analogias jogadas por Koepp durante toda a projeção, assim como as ótimas e seguras atuações de todos os envolvidos, elevam o nível de A Janela Secreta até seu plot twist final. ALERTA DE SPOILER. Pule os próximos dois parágrafos ou leia por sua conta e risco, Em seu terceiro ato, finalmente descobrimos que Rainey é um louco de pedra, que teve um colapso nervoso fortíssimo após pegar a esposa lhe colocando chifres, e criou a figura de Shooter para extravasar toda sua raiva contida e se vingar, sendo assim, por fim, alterar seu final, matando a esposa, como o personagem do “suposto conto” escrito por Shooter, enterrando-a no jardim ao fundo da casa, que a fazia tão feliz.

Pelo menos para mim, essa reviravolta no roteiro me pegou de surpresa da primeira vez que o vi no cinema e diabos, funciona muito bem, principalmente tendo em vista o processo de estresse mental que o personagem de Depp sofreu após o trauma da separação, a crise, a depressão, a raiva contida, e como a própria mente humana pode pregar peças e criar uma dupla personalidade, com saídas macabras para situações que se recusa a aceitar e confrontar. Usa a psique para colocar a culpa em outro.

Trocando em miúdos, A Janela Secreta é um filme que se preza a entregar aquilo que promete, e vale com um ótimo thriller.

maxresdefault.jpg

“Você roubou minha história!” (insira sotaque sulista)



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: