794 – Noroi (2005)

noroi.jpg

Noroi / Noroi: The Curse

2005 / Japão / 115 min / Direção: Kôji Shiraishi / Roteiro: Kôji Shiraishi, Naoyuki Yokota / Produção: Takachige Ichise (Produtor Executivo) / Elenco: Jin Muraki, Rio Kano, Tomono Kuga. Marika Matsumoto, Angâruzu, Hiroshi Aramata, Satoru Jisunashi


Falei aqui: Noroi é um dos melhores filmes mockumentary já feitos! E isso lá em 2005, muito antes do BOOM do found footage, antes de REC, de Cloverfield – Monstro, de Diários dos Mortos, de Atividade Paranormal e por aí vai, E claro, como um bom filme japonês, é esquisito, climático, psicológico e assustador para diabo (literalmente) com seu terceiro ato acachapante.

A trama, que parece dos mais clichês possíveis, é conduzida de uma forma magistral no estilo “câmera na mão” por Kôji Shiraishi, mostrando um dos pontos altos do cinema de terror asiático antes de sua derrocada brusca. O repórter paranormal investigativo Masafumi Kobayashi (Jin Muraki), que vive em busca de casos sobrenaturais inexplicáveis, resolve fazer gravar em vídeo uma investigação que se inicia com um caso em que uma mãe clama por sua ajuda, onde ela e sua filha escutam sons estranhos e choro vindos da casa vizinha.

O desenrolar desse rebuceteio todo é que essas gravações consistem no último documentário de Koabyashi, que desaparece misteriosamente, deixando esse trabalho “póstumo” posteriormente editado e finalizado – da forma mais sensacionalista (e sensacional) possível, propositalmente – chamado de “A Maldição”, além de ter sua casa incendiada e sua esposa morta. Como diria o sábio: DEU RUIM! Ah, isso nem é spoiler, pois esse fato é narrado logo no começo da exibição do mockumentary.

noroi-the-curse.jpg

De médium e de louco…

O falso vídeo que vamos testemunhando retrata a escalada de acontecimentos sobrenaturais e bizarros que Kobayashi passa a investigar, intercalado com reportagens e gravações de programas de auditório – bem ao melhor estilo caricato japonês – que irá se fixar em um núcleo central de personagens que inclui dois psíquicos (sendo um deles um típico louco de pedra, brilhantemente interpretado por Satoru Jitsunashi – com uma expressão corporal e facial das mais impressionantes), uma garotinha sensitiva e uma atriz/ apresentadora de TV com certa ligação sensitiva.

Cada minuto que passai Noroi te deixa cada vez mais nervoso intrigado com aquele caso, que vai sendo remontado em um quebra-cabeça macabro, até Kobayashi chegar a um antigo vilarejo japonês que foi submerso para a construção de uma barragem, onde pela última vez os habitantes decidem recriar um ritual de expurgo de um demônio chamado Kagutaba (não é Catuaba, esse foi o demônio do Carnaval).

Nem preciso dizer que não deu lá muito certo, que levará o longa até seu terceiro ato desesperador, daqueles que é bem capaz de fazer marmanjo cagar nas calças, pela sua mistura de tensão capaz de cortar o ar com uma faca de rocambole, situações sinistras, excelente atuação dos envolvidos, misturado com a direção de Shiraishi e edição de Nobuyuki Takahashi, ambas precisas até dizer chega, trilha sonora impactante (e coloca efeitos sonoros nessa conta também) e tudo isso com a produção do midas do horror japa, Takashige Ichise (só o mesmo de Ring – O Chamado, Dark Water – Água Negra, Ju-On – O Grito e da hexalogia J-Horror Theatre).

Noroi-2005-3.jpg

Chupa, Atividade Paranormal!

Apesar de seguir exatamente a mesma cartilha do found footage, subgênero que já arrancou até o bagaço da laranja, o mais interessante é enxergar Noroi até como um tipo de precursor, lembrando que o pai de todos, A Bruxa de Blair, havia sido lançado seis anos antes, e com um detalhe ímpar que lhe coloca instantaneamente acima de quase todos os exemplos pasteurizados produzido no ocidente: ele é japonês, o que lhe confere o carimbo de assustador, atmosférico e psicológico.

Fora a sensação onipresente de cinema verité, transformando um documentário falso no menos falso possível, mas como se fosse um daqueles episódios de algum programa do History Channel, ou mesmo um Globo Repórter da vida, fazendo com que todos os espectadores que querem ser enganados, sejam de acordo, até pela quantidade de recursos visuais e narrativos utilizados. Talvez o único defeito de Noroi seja a metragem, de quase duas horas, sendo que sempre é esperado um tiro mais curto nos found footage da vida, até pela sua estrutura. Mas isso não diminui a sua densidade e o quanto é quase insuportável assisti-lo (no bom sentido)!

Noroi é uma gema de dois dos subgêneros mais importantes do novo século, menos conhecida que muito de seus irmãos nipônicos do mesmo produtor, mas que merece estar ali exatamente no mesmo patamar. É um convite para o susto e o medo na medida certa, ou no mínimo, uma boa história, com um roteiro intrigante e muito bem amarrado, que mais parece um jogo de videogame ao melhor estilo survivor horror (Forbidden Siren sempre me vinha à cabeça, principalmente por conta dos rituais de sacrifício, do vilarejo, da floresta e tudo mais), ou um episódio dos bons de Arquivo X. É uma ode à angústia, de se assistir um excelente filme de terror esperando seu final pessimista, já sabido, e ainda assim não preparado para o tranco.

noroi-457909l-10-scariest-movie-moments-that-will-keep-you-awake-jpeg-117694.jpg

O homem da máscara de capeta



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Vinicius disse:

    Porra, se lembra Forbiden Siren, virou prioridade zero para eu assistir!! Pior que na locadora eu não dava absolutamente nada pela capinha dele, que mancada….

  2. aperitivado disse:

    Não existe mistério…um bom roteiro, uma ótima produção, uma direção inspirada e interpretações competentes… filme excelente! Dá pra encontrar completo no youtube, vale cada minuto! Aliás, parabéns pelo site, cada pérola que eu redescobri aqui…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *