821 – Extermínio 2 (2007)

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28 Weeks Later


2007 / Reino Unido, Espanha / 100 min / Direção: Juan Carlos Fresnadillo / Roteiro: Juan Carlso Fresnadillo, Rowan Joffe, Enrique López Lavigne, Jesús Olmo / Produção: Enrique López Lavigne, Andrew Macdonald, Allon Reich; Bernard Bellew (Coprodutor); Danny Boyle, Alex Garland (Produtores Executivos) / Elenco: Rober Carlyle, Rose Byrne, Jeremy Renner, Harold Perrineau, Catherine McCormack, Idris Elba, Imogen Poots, Mackintosh Muggleton


Em 2002, Danny Boyle foi o responsável por lançar um dos filmes que ajudaria a impulsionar o modismo apocalíptico deste novo século: Extermínio. Cinco anos depois, com a iminente popularização do zumbi batendo na porta – apesar de tecnicamente não estarmos aqui falando de mortos-vivos – e antenadíssimo na questão da política internacional, Boyle retorna, junto de Alex Garland, como produtor executivo de Extermínio 2, dessa vez com a direção a cargo do espanhol Juan Carlos Fresnadillo.

Passados 28 semanas (ou seis meses, se preferir) depois da primeira infecção de raiva que praticamente devastou quase toda a Inglaterra, Extermínio 2 é um daqueles felizes casos de continuação bem sucedida, algo extremamente raro no gênero, conseguindo ser tão boa quanto o original. Mérito de todos os envolvidos, a participação de perto de Boyle e Alex Garland (escritor do original) e da direção de Fresnadillo (que também escrevera o roteiro junto de Rowan Joffe, Enrique López Lavigne e Jesús Olmo) que manteve o mesma estética alucinada e estilo de guerrilha do primeiro longa.

Isso já dá para ser sentido logo na prólogo, quando o personagem de Robert Carlyle (Don) vive com sua esposa Alice (Catherine McCormack) escondido junto com outros sobreviventes em uma casa de fazendo (ao melhor estilo A Noite dos Mortos-Vivos), quando são atacados de forma frenética por alguns infectados, quando Don consegue escapar desenfreadamente (ao som de “In The House – In A Heartbeat” de John Murphy – mesma trilha usada na primeiro filme), deixando a esposa para trás para ser morta ou infectada em uma atitude egoísta.

Elipse temporal e vemos Londres cercada pelo exército americano, chamado para garantir a reocupação e reconstrução do local, em uma clara analogia crítica a presença militar dos EUA no Afeganistão e Iraque, onde os sobreviventes estão limitados a um complexo conhecido como Distrito Um e as demais regiões estão inacessíveis, mesmo que todos os infectados já tenham morrido de fome e o surto do vírus controlado. Aqui vemos Don recebendo seus filhos, Andy (Mackintosh Muggleton) e Tammy (Imogen Poots) que estavam em visita aos avós na Espanha quando a epidemia se alastrou e agora trabalha dentro das instalações do Distrito Um, sentindo o peso sobre a morte da esposa e mentindo aos filhos sobre sua atitude nada altruísta em deixá-la para trás.

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Sete, oito, nove zumbizinhos, dez em um pequeno bote!

Tudo está indo nos conformes, até que os dois pestinhas fogem do perímetro em direção a sua antiga casa, tentando resgatar uma foto da mãe, e lá encontram Alice, que é levada para dentro do complexo, viva e apesar de infectada pelo vírus da Raiva, não desenvolvera seus sintomas, não se transformando numa agressiva criatura canibal. A Dra. Scarlett (Rose Byrne) médica responsável do exército americano a coloca em quarentena e acredita que seu sangue pode possuir alguma peculiaridade de onde pode surgir uma vacina contra o vírus.

O efeito cascata logo começa: Alice infecta o arrependido Don, que começa a atacar outras pessoas e rapidamente quase todo o contingente dos moradores do Distrito Um passam a ficar contaminados e em questão de horas, um novo surto se instala, fazendo com que os militares passem a agir, primeiro ordenados a atirar para matar qualquer um que tente deixar o local, incluindo aí civis, e depois bombardear a cidade toda para garantir que a infecção não se espalhe novamente. Nisso, um dos atiradores de elite, Doyle (Jeremy Rener) deserta de seu posto, e se encontra com a Dra. Scarlett e as duas crianças para tentar fugir com eles, uma vez que a médica aposta que o garoto pode possuir as mesmas propriedades genética da mãe e também carregar uma cura dentro de si.

O ritmo alucinante, alguns bons momentos de tensão crescente e suspense (a sequência da estação do metrô está aí que não me deixa mentir) misturado com os excelentes efeitos de maquiagem dos infectados e a intensa crítica social, política e militar, fazem com que Extermínio 2 acerte em cheio como produto cinematográfico. E claro, não tem como falar do filme sem citar o verdadeiro gore fest que é a cena do helicóptero dilacerando infectados com sua hélice em um campo aberto, com sangue, vísceras e membros decepados voando para todos o lados!

O final emblemático de Extermínio 2, vejam só, foi alterado de última hora, uma vez que o longa terminaria com a cena do helicóptero pousado no campo do estádio de Wembley, e teve de ser filmado às pressas em uma última tomada adicional, quando a edição final já havia sido finalizada e entregue a FOX para distribuição, uma feliz escolha que mantém o nível pessimista (assim como final original de Extermínio) e deixa aberta a questão da epidemia zumbi se espalhar no continente europeu, o que daria pano para manga para uma terceira parte – que seria batizada de 28 Months Later – que esteve nas ideias de Boyle e Garland mas nunca chegou a acontecer.

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Louca escapada!

 

 

 

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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