784 – A Chave Mestra (2005)

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The Skeleton Key


2005 / EUA / 104 min / Direção: Iain Softley / Roteiro: Ehren Kruger / Produção: Daniel Bobker, Lorenzo P. Lampthwait, Michael Shamberg, Stacey Sher, Iain Softley; Clayton Townsend (Produtor Executivo) / Elenco: Kate Hudson, Gena Rowlands, John Hurt, Peter Sarsgaard, Joy Bryant, Maxine Barnett


Cinema de terror mainstream americano de estúdio muitíssimo acima da média é esse A Chave Mestra, hein? De uma época em que ter o nome de Ehren Kruger no roteiro, ainda mais depois do sucesso acachapante de O Chamado, era sinônimo de coisa boa vindo por aí (hoje em dia, bem, ele escreveu os três últimos Transformers…).

Certo que foi exatamente o roteiro de A Chave Mestra, misturado com toda a atmosfera da Nova Orleans mística e pantanosa e a pegada sobrenatural da trama que fez do longa um sucesso instantâneo, que agradou em cheio os fãs do horror, muito por conta também do certeiro plot twist, com aquele final pessimista tudo de bom.

Confesso que quando o assisti pela primeira vez no cinema, aquela reviravolta final me deixou embasbacado, subvertendo a manjada tônica da vingança sobrenatural tão em voga naqueles tempos, e foi um verdadeiro sopro de alívio e vigor no cinema norte-americano, que vinha tomando de lavada do oriental, quando não apelava para remakes e/ou torture porn.

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Nos pântanos de Nova Orleans, ninguém vai ouvir você gritar

Como disse ali no outro parágrafo, o mais interessante do longa de Iain Softley (seu primeiro e único filme de terror) é a ambientação em Nova Orleans, em um grande casarão supostamente mal-assombrado no Bayou, e explorando a temática do hudu. Enquanto o vodu, seu “primo conhecido” é uma religião afro-americana, o hudu é a prática de feitiçaria e magia negra. Da brava, ainda por cima. E A Chave Mestra foi responsável por apresenta-la a muita gente (eu mesmo nem sabia da existência antes do longa) e de certa forma, popularizá-la e gerar certo interesse pelo assunto.

Kate Hudson é Caroline Ellis, uma enfermeira que aceita o emprego de home care para tratar de um velho senhor, Ben Deveraux (John Hurt) que sofrera de um derrame que o deixara inválido, em uma afastada casa nos pântano, junto de sua esposa, Violet (Gena Rowlands), carregada com todos os seus trejeitos e comportamento tipicamente sulista, incluindo aí suas crenças e superstições. Há uma chave mestra que abre todos os aposentos, e um deles, no sótão, é proibida a entrada. Outro fato curioso é que não há espelhos em toda a casa.

Conforme o tempo vai passando e coisas estranhas vão acontecendo na casa e principalmente, no comportamento de Ben, Caroline descobre sobre o passado do local, pertencente a um poderoso banqueiro, sua esposa e dois filhos pequenos, que tinha dois empregados, Papa Justifiy (Ronald McCall) e Mama Cecille (Jeryl Prescott Sales), praticantes do hudu. Certa noite durante uma festa regada a muito álcool, os pais e convidados descobrem que os dois criados estavam ensinando as técnicas da magia negra para as crianças, e eles são espancados, enforcados e queimados no jardim da casa.

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Retratos de família

Após o ocorrido, a família entrou em decadência e os boatos de que o local era mal-assombrado e os espíritos dos dois bruxos ainda continuam por lá acabou se espalhando. A explicação faceira seria que o enredo parasse por aí mesmo, na facilidade de uma vingança sobrenatural e segue a vida, mas A Chave Mestra traz aquele plot twist já citado, dois na verdade, sendo um deles sensacional, que acaba elevando muito o nível da produção e que o tornou um dos hits daquela metade da década passada. E é tão legal quando os vilões vencem os mocinhos no final, não é verdade?

Além disso, conta com atuações seguras de todos os envolvidos, desde Hudson, que nunca foi o exemplo de melhor atriz do planeta Hollywood, passando por Peter Sarsgaard como o advogado da família Deveraux, Luke Marshall, e chegando, principalmente em Hurt e Rowlands, que estão ótimos. A fotografia tétrica e sombria, auxiliado pelas belezas naturalmente assustadoras dos pântanos da Louisiana faz muito bem sua parte e o medo é instaurado na exibição dos rituais e práticas das religiões negras ali instaladas, nunca antes exploradas dessa forma no cinemão de terror. Apesar da utilização do jumpscare, tudo é muito mais calcado no terror psicológico e nas crendices.

A Chave Mestra é um ótimo filme, de uma excelente safra do cinema comercial americano, em um ano repleto de boas produções do gênero.

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Chave de Salomão



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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