795 – O Pesadelo (2005)

boogeyman.jpg

Boogeyman


2005 / EUA / 89 min / Direção: Stephen Kay / Roteiro: Eric Kripke, Juliet Snowden, Stiles White / Produção: Sam Raimi, Robert Tabert; Eric Kripke, Doug Lefler (Coprodutores); Gary Bryman, Joseph Drake, Steve Haim, Nathan Kahane, Carsten Lorenz (Produtores Executivos) / Elenco: Barry Watson, Emily Deschanel, Skye McCole Bartusiak, Tory Mussett, Andrew Glover, Lucy Lawless, Charles Mesure


Eu vi O Pesadelo pela primeira (e única) vez nos cinemas, quando exibido aqui no Brasil. Lembro que até tinha gosta do filme, uma vez que né, naqueles tempos eram pouquíssimos longas do gênero que chegavam às telas grandes (não que hoje seja diferente, mas pelo menos conseguimos assistir mais filmes que não seja da forma, hã, bíblica, digamos assim) e veio com todo um hype por ser a segunda produção da Ghost House Pictures, de Sam Raimi e Robert Tapert, depois do estouro que fora O Grito.

A máxima de que existem filmes que não passam por uma revisão não poderia se aplicar melhor aqui. O Pesadelo é péssimo, com uma história mequetrefe, um carnaval de clichês, um CGI porco, atuações nada inspiradas e um finalzinho daqueles mais chulés possíveis.

Partindo de uma premissa excelente, um possível exercício de horror psicológico que vai se desenhando até seu terceiro ato, e depois, escorre completamente para o ralo quando o filme atinge seu clímax, principalmente da parte que o tal bicho-papão aparece em carne e osso, estragando completamente qualquer mediana tentativa de um filme razoável que vinha se estabelecendo desde então.

O jovem Timmy teve a desagradável experiência na infância de se deparar com o bicho-papão em seu quarto, que acabou matando seu pai, levando-o para a dimensão que existe dentro do armário onde os bichos-papões vivem. Devem ter parado lá na terra do  Monstros S.A. Enfim, Tim cresceu, e interpretado por Barry Watson, nunca conseguiu superar aquele ocorrido, com todos os psicólogos possíveis AND sua mãe (vivida pela Lucy Lawless) dizendo que o pai havia fugido e nenhum monstro o matara dentro do armário, e agora em sua vida adulta, mesmo tendo um bom emprego e uma namorada de família rica, tem medo do escuro e evita lugares com portas fechadas e maçanetas.

boogeyman (2).jpg

Não olhe agora!

Com a morte de sua mãe, Tim resolve confrontar os seus medos, para exorcizar de vez os demônios e decide passar uma noite na malfadada casa onde todos os seus problemas começaram. Toda a atmosfera “casa mal-assombrada” até vai se saindo bem, com um direção honesta de Stephen Kay, que utiliza até alguns recursos narrativos bem interessantes, como a mistura de cenas atuais com flashbacks do garoto, e a fotografia bastante escura. Apesar de adorar um jumpscare, tem algumas cenas até bacanas, como quando aparece uma pá de fantasmas de crianças para o herói, com um pezinho ali no J-Horror, Mas, como disse lá em cima, nada se susenta ao seu terceiro ato.

O filme vira uma baboseira tamanha, envolvendo o caso de várias crianças que desapareceram raptadas pelo bicho-papão, e a confusão que se torna quando a dimensão da criatura e a nossa vão se misturando, assim como passado e presente (tem um lance meio Scooby-Doo de perseguição onde as pessoas entram por uma porta de um aposento e saem pela outra), até chegar ao seu final bem vagabundo, quando a forma do mostro é revelada, e na verdade é o boneco que Tim tinha medo quando criança.

Outro argumento interessante, do bicho-papão ser a personificação de nossos piores medos, apesar do clichê, daria um bom caldo, em um filme ou roteiro um pouco melhorzinho (também, Eric Kripke, o roteirista, se baseou em um episódio que o próprio escreveu para a série Supernatural), se transforma em um festival de CGI desnecessário na batalha final, onde bastou apenas ao marmanjo quebrar seu brinquedinho para dar cabo definitivamente da terrível ameaça de anos e anos.

Sério mesmo, não sei como em algum momento, possivelmente obscuro da minha vida, na ingenuidade dos meus 23 anos, eu pude gostar de O Pesadelo. Talvez fosse muito amor por Sam Raimi e Robert Tapert, e suas empreitadas de volta no terror após Homem-Aranha, porque de verdade, não há sequer um argumento que salve esse filme do clichê do susto fácil e dos efeitos especiais exagerados, reservando-lhe a mediocridade em que ele adormece em berço esplêndido. Mas como se não bastasse, fez um razoável sucesso de bilheteria (mais de 67 milhões de dólares contra 20 milhões de orçamento) e acabou gerando mais duas continuações direto para o vídeo (que eu nunca assisti, só para constar).

boogeyman (1)

Exame de vista


 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *