782 – Almas Reencarnadas (2005)

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Rinne / Reincarnation


2005 / Japão / 96 min / Direção: Takashi Shimizu / Roteiro: Takashi Shimizu / Produção: Takashige Ichise; Yukie Kito (Produtor Associado); Kazuya Hamana, Yaushi Kotani (Produtor Executivo) / Elenco: Yûka, Karina, Kippei Shina, Tetta Sugimoto, Shun Oguri, Marika Matsumoto, Mantarô Koichi, Atsushi Haruta, Miki Sanjô, Mao Sasaki


Almas Reencarnadas é o terceiro (e melhor!) filme do projeto J-Horror Theater, criado pelo produtor Takashige Ichi, uma hexalogia concebida por seis diferentes diretores do cinema de terror asiático. Por que o melhor, Marcos, você me pergunta? E eu te respondo fiel leitor: é dirigido por Takashi Shimizu.

Depois de dois filmes anteriores bem regulares, Infecção e O Terror da Premonição, lançados no ano anterior, finalmente a série mostrou a que veio. Almas Reencarnadas é J-Horror puro, no maior sentido da palavra: climático, sombrio, assustador, direção precisa e inspirada de Shimizu, principalmente no recurso narrativo da mistura dos acontecimentos em tempo real com footage de 8mm dos anos 70 e, perdoem se estiver sendo leviano, com a BONECA MAIS BIZARRA E ASSUSTADORA do gênero. Chupa Annabelle!

Como roteiro de Shimizu e Masaki Adachi, a trama do longa, por mais que seja simples e clichê, consegue muito bem ser trabalhada por toda a ótica do subgênero, claro, invocando o bom e velho fantasma vingativo oriental, ou melhor, nesse caso, uma série de fantasmas vingativos, e mistura de tom documental e metalinguagem de filme dentro do filme.

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Pegação na biblioteca!

Um famoso diretor do cinema de terror resolve fazer o filme sobre um terrível massacre ocorrido em um hotel nos anos 70, quando Norihasa Omori (Atsushi Haruta), um professor colegial se hospedou com sua família e matou onze pessoas, incluindo hóspedes, funcionários e seus dois filhos pequenos, filmando tudo e se suicidando em sequência.

Uma das atrizes, Nagisa Sugiura (Yüka), que interpreta a filha do professor assassino, começa a ser atormentada por visões fantasmagóricas e tem alucinações onde se vê perseguida pelas vítimas, além das almas das duas crianças mortas, inclusive, a aparição da tal boneca vesga medonha, que pertencia a garotinha a qual ela faz o papel. Tem uma cena quando ela começa a andar, que é de dar cagaço de verdade.

Paralelo a isso, uma estudante durante uma palestra sobre “criptoamnésia” – memórias escondidas que ressurgem como se fossem de outras pessoas ou encarnações passadas – fica intrigada no assunto e resolve escrever uma pesquisa sobre, contatando Yuka Morita (Marika Matsumoto), uma jovem também atriz, que inclusive participou dos testes de audição para o filme, que se diz reencarnação de uma das vítimas mortas no massacre do hotel. Para congregar os pontos.

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Cinema vérité

Quando a equipe de filmagens chega até o verdadeiro hotel onde todo o horror aconteceu, e que é descoberta a fita em que Omori gravou a carnificina, é aí que o caldo vai entornar para a protagonista, quando AVISO DE SPOILER – pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco – Nagisa passa a vivenciar os ocorridos há 35 anos, com os atores trocando de lugar com as vítimas – em um sensacional recurso narrativo metalinguístico que mistura a “realidade” com as filmagens que vão sendo exibidas do filme em 8mm – e descobre que na verdade ela é a reencarnação do professor, e todos os espíritos do hotel buscam pela boa e velha vingança.

Ainda há tempo para um interessante e aberto plot twist final, daqueles bem aos moldes dos filmes orientais, e uma assustadora última cena, que é impressionantemente crível o nível de medo na atuação de Yüka. E muito interessante também os momentos de documentário que Shimizu imprime, utilizando emulsão de filmagem de época, além dos momentos de transe e puro horror, algo que o diretor domina com maestria, e que já pudemos ser testemunhas em Ju-On – O Grito (e sua contraparte americana) e em Marebito – Seres Estranhos.

Almas Reencarnadas, que chegou a ser lançado no Brasil, junto com a primeira trilogia do J-Horror Theater, difere-se dos seus demais pares por conta da presença de Shimizu na cadeira de diretor, as excelentes atuações e o clima fantasmagórico e assustador, ajudado e muito também pelas presenças sobrenaturais e aquela verdadeira boneca do mal, para trazer mais um excelente filme da safra do J-Horror, que chegava ao seu auge naqueles tempos.

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Venha brincar comigo



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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