805 – O Massacre da Serra Elétrica – O Início (2006)

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The Texas Chainsaw Massacre: The Beginning


2006 / EUA / 91 min / Direção: Jonathan Liebesman / Roteiro: Sheldon Turner / Produção: Michael Bay, Mike Fleiss, Andrew Form, Brad Fuller, Kim Henkel, Tobe Hooper; K.C. Hodenfield, Alma Kuttruff (Coprodutores); Scott Rettberg (Produtor Associado); Jeffrey Allard, Toby Emmerich, Robert J. Kuhn, Mark Ordesky, Guy Stoedl (Produtores Executivos) / Elenco: Jordana Brewster, Taylor Handley, Diora Baird, Matt Bomer, R. Lee Ermey, Andrew Bryniarski


Gente, sou só eu, ou O Massacre da Serra Elétrica – O Início é BEM LEGAL? Atrevo-me a dizer que até melhor que o remake, lançado três anos antes, ou eu tô muito louco em curtir esse filme?

Engraçado que eu tive essa percepção a primeira vez que o assisti, quando lançado diretamente em DVD por essas bandas, e quando fui revê-lo para escrever essa humilde resenha, continuei achando a mesma coisa. Tá, tirando todos os defeitos que são provenientes dessa nova “franquia”, que já ficou escancarado em O Massacre da Serra Elétrica (principalmente o Leatherface bolander), achei um puta filme sujo, violento, gráfico e com R. Lee Ermey simplesmente roubando a cena!

Na real, o Leatherface parrudo do ex-fisiculturista Andrew Bryniarski é um coadjuvante de luxo, sendo que o papel do Titio Charlie Hewitt/ Xerife Hoyt, mesmo que claro, sempre trazendo o mesmo vício de atuação de Ermey desde Nascido para Matar de Stanley Kubrick (fica evidente na hora que manda um dos pobres diabos pagar flexões enquanto o espanca), é o principal personagem e quem realmente torna o filme interessante, pensando em termos de carga dramática, se descontarmos a grosseria e o gore. Ermey está ótimo como aquele maluco psicopata e carrega o filme inteiro nas costas, sendo o vilão que dá gosto de ver em cena, ao invés do nosso amigo cara de couro anabolizado, assassino slasher padrão dos anos 2000.

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Funcionário do mês da JBS

Aliás, o mais interessante de O Massacre da Serra Elétrica – O Início é ele dar devida voz a família “serra elétrica”, algo preponderante no original de Tobe Hooper e até suas sequências diretas, mesmo que em níveis de loucura diferentes, por assim dizer, e contextualizar historicamente os acontecidos em final dos anos 60 e começo dos anos 70, com a Guerra do Vietnã de pano de fundo, que veio a detonar o “sonho americano” e levar o país a uma derrocada pessimista, que influenciou uma onda de cineastas, assim como o cinema americano daquela década e pode fazer algo tão transgressor como O Massacre da Serra Elétrica original existir.

Mas não só isso, completamente ignorado no filme anterior, esse prequel volta a uma questão básica do contexto da “família serra” e que causou tamanho choque e depravação quando o longa de Hooper chegou as telas: o canibalismo! Sequer mencionado no longa de Marcus Nispel, aqui temos a confirmação que os Hewitt gostavam sim de um bom guisado de carne humana, e tal qual uma Scarlett O’Hara deturpada, esse recurso antropofágico foi feito sob juras de nunca mais passar fome novamente.

Aliás, a intenção mesmo dessa prequela é exatamente contar como os Hewitt surgiram, partindo do nascimento de Leatherface no final da década de 30, terrivelmente deformado e com problemas mentais, que foi adotado por aquele bando de lunáticos, e a falência daquela pequena cidade do Texas quando o matadouro que girava a economia local foi fechado pelo Departamento de Saúde Pública, condenando a cidade e tornando-a um local perfeito para o desaparecimento de turistas que aparecem para o jantar.

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Vocês viram um recruta chamado Pyle passar por aqui?

Originalmente os produtores da Platinum Dunes, Andrew Form e Brad Fuller não tinham o menor interesse em fazer uma sequência de seu O Massacre da Serra Elétrica, porém com o questionamento dos fãs, interessados em alguns detalhes da família Hewitt, como o surgimento do Leatherface, como Monty perdera as pernas e como o Xerife Hoyt perdeu os dentes da frente – e mais, como aquele sujeito era xerife, ambos se reuniram com Michael Bay, explodiram alguns prédios (mentira, isso não aconteceu…) e deram o start na produção.

Bom, como disse lá em cima, O Massacre da Serra Elétrica – O Início é um filme brutal pra burro! A dose de sujeira e violência gráfica está lá no alto, para quem é fã de um verdadeiro gorefest. Bom, é o mínimo, né? Mesmo que o original de Hooper tenha pouquíssimo sangue derramado, para a geração do torture porn, o longa deveria ser escabroso e aumentar a escalada de sadismo e brutalidade do antecessor. E ele bem consegue, viu. Algumas cenas são tão violentas, que o filme teve de ter 17 cenas editadas para fugir do NC-17 e ganhar um R ao ser mandando para o MPAA. Por isso, recomenda-se a versão uncut, a qual chegou ao nosso mercado de home vídeo.

Claro, O Massacre da Serra Elétrica – O Início não tem profundidade nenhuma e nem é um grande clássico do terror, longe disso, mas ele satisfaz aquilo que se propõe, divertido como um horror pipoca do cinema mainstream, com uma boa dose de sangue, e que agrada exatamente o público, como planejado. E claro, seu final é bem EVIL. Então, gosto bastante!

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Caminhando contra o vento…


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Linda Alves Healler disse:

    O filme é bom sim, ao lado de clássico de 74 e do remake de 2003 o melhor. Realmente não é um primor do terror mas certamente cumpre o que promete, ou seja tem gore, tortura, brutalidade e informações sobre a família Hewitt. Concordo que aquele xerife é demais, é atuação fantástica do ator R. Lee Ermey, é possível sentir medo e angustia tamanho realismo que ele nos passa.

  2. Papa Emeritus disse:

    Também gosto bastante dessa prequel. As vezes eu acho que gosto mais do que o Remake. Talvez por causa do final.

  3. Eu não gostei, Marcão.
    Achei de muito mau gosto, igual ao remake de 2003.
    Prefiro muito mais o Original, a Parte 2 e o em 3D.

    Abraço.

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