775 – Montado na Bala (2004)

Riding the Bullet


2004 / EUA / 98 min / Direção: Mick Garris / Roteiro: Mick Garris (baseado no conto de Stephen King) / Produção: Mick Garris, Brad Krevoy, David Lancaster, Greg Malcom, Joel T. Smith, Vicki Sotheran; Bill Kravitz, Julia Verdin (Coprodutores); Chad Marting, Neal Ramer (Produtores Associados); Jan Fantl, Frank Hübner, Jeff Ivers, Stephen King, Jörg Westerkamp (Produtores Executivos) / Elenco: Jonathan Jackson, David Arquette, Cliff Robertson, Barbara Hershey, Erika Christensen, Barry W. Levy


Quer uma dica de amigo? Para assistir Montado na Bala (se você realmente tiver essa necessidade) pegue o começo, da cena dos créditos até a descoberta do protagonista que a mãe teve um enfarte e precisa vista-la na noite de Halloween, e depois aperte com gosto o FFW até mais ou menos 40 minutos de fita, quando ele finalmente pega carona com o tal misterioso George Staub.

E isso ainda não será o suficiente para livrá-lo da mediocridade e chatice que é o filme, mas pelo menos é o melhor que vai se encontrar no longa, e fora que estará recheado de todos os clichês possíveis e imagináveis que se pode encontrar em uma obra de Stephen King, que todo mundo já sabe meio que de cor e salteado (mas ainda assim, adoramos).

Coloque aí nesse balaio de gato a atuação péssima, quase inexpressiva de um irritante Jonathan Jackson como protagonista (que foi indicado para o Saturn Award como melhor performance de um jovem ator – bem, depois que Lady Gaga ganhou o Globo de Ouro, não duvido de mais nada) e sua cara de cachorro largado na chuva, e claro, a sempre nada inspirada, nada ousada e letárgica direção de Mick Garris, cujos únicos apreciadores de seu trabalho devem ser sua família e o próprio Stephen King.

Assistir Montado na Bala é uma tarefa hercúlea de se concluir, de tão chato e insosso, confuso, indeciso e todas aquelas reviravoltas de várias cenas se repetindo diversas vezes entre a realidade e o sonho, em uma narrativa truncada que cansa o espectador pela linguagem ser repetida à exaustão.

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Perdeu (a cabeça), Playboy

Como disse lá em cima, ambientado no ano de 1969, o estudante universitário de artes, Alan Parker (Jackson), após uma “tentativa acidental de suicídio” recebe a ligação de que sua mãe sofrera um enfarte e está internada no hospital, e abrindo mão de um concerto de John Lennon e Plastic Ono Band, irá visita-la na mesma noite, que por sinal, é de Halloween.

Vagando por uma estrada noturna deserta, que parece sempre a mesma, e de carona em carona, resultando em diversas experiências bizarras, sempre acompanhado das dicas de sua “voz da consciência”, depois de mais da metade do filme de puro sacal, finalmente ele pega carona com um George Staub, vivdo por David Arquette, vilão “kingiano” mais caricato e estereotipado possível, que ele já sabia estar morto, pois visitara sua tumba em um cemitério próximo (ou ao que tudo indica, porque tudo é confuso e sem sentido no longa). O sujeito é uma espécie de entidade espectral coletora de almas, que morrera em um acidente de carro no Halloween e fica vagando por aí com seu possante, e dará a Jackson a ingrata escolha sobre quem deverá morrer: ele, ou sua mãe.

Os três únicos pontos positivos do longa são aquelas velhas e famosas relações humanas e interpessoais, algo que King domina, e como Garris é ali cupincha do escriba do Maine e já havia anteriormente dirigido CINCO filmes adaptados de sua obra, ele então sabe transpor isso muito bem nas telas. O outro é a trilha sonora sessentista e por último, Arquette que parece estar adorando aquele papel. Também vale para os fãs do escritor, a tonelada de autoreferências, tanto a si mesmo quanto seus livros (Christine é a mais acentuada).

Publicado originalmente na Internet e depois parte da coletânea “Tudo é Eventual”, Montado na Bala (o título corresponde ao nome de uma montanha-russa de um parque de diversões chamada A Bala), é daquelas fracas adaptações das histórias de Stephen King, dirigida pelo mais medíocre dos diretores, e que irrita de forma profunda pela sua forma bagunçada que brinca com as cenas de imaginação do personagem tantas vezes, que a mão que aperta o STOP chega a tremer…

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A morte pega carona


 

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Matheus L. CARVALHO disse:

    Eu acho legal, Marcão.

    😉

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