776 – Plataforma do Medo (2004)

Creep


2004 / Reino Unido, Alemanha / 85 min / Direção: Christopher Smith / Roteiro: Christopher Smith / Produção: Julie Baines, Jason Newmark; Martin Hegemann, Barry Hanson, Kai Künnemann (Coprodutores); Robert Jones (Produtor Executivo) / Elenco: Franka Potente, Paul Rattray, Kelly Scott, Jeremy Sheffield, Vas Blackwood, Sean Harris


Plataforma do Medo é um daqueles excelentes filmes menores, independente e de baixo orçamento, visceral, sujo, claustrofóbico e com sua boa dose de violência gráfica e gore. Lembro que quando o aluguei em DVD lá em meados da década passada, foi uma excitante surpresa.

Simples, direto e sem muitas firulas, o longa do diretor Christopher Smith se apega ao básico do cinema de terror e o faz muito bem. Com certa inspiração de outro filme inglês, O Metrô da Morte (inspirado em uma lenda urbana britânica), ele nos entrega uma fita suja em uma atmosfera lúgubre, sobre uma criatura mutante que vive nas estações abandonadas do metrô de Londres, onde o termo creep (título original) se encaixa nas mais perfeitas condições.

Franka Potente, a eterna Lola (aquela que corre) interpreta Kate, uma alemã que mora na Inglaterra e planeja tentar um encontro de surpresa com George Clooney, que está na cidade (talvez descolar uma xícara de Nespresso…). Ao descobrir que sua amiga saíra da festa de táxi, ela resolve pegar o último trem do metrô e acaba adormecendo na estação, acordando com o local todo fechado após o horário de funcionamento.

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Pegue o metrô Lola, pegue!

Pronto, a moça estará a mercê, junto de um casal de sem-teto que mora nos subterrâneos e alguns funcionários a uma terrível e asquerosa criatura, toda deformada, que vive em condições insalubres regredida apenas as seus instinto animais, predadora e que se alimenta de carne humana, cercada por ratos. Até me lembra um pouco o personagem Rattus, um dos coadjuvantes da sensacional Graphic Novel “A Última Caçada de Kraven” do Homem-Aranha.

A primeira metade é aquele velho e bom exercício de suspense, nunca mostrando-o em seu esplendor, e primando mais pela fotografia escura e azulada, com o contraste berrante do vestido amarelo floral de Potente entre os túneis e as cenas de agonia e claustrofobia. A metade final, com o perdão do trocadilho, Plataforma do Medo vira um trem descarrilado.

A adrenalina da fuga pela sobrevivência e a dose de gore e nojeira então é elevada, com destaque para duas cenas em particular: primeiro quando George (Vas Blackwood), um dos funcionários do metrô acaba se dando mal em um confronto com a criatura e tem seu rosto enterrado em uma serra e a segunda, e mais impactante, quando Mya (Debora Weston), uma das vítimas raptadas pelo monstro e presa na estação de esgoto é levada para uma espécie de sala de operação clandestina no local.

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Velocidade reduzida por objeto nos trilhos…

Temos então uma pista sobre o vilão, chamado Craig (interpretado de forma excepcional por Sean Harris) e que provavelmente é fruto de algum tipo de experiência genética, uma criatura híbrida criada por algum cientista louco por meio de inseminação artificial (há no ambiente vários fetos em jarros de formol de outros experimentos fracassados) e isso fica bem claro quando ele passa a repetir os procedimentos de “seu pai”, ou “seu criador” com a pobre indigente. Sem dar uma explicação didática, mas com essa brutal cena de contexto subentendido o filme já ganha vários pontos com o verdadeiro fã do horror.

Harris está verdadeiramente bizarro e assustador e é um daqueles atores metódicos, e não socializou com os demais durante as filmagens. Tanto que a reação de Debora Weston de confusão e medo é genuína na fatídica cena da “cirurgia”, uma vez que não havia visto o ator de maquiagem completa até o momento da filmagem. Aliás, demoravam sete horas por dia para que toda a maquiagem fosse aplicada e mais outras três para ser retirada.

Plataforma do Medo, um dos campeões de reprises do Telecine Action, pega um clichê e transforma num ótimo filme britânico indie, obscuro, longe do hype hollywoodiano, mas que funciona, assusta, causa angústia e asco e certamente uma das melhores surpresas da década passada.

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Cafuné


 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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