817 – 1408 (2007)

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1408


2007 / EUA / 104 min / Direção: Mikael Håfström / Roteiro: Matt Greenberg, Scott Alexander, Larry Karaszewski (baseado no conto de Stephen King) / Produção: Lorenzo di Bonaventura; Kelly Dennis, Antonia Kalmacoff, Jeremy Steckler (Produtores Associados); Jake Meyers, Richard Saperstein; Bob Weinstein; Harvey Weinstein / Elenco: John Cusack, Samuel L. Jackson, Tony Shallhoub, Mary McCormack


 1408 é outro dos filmes baseados na obra de Stephen King que entram na categoria “nhé”. Não é ruim, mas também não é bom. Fato que é uma ótima premissa desperdiçada, ainda mais com um puta potencial em mãos, grana de um grande estúdio por trás e nomes queridinhos como John Cusak e Samuel L. Jackson no elenco.

Recauchutando uma ideia de hotéis, uma vez que lembramos que Stephen King escreveu O Iluminado, o filme baseado no conto presente na coletânea “Tudo É Eventual”, traz uma trama sobre um escritor – outro dos assuntos comuns de King – personagem bem interessante, chamado Mike Enslin (papel de Cusack), que vive escrevendo livros sobre lugares mal-assombrados, largando o terreno da ficção após a trágica morte de sua filha, vítima de câncer.

Claro, ele se tornou um sujeito amargurado, mal-humorado, cético, separou-se de sua esposa e passou a escrever esses livros de sensacionalismo barato, motivado em desmascarar as picaretagens e golpes publicitários por trás desses lugares considerados assombrados, tipo um Pe. Quevedo da literatura pulp.

Certo dia ele recebe um cartão postal de NY em sua caixa de correio, para que ele ligue para o nababesco e decadente Dolphin Hotel e pergunte sobre o infame quarto 1408, local que não está a disposição para hospedagens devido ao seu suposto passado trágico de mortes, acidentes fatais e suicídios, Mais de 30 pessoas perderam a vida entre aquelas quatro paredes. O gerente do hotel, Geral Olin (Jackson) tenta a todo custo demovê-lo da ideia de se hospedar lá, porém sem sucesso, com Enslin também tendo respaldo jurídico de sua editora para conseguir o quarto.

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I’ve had it with these motherfucker writers in this motherfucker hotel

Não tarda para que, quando instalado, uma série de acontecimentos bizarros passe a ocorrer, como se Enslin tivesse entrado em um portal para outra dimensão, com todo tipo de fantasma, visões, alucinações, poltergeist, mudanças de temperatura, que vão fazendo com que o outrora cético escritor trave uma luta contra sua própria sanidade e contra os perigos reais daquele local maldito que a todo custo quer que ele tire sua vida, nem que para isso, fique preso entre flashbacks e revivendo de hora em hora (tipo o resultado da Telesena) os infortúnios vivenciados ali dentro – incluindo aí golpes baixos relacionados a lembranças de sua filha.

A ideia de um filme focado apenas em um homem sozinho num quarto mal-assombrado é ótima, mas fica bem má explorada em 1408, que prefere se ater nos efeitos de CGI e no jumpscare do que em um filme mais psicológico e atmosférico, com Cusack fazendo o básico e não deixando se entregar MESMO à insanidade da situação e sua batalha contra o que é real e vendo seu precioso ceticismo indo para o ralo, com sua arrogância e sarcasmo dando lugar a uma paranoia exagerada e caricata. É entretenimento mediano, e para isso, parece que bastou ao diretor Mikael Håfström e ao ator principal.

Além disso, o final de 1408 é um dos grandes calcanhares de Aquiles do longa, BEM dos meia-boca, uma solução de roteiro fácil, maniqueísta e piegas ao extremo. Se não tivesse aquela conclusão do gravador, poderia ser muito pior. Mas isso nem foi culpa dos idealizadores, uma vez que no final original – ALERTA DE SPOILER – Enslin morria queimado no quarto que tentara destruir, mas os testes de audiência sinalizaram um final muito pessimista (YEAH!), mesmo que o utilizado se aproxime mais do conto, que convenhamos, nem é lá grande coisa também.

No frigir dos ovos, 1408 é mais um filme nada inspirado, que não representa muita coisa na filmografia do escritor do Maine, e vale como entretenimento passável sem grandes pretensões.

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You can check out anytime you like, but  you can never leave


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Lucas disse:

    Esse é um dos meus filmes preferidos de terror na decada.

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