778 – Três Extremos (2004)

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Saam gaang yi / Three…Extremes


2004 / Hong Kong, Japão, Coreia do Sul / 118 min / Direção: Fruit Chan, Park Chan-wook, Takashi Miike / Roteiro: Haruko Fukushima, Pik Wah Lee, Park Chan-wook / Produção: Ahn Soo-hyun, Peter Chan, Fumio Inoue, Naoki Sato, Shun Shimizu; Kazuo Kuroi, Eugene Lee, Jung-Wan Oh, Eric Tsang / Elenco: Bai Ling, Pauline Lau, Tony Ka Fai Leung, Lee Byung-hun, Lim Won-hie, Kang Hye-jeong, Kyoko Hasegawa, Atsuro Watabe


Três Extremos, como o próprio nome já diz, é uma antologia multicultural de terror asiática, composta por três episódios extremos, dirigidos por alguns dos mais importantes nomes do cinema transgressor, totalmente perturbadora e intensa.

É até difícil selecionar qual dos três contos é o melhor. Todos eles são impecáveis tanto na questão técnica, verdadeiros exercícios de direção e fotografia, e com histórias que esbarram no bizarro e grotesco, nos melhores moldes do cinema de terror asiático.

O chinês Fruit Chan dirige o primeiro segmento, “”Dumplings, – nome de um prato típico cantonês que são uma espécie de bolinhos recheados que podem ser comidos de várias formas (empanados, ao vapor, na sopa…) – que até acabou se transformando em um longa metragem, lançado no Brasil como Escravas da Vaidade. Uma belíssima ode ao grotesco e crítica pesada a obsessão pela juventude e padrões estéticos pré-estabelecidos, onde uma dondoca rica ex-atriz de TV, a Sra. Li (Pauline Lau) procura os famosos serviços de uma cozinheira, Mei (Bai Ling) que prepara os tais dumplings conhecido por rejuvenescer aqueles que os come. Detalhe que o ingrediente secreto é só FETOS abortados!

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Master Chef China

Segue para “Cut”, dirigido por ninguém menos que Park Chan-wook, o mesmo de Oldboy, Lady Vingança e Sede de Sangue, entre outros. Um dos mais importantes, brilhantes e influentes cineastas sul-coreanos nos brinda com um curta visceral sobre inveja, vingança, adultério, completamente amoral e repleto de sangue e humor negro, que reflete todo o seu repertório estético e técnica de câmera e enquadramentos, recurso visual e misé-en-scene, onde um diretor de sucesso e sua esposa pianista são raptados por um sujeito medíocre que tem inveja da vida aparentemente fácil e glamorosa do mesmo, sem saber dos detalhes sórdidos e mesquinhos do casal. O lance é o seguinte: ou ele mata uma suposta garota enforcada ou a cada cinco minutos, o psicopata cortará um dedo de sua esposa, presa ao piano.

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E… corta!

O último segmento é J-Horror puro! Comandando por Takashi Miike, outro grande diretor que dispensa apresentações, “The Box” é o mais próximo do cinema de horror asiático que estamos acostumados, uma vez que foi grande parte da produção japonesa que chegou até as nossas mãos. Minimalista, com uma estética belíssima e fotografia exuberante, mostrando o quanto Miike manja do riscado e não pode ser julgado apenas a um diretor transgressor, brutal e repleto de filmes WTF no currículo (taí o recente Yakuza Apocalypse que não me deixa mentir), o capítulo que encerra a antologia traz uma garota que vive atormentada por um acidente do passado que resultou na morte de sua irmã gêmea, quando as duas ainda garotas, trabalhavam em um circo que pegara fogo. Claro que vai ter uma espécie de acerto de contas e uma aparição sobrenatural aí.

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Exige flexibilidade

Todos os contos de Três Extremos são ótimos, e isso é bem raro em uma antologia, que quase sempre tem um resultado irregular, com um primoroso trabalho de câmera de seus diretores e excelente uso de cores, que explodem na retina dos espectadores, assim como suas teias de acontecimentos bizarros e brutais, mostrando realmente o créme de la créme do cinema asiático, tão em voga naquela metade de década. Você pega o perfeito horror clássico japonês de Miike, com a virtuose visual e visceral de Park Chan-Wook e o belamente grotesco de Chan e juntos formam essa obra-prima.


https://www.youtube.com/watch?v=5rIz7WEKGTs

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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