811 – Seres Rastejantes (2006)

Slither


2006 / EUA, Canadá / 95 min / Direção: James Gunn / Roteiro: James Gunn / Produção: Paul Brooks, Eric Newman; Jeff Levine (Coprodutor); Jonathan Shore (Produtor Associado); Marc Abraham, Thomas A. Bliss, Scott Niemeyer, Norm Waitt (Produtores Executivos) / Elenco: Nathan Fillion, Gregg Henry, Elizabeth Banks, Michael Hooker, Tania Saulnier, Xantha Radley, Don Thompson


 

1968 – O Bebê de Rosemary. 1973 – O Exorcista. 1978 – Halloween – A Noite do Terror. 1979 – Alien – O Oitavo Passageiro. 1980 – O Iluminado. 1982 – O Enigma de Outro Mundo. 1984 – A Hora do Pesadelo. 1987 – Hellraiser – Renascido do Inferno. 2002 – O Chamado. Todos esses clássicos filmes de terror tem algo em comum. ELES SÃO TODOS PARA MARICAS! Segundo o nada menos que genial trailer de Seres Rastejantes.

Bom só daí você já consegue sacar o clima de escracho do sci-fi comédia de horror homenagem rasgada aos filmes B do diretor James Gunn, logo após seu sucesso com o roteiro de Madrugada dos Mortos e beeeem antes de dirigir Guardiões da Galáxia. Acontece que Gunn é cria da lendária Troma. Ele foi responsável pelo roteiro do impagável Tromeo & Juliet e coautor do livro “All I Need to Know About Filmmaking I Learned from the Toxic Avenger”, biografia de Lloyd Kaufman, criador da produtora que até hoje é o maior celeiro de bagaceira trash do universo.

E quando eu escrevi ali sobre homenagem, ela é em um nível hardcore, cheia de humor ácido e negro, ao melhor estilo Troma, só que com orçamento muito maior e efeitos especiais deveras melhoradas, além da chancela da Universal Pictures por trás (por conta do hit de bilheteria que foi Madrugada dos Mortos). Gunn escreveu Seres Rastejantes pensando em todos os filmes de terror e sci-fi que ele cresceu assistindo e que gosta. E isso é o máximo!

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ROLHA DE POÇO!

Talvez a principal de todas elas, e mais óbvia, é A Noite dos Arrepios de Fred Dekker, trazendo a mesma estrutura de lesmas parasitas espaciais que caem na terra, entram dentro da boca das pessoas, instalam-se em seus cérebros e as transformam em zumbis. Mas tem muito mais!

A loja que é batizada de R.J. McCready, nome do personagem de Kurt Russell em O Enigma de Outro Mundo, O Vingador Tóxico passando na televisão, o banner que diz “Hennenlotter’s Saddle Lodge presentes Deer Cheers”, inspirado no diretor Frank Hennelotter, de Basket Case, a meninas lendo “Goosebumps” na cama, a escola que se chama Earl Bassat Hight, por conta do nome do personagem de Fred Ward em O Ataque dos Vermes Malditos, a cena da banheira que lembra A Hora do Pesadelo e claro, o visual transmorfo de Grant que é a cara do Dr. Pretorious em Do Além.

Mas como um filme não vive só de homenagem, o roteiro de Seres Rastejantes é deliciosamente divertido, quando o tal do meteoro cai em uma floresta numa cidadezinha caipira dos EUA, e um dos homens mais ricos da cidade, Grant Grant (papel de Michael Hooker, ótimo!) é infectado por um parasita alienígena que lhe transforma em um compulsivo devorador de carne. Ele quer repovoar a Terra e acasala depositando suas larvas em uma moça incauta, enquanto vai criando tentáculos, uma dupla estrutura fálica que sai do seu peito e sofrendo uma metamorfose em uma criatura disforme.

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Relação pegajosa!

Cabe ao recém empossado xerife da cidade, Bill Pardy (vivido por Nathan Fillion) e a ex-esposa de Grant, Starla (Elizabeth Banks), junto do prefeito da cidade, Jack MacReady (Gregg Henry), tentar combater a criatura, impedir que eles destruam toda a vida como fizeram em outros planetas e sobreviver a uma invasão de zumbis infectados por um sem número de, hã, seres rastejantes, expelidos pela moça que se transformou em uma gigantes e escrota bola de carne devoradora de gambás, prenha de milhares daquelas lesmas.

As camadas de Seres Rastejantes vão do humor perspicaz de Gunn, a leveza de um filme pipoca divertido, trilha sonora cuidadosamente planejada (que já parecer ser uma marca registrada do roteirista e diretor, vide a “Awesome Mixtape Vol. 1” de Guardiões da Galáxia), a homenagem ao sci-fi dos 50’s, 80’s e 90’s, ensinamentos darwianos sobre a sobrevivência do mais apto, paródia do estilo de vida redneck, crítica sobre o casamento por fachada, o tratamento da mulher como posse e dos ser humano como carne descartável.

Tudo isso num pacote salutar embrulhado por ótimos efeitos especiais e de maquiagem, capaz de entreter qualquer um, desde os mais rabugentos até o fã mais xiita, colocando Gunn como um dos nomes quentes, criativos, originais e de maior personalidade do cinema fantástico da atualidade, aposta certeira da Marvel e propagador das filosofias do escracho tão bem ensinadas por Lloyd Kauffman.

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Estimularam sua pineal também?



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Esse filme me deixou de estomago virado…

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