806 – Natal Negro (2006)

2006-black_christmas-3.jpg

Black Christmas


2006 /EUA, Canadá / 84 min / Direção: Glen Morgan / Roteiro: Glen Morgan / Produção: Marty Adelstein, Steven Hoban, Glen Morgan, Dawn Parouse, Victor Solnicki, James Wong; Ogden Gavanski, Kent Kubena, Satsuki Mitchell, Mike Upton (Coprodutores); Marc Butan, Bob Clark, Mark Cuban, Scott Nemes, Noah Segal. Todd Wagner (Produtores Executivos) / Elenco: Katie Cassidy, Michelle Tratchtenberg, Mary Elizabeth Winstead, Lacey Chabert, Kristen Cloke, Andrea Martin


Lá em 1974, muito antes de Michael Myers, Jason Voorhees, Freddy Krueger e todos os conhecidos assassinos slashers do cinema de terror pensar em existir, Bob Clark dirigiu Noite de Terror, o que pode ser considerado como a gênese do subgênero, responsável por influenciar John Carpenter e, por conseguinte, toda a galera vinda depois.

Na onda dos remakes dos anos 2000, aquela coisa incessante que não para mais até hoje, Glen Morgan, já estabelecido como um sujeito rentável do cinema de terror por conta da franquia Premonição, e bem conhecido por sua participação em Arquivo X, junto de sua parceria com James Wong (aqui o produtor), resolveu fazer o remake desse tal longa, no Brasil batizado de Natal Negro. Detalhe: segunda refilmagen do sujeito de um filme obscuro dos anos 70, sendo o primeiro, A Vingança de Willard.

Bom, Natal Negro, que tem Bob Clark como produtor executivo, é um slasher NHÉ, mas tem lá algumas coisas interessantes, por prestar uma homenagem ao original, aproveitar um pouco do momento selvagem do cinema de terror naqueles idos e colocar na tela, muito melhor que o movimento asséptico do slasher 2.0. do final dos anos 90 e começo de 2000, e ter uma cavalar dose de humor negro e exagero premeditado, como o modus operandi do serial killer em enfiar um saco na cabeça de suas vítimas e arrancar o olhos das órbitas com as próprias mãos, ao melhor estilo Lucio Fulci, e comê-los depois.

Na real, o roteiro, também escrito por Morgan é bem dos doentes. Nos 70’s um garoto chamado Billy nasce com a pele amarela por conta de uma doença no rim e sua mãe completamente lhoka o rejeita, sendo que apenas seu pai lhe trata com carinho e lhe dá presentes e biscoitos de Natal. Passado alguns anos, o menino testemunha sua mãe e seu amante matando seu pai e o enterrando no porão da casa e então ele é trancado no sótão, vivendo ali toda sua vidinha miserável, até chegar a adolescência, quando é abusado sexualmente pela mãe, que engravida e lhe dá uma filha/irmã, Agnes.

blackxmas.jpg

Só tenho olhos para você

Bom, tudo isso é bem o suficiente para Billy crescer um psicopata, e quando consegue fugir do cárcere privado, mata a mãe e o padrasto, fazendo biscoitos de Natal com seus órgãos e servindo a si mesmo na ceia junto com um copo de leite, e arranca um dos olhos da sua irmã/filha. Ele é declarado insano, preso em uma instituição psiquiátrica, o Asilo Clark (homenagem a Bob Clark) e Agnes é enviada a um orfanato. Essa é a linda história de Natal que Morgan tem a nos oferecer! Um fofo!

Nos dias atuais, Billy escapa do sanatório para passar a noite de Natal em casa, que hoje é morada da fraternidade Delta Alpha Kappa na Clement University. Na noite que vai rolar o amigo secreto, as moçoilas passam a ser perseguidas e assassinadas dentro da casa, enquanto uma forte nevasca cai lá fora, naquele mesmo esquema slasher movie de sempre, pelo psicopata voyeur e que fica passando trotes para as irmãs. O final reserva aí um plot twist meio óbvio, mas tá valendo.

O que importa é que Natal Negro pode não ser uma obra-prima, mas é divertido, descompromissado, um tiro curto (inclusive por conta de sua duração) e acerta naquilo que se propõe principalmente pelo teor de homenagem misturado a auto sátira do gênero e do exagero slasher, e o humor negro, que inclusive esteve bem presente na obra de Clark (lembra que o cara dirigiu Porky’s depois?) e tem lá sua dose de violência gráfica, apesar de certa repetição nas mortes, e todas com um viés cômico, e melhor que os assassinatos espalhafatosos os quais o subgênero ficou famoso. Bom para assistir em uma noite de natal.

Clair's_Death.jpg

Homem do saco



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Neto Ribeiro disse:

    Finalmente achei alguém com a mesma opinião que a minha!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: