771 – Jogos Mortais (2004)


Saw


2004 / EUA, Austrália / 103 min / Direção: James Wan / Roteiro: Leigh Whannel, James Wan (história) / Produção: Mark Burg, Gregg Hoffman, Oren Koules; Richard H. Prince e Daniel J. Heffner (Co-produtores); Lark Bernini, Peter Block, Jason Constantine , Stacey Testro (Produtores Executivos) / Elenco: Cary Elwess, Leigh Whannel, Dany Glover, Monica Potter, Tobin Bell


Hoje em dia pensar em Jogos Mortais dá até uma preguiça e você torce o nariz, devido a decadência impressionante que a série chegou depois de seis continuações que estreavam todo santo ano, uma pior do que a outra. Mas devemos lembrar o quanto o primeiro filme da cinesérie foi chocante em seu lançamento há quase dez anos.

Junto com O Albergue, Jogos Mortais foi um dos responsáveis pela avalanhce do terror torture porn no cinema e grande culpado por aumentar a classificação indicativa dos filmes de terror, fazendo essa nova geração gostar de filmes gore e com alta dose de tortura, mutilação e sadismo.

Foi quando o malaio James Wan (hoje alçado ao status de novo “mestre do terror”) e Leigh Whannel teve a ideia incrível de fazer um filme com uma trama bem simples, porém bastante inteligente, e criar um novo assassino serial que tecnicamente não pode ser considerado um assassino, já que ele não matava ninguém e obrigava suas vítimas a tirar suas próprias vidas, caso não conseguissem sobreviver às suas intrincadas armadilhas. E mais do que isso, ele só escolhia pessoas que não davam valor a própria vida, como drogados, delatores, adúlteros, e tinha na verdade o altruísta propósito de dar-lhes uma segunda chance, mas somente se uma boa quantidade de sangue fosse derramada no processo. Esse é Jigsaw, interpretado por Tobin Bell, o mais novo vilão do cinema de horror a entrar mesmo rol de outros figurões como Freddy, Jason, Leatherface, Pinhead, Michael Myers e Ghostface.

Isso que dá dormir no banheiro da rodoviária…


O filme começa nos apresentando os dois personagens principais: O Dr. Lawrence Gordon (Cary Elwes) e Adam Faulkner (vivido pelo próprio Whannell), que são os prisioneiros de Jigsaw, acorrentados pelos pés em um banheiro imundo, elemento importantíssimo na trama, afinal grande parte do filme se passa ali, onde estão espalhadas as pistas e a grande surpresa do final.

Gordon é um brilhante oncologista que trata os pacientes de maneira fria e distante, tal qual trata sua mulher e filha, tendo um relacionamento extraconjugal com uma de suas residentes. Já Adam é um fotográfo free-lancer voyuer que aceita qualquer grana para tirar fotos comprometedoras de pessoas comuns. Os dois são capturados por Jigsaw e jogados nesse ambiente claustrofóbico, junto com outro corpo estirado no chão em meio a uma poça de sangue, com uma arma em uma das mãos, a qual provavelmente usou para estourar os próprios miolos após descobrir que tinha veneno no sangue.

Gordon e Adam devem jogar o jogo do assassino segundo as suas regras, sendo que o doutor deverá matar o fotógrafo até às seis da tarde, caso contrário sua mulher e filha, que estão em posse de outra vítima de Jigsaw nesse mirabolante plano, serão assassinadas. Vamos sendo então bombardeados por flashbacks, para contar a história do vilão, do doutor e sua família, de Adam e dos policiais Tapp (interpretado por Danny Glover) e Sing (Ken Leung), que investigam os casos e tentam encontrar o maníaco. Isso além de contar como algumas armadilhas de Jigsaw foram preparadas e como suas vítimas acabaram morrendo, ou sobrevivendo, como o caso de Amanda (Shawnee Smith), que será muito importante no futuro da franquia, tudo sempre com uma rápida e intensa edição de imagens, clonada da estética de videoclipe.

Jogos Mortais é aquele típico filme que traz um sopro novo para o gênero quando você acredita que não haverá mais nada de diferente, principalmente tratando-se do cinema mainstream americano. Pode não ter nenhuma novidade, mas toda a forma como ele é construído, a esperteza e frieza de um serial killer nada convencional e a criatividade na elaboração das armadilhas, além da violência gráfica, o torna extremamente atraente e único.

Quanto sangue você derramaria para continuar vivo?

E o ponto alto do longa é a impressionante cena em que Gordon é explicitamente obrigado a serrar a própria perna, como um coiote preso em um armadilha que deve mastigá-la para para sobreviver, para conseguir escapar e tentar salvar sua família. É de uma brutalidade ímpar. E a grande reviravolta do final vem de forma avassaladora e você percebe o quão meticuloso é o assassino e como ele já tinha todos os movimentos dos seus peões premeditados, apenas para dar o xeque-mate.

É um daqueles casos de filme que você sempre irá indagar: poxa vida, o primeiro foi tão bom, como conseguiram cagar com tudo depois? Com um orçamento de 1,2 milhão de dólares (considerado baixo para os padrões Hollywoodianos), faturou mais de 102 milhões ao redor do mundo, encheu o rabo da, então pequena, Lions Gates, de dinheiro e deu orgiem a uma interminável franquia, destinada a ser uma espécie de novo Sexta-Feira 13.

Como sabemos, Jogos Mortais virou Brasil, e todo aquele charme e novidade do primeiro filme foram para as cuias com as continuações, com armadilhas cada vez mais estapafúrdias, deixando o roteiro de lado e se preocupando apenas em cenas de mortes surreais. Falando em Brasil, aqui em terras tupiniquins demorou mais de um ano para o filme passar em nossos cinemas (mais uma vez, obrigado Internet), e em uma estúpida jogada de marketing da então distribuidora Paris Filmes, colocaram na tagline do pôster “Esqueça Seven”, como se alguma coisa tivesse a ver com a outra e os dois filmes não fossem completamente diferentes, sendo que Seven – Os Sete Crimes Capitais, continua sendo muito mais filme que Jogos Mortais. Mas ambos com méritos diferentes.

Você quer jogar um jogo?


[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=lVTN-0IN5N4]


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] Fantasma de Frankenstein já é o quarto da série. É tipo o Sexta-Feira 13, A Hora do Pesadelo e Jogos Mortais da […]

  2. mauricio disse:

    zap e o nome do infermeiro

  3. Papa Emeritus disse:

    Jogos Mortais só o primeiro mesmo. O resto eu dispenso.

  4. […] sua ideia para a ascendente Lion Gates, que já estava produzindo a sequência do sucesso Jogos Mortais, e tinham tido uma excelente experiência com Roth, que havia dirigido anteriormente para eles […]

  5. […] estamos na metade da década quando o torture porn começou a pegar de vez, Jogos Mortais e O Albergue já haviam chocado a galera e escancarado a porteira, então, a ideia foi manter o […]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *