777 – O Terror da Premonição (2004)

Yogen / Premonition


2004 / Japão / 95 min / Direção: Norio Tsuruta / Roteiro: Noboru Takagi, Norio Tsuruta (baseado no mangá de Jirô Tsunoda) / Produção: Takashige Ichise; Yukie Kit (Produtor Associado); Kazuya Hamana, Yasushi Kotani (Produtores Executivos) / Elenco: Hiroshi Mikami, Noriko Sakai, Maki Horikita, Mayumi Ono, Hana Inoue


O Terror da Premonição é o segundo filme da série J-Horror Theater, criada pelo produtor Takashige Ichise, seguindo a esteira de seu lançamento anterior, Infecção, no mesmo ano. A ideia do J-Horror Theater era convidar seis diretores diferentes para cada um criar seu filme, lançado pelo selo.

Assim como Infecção, O Terror da Premonição é um filme mediano, que não consegue explorar todo seu potencial, assim como o do subgênero, nessa altura do campeonato já notabilizado por algumas excelentes, assustadores e perturbadoras obras lançadas desde o final da década de 90.

O seu começo é bastante interessante e parece que vai prender a atenção do espectador: Inspirado no mangá “Kyoufu shinbun”, escrito por Jirô Tsuonda (na lista dos 25 mangás mais traumatizantes segundo votação no site japonês Ranking Goo), a trama, escrita pelo diretor Norio Tsuruta e Noboru Takagi, traz uma família em viagem pela estrada, quando o pai, Hideki (Hiroshi Mikami) precisa de um telefone público para se conectar a Internet e enviar um e-mail urgente de trabalho para sua conclusão de magistério (era duro aquele tempo de Internet discada, viu…).

Na cabine telefônica, enquanto sua esposa, Ayaka (Noriko Sakai) e sua filha pequena, Nana (Hana Inoue) aguardam no carro – a menina está presa ao cinto de segurança no banco de trás – ele encontra um pedaço rasgado de jornal que trazia a reportagem da morte da menina em um acidente envolvendo o caminhão desgovernado. Não dá outra, e realmente uma carreta atinge o veículo, que pega fogo com a menina presa em seu interior.

premonition-yogen-2004-01-g.jpg

Moço, o Sr. tem um copo de água?

Elipse temporal para três anos no futuro, quando Hideki está amargurado, separou-se da esposa, e obcecado, tenta decifrar os mistérios daquele jornal premonitório, envolvendo-se cada vez mais em pesquisas e uma série de acontecimentos bizarros. Enquanto isso, Ayaka também vai fazendo suas pesquisas paralelas e descobre sobre a lenda urbana desse jornal, tipo do Early Edition, que irá reaproximar o casal.

Apesar da promissora cena de abertura, o filme simplesmente não consegue chegar lá e não se sustenta. Por mais que já conhecemos o ritmo do cinema de terror japonês, muito mais lento, atmosférico e comedido que o mainstream americano habitual, O Terror da Premonição é daqueles que não consegue te prender, te intrigar e torna-se sonolento, monótono e repetitivo em sua boa parte de metragem.

Apenas em seu final que ele passa a ficar interessante novamente, quando o personagem de Hideki, após ter finalmente conseguido alterar o curso de uma das trágicas premonições noticiadas, começa a passar por uma distorcida viagem no tempo com várias situações no decorrer dos últimos anos, incluindo aí o fatídico acidente, entregando nas entrelinhas que tudo na vida é uma questão de escolha, de atos e consequências, e que claro, ao seu final, suas decisões podem trazer a redenção, com uma conclusão bizarramente (afinal, estamos falando de filmes orientais) satisfatória.

O Terror da Premonição é um exercício de suspense canhestro sobre perda e escolhas, com uma virada sobrenatural e fantástica, mas que não causa impacto e nem comoção, encaixando-se como uma obra regular do período (e até da série J-Horror Theater). Interessante (ou trágico) é o quanto as distribuidoras nacionais gostavam de capitalizar de qualquer forma com o boom do terror japonês na época e julgavam o público uns verdadeiros idiotas desinformados, pois na capa do DVD nacional lançado pela Paris Filmes está escrito em letras garrafais de “o mesmo diretor de O Grito” – MENTIRA, uma vez que é dirigido por Takashi Shimizu – e do “mesmo roteirista de O Chamado” – MENTIRA DE NOVO, uma vez que o roteiro é de Hiroshi Takahashi. Isso era uma prática bem comum, na verdade…

hzOa1uTmeAUTqus4lAKnJZjVTDU.jpg

Deu no Notícias Populares!



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] de dois filmes anteriores bem regulares, Infecção e O Terror da Premonição, lançados no ano anterior, finalmente a série mostrou a que veio. Almas Reencarnadas é J-Horror […]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: