796 – Rejeitados Pelo Diabo (2005)

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The Devil’s Rejects


2005 / EUA, Alemanha / 107 min / Direção: Rob Zombie / Roteiro: Rob Zombie / Produção: Mike Elliott, Andy Gould, Marco Mehlitz, Michael Ohoven, Rob Zombie; Brent Morris (Coprodutor); Ali Forman (Produtor Associado); Peter Block, Michael Burns, Guy Oseary, Michael Paseornek, Julie Yorn / Elenco: Sid Haig, Bill Moseley, Sheri Moon Zombie, William Forsythe, Ken Foree, Matthew McGregoy, Leslie Easterbrook


Rejeitados Pelo Diabo é um filme tão FODA, que nem parece que é dirigido pelo Rob Zombie! É a única unanimidade na sua desastrosa carreira cinematográfica, cercada de hype e marra exatamente por ele ser um rockstar, e só por isso deve ter tantos defensores. Aliás, ele funciona exatamente porque o roqueiro metido a diretor preza por, dentro do possível, fazer o simples, sem querer inventar nada além do que seu limite técnico lhe permite.

O grande erro de A Casa dos 1000 Corpos, tirando toda a treta sobre seu lançamento e os cortes, que serve como uma espécie de prelúdio para os acontecimentos de Rejeitados pelo Diabo, é Zombie abusar de recursos narrativos toscos que mais emperram o filme, deixando-o desconexo, chato de dar dó, com emulsões, flashbacks, cenas entrecortadas, edição de videoclipe, que dão um aspecto mambembe e estoura a paciência do espectador, até mesmo por ele ter se achado o máximo fazendo aquilo, e um roteiro bem sem pé nem cabeça.

Em seu segundo filme, parece que Zombie aprendeu com seus erros (mas que parou por aqui, porque Halloween e As Senhoras de Salem não me deixam mentir), e limitou-se a fazer mais uma vez, uma cópia descarada de O Massacre da Serra Elétrica, Aniversário Macabro, Quadrilha de Sádicos e os filmes dos anos 70, mas que dessa vez funciona, é violento, brutal, sujo, demente, escroto (como o personagem de Condado Macabro gosta de frisar), aquela fotografia estourada do deserto, que se suporta nas excelentes atuações de Bill Moseley como Otis e Sid Haig como Capitão Spaulding (Sharon Moon Zombie para variar está péssima, forçada devendo se limitar ao seu trabalho como stripper, e não como atriz, e o tom exageradamente caricato e estereotipado de William Forsythe com aquela sua voz do Batman também).

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Alguém viu o Spawn por aí?

Aliás, tenho imenso prazer em pagar a minha língua e dizer que a sequência final, aquela tocando “Free Bird” do Lynyrd Skynyrd, por diabos, é uma das mais fodas, de uma selvageria poética ímpar, do cinema de terror moderno. E não é só isso não. Rejeitados pelo Diabo tem uma par de cenas tensas, revoltantes e que necessita de estômago, como quando a família Firefly faz seus reféns no motel, ou quando um dos malucos é atropelado por um caminhão e deixa um rastro de sangue e tripas no asfalto quente, ou mesmo, ao final quando descamba para o torture porn quando o delegado prende os três facínoras para sua sessão de sadismo, tortura e vingança particular.

Zombie decidiu deixar de lado a assepsia que sempre toma de assalto o cinema convencional o americano, para entregar uma obra pesadíssima, que emula o melhor do gênero dos anos 70 (década inclusive onde filme é ambientado) durante a fuga e caçada da insana família Firefly, mesmo que seja capenga em certos momentos (sendo o mais capenga de todos quando tudo se resolve ao aparecer uma versão de dois metros de altura tosca do Freddy Krueger para salvar a pátria) e com uma duração maior do que a necessária.

E o melhor, nem é necessário assistir aquela bomba horrenda que é A Casa dos 1000 Corpos para se ver Rejeitados Pelo Diabo, porque, por Jeová, ele funciona como um longa independente, com pouquíssimas referências ao primeiro filme, sendo a mais importante, o ímpeto de vingança do Xerife Wydell, motivado pela morte de seu irmão, George, com um tiro na cabeça. Aliás, outro ponto positivo para o roteiro escrito pelo próprio Zombie: não tem mocinho no filme! O próprio homem da lei é tão sádico, ou pior, que os nefastos vilões que ele caça, mandando completamente o maniqueísmo às favas e raios, te obrigando a torcer por Otis, Spaulding e Baby em certo momento, mesmo que isso deixe um gosto bem amargo na sua boca.

Outro adendo é a quantidade de atores e participações especiais no longa, de consagrados atores do cinema de terror, fora do núcleo principal de atores, como Ken Foree (Despertar dos Mortos), Michael Berryman (Quadrilha de Sádicos), P,J, Soles (Halloween, o que vale, do Carpenter), Danny Trejo (Um Drink no Inferno) e Steve Railsback (Força Sinistra).

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Highway to hell!

Claro que o filme não é a prova de erros. Algumas das malditas manias de Zombie estão lá, como as filmagens tremidas, as edições frenéticas de videoclipe e momentos desnecessários intercalados com música, e os exageros de closes, planos muito aberto ou muito fechados, o tesão em meter personagens white trash em todos os seus filmes, além da mania de uma metragem muito longa, que acaba enchendo o saco em certos momentos, e um sem número de erros crassos de roteiro, incluindo aí as ações de seus personagens, principalmente as cabaçadas sem o menor propósito do Xerife (ou melhor, com propósito, para os bandidos poderem ganhar, pelo menos esse round).

Mas isso não é o suficiente para tirar o brilho de viagem ao inferno num carrinho de montanha-russa desgovernado que é Rejeitados pelo Diabo. Recentemente inclusive o diretor postou uma foto em seu Instagram perguntando quem gostaria de ver a família Firefly nas telas de novo. Claro que deveria ser um prequel ou algo do tipo, uma vez que eles possuem uma extensa ficha criminal de assassinatos em série, e sabemos do destino deles, embalado pela canção do Skynyrd.

A grande merda MESMO, de verdade, é que após a genialidade de Zombie nesse filme doente, onde pensamos que finalmente o cara tinha se descoberto e A Casa dos 1000 Corpos fora apenas um capítulo ruim da sua carreira de cineasta, até por conta de todos os problemas com edição, estúdio e classificação indicativa, fomos depois testemunhas oculares da mediocridade e mania de grandiloquência (não existente) do roqueiro/diretor mala, cometendo aquela heresia com Michael Myers e principalmente a sua continuação – dos piores filmes de todos os tempos – e o igualmente chato e péssimo As Senhoras de Salem. A moral da história é que talvez Zombie tenha sido trocado por uma cópia durante a realização desse filme, e depois voltou com tudo.

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Nem o diabo quis!


https://www.youtube.com/watch?v=apZ_F8aDFmc


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. guilherme65 disse:

    que gay filme muito foda so falou bosta

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