822 – Espíritos 2 – Você Nunca Está Sozinho (2007)

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Faet / Alone


2007 / Tailândia / 105 min / Direção: Banjong Pisanthanankun, Parkpoon Wongpoon / Roteiro: Banjong Pisanthanankun, Parkpoon Wongpoon, Aummaraporn Phandintong, Sophon Sakdaphist / Produção: Mingmonkul Sonakul, Yophdet Sudsawad, Yongyoot Thongkongtoon; Paiboon Damrongchaitham, Boosaba Daoruang, Jina Osothsilp, Visute Poolvoralaks / Elenco: Marsha Wattanapanich, Vittaya Wasukraipaisan, Rachanu Boonchuduang, Hatairat Egereff, Rutairat Egereff, Namo Tongkumnerd


 Ah, a picaretagem das nossas distribuidoras nacionais! Só elas mesmo que teriam a pachorra de lançar esse filme como uma “continuação” de Espíritos – A Morte Está ao Seu Lado, para se aproveitar do sucesso do filme tailandês, inclusive nos cinemas brasileiros. Isso porque Espíritos 2 – Você Nunca Está Sozinho (e sempre tem esse subtítulo canastra, né?) também é um filme dos diretores Banjong Pisanthanankun e Parkpoon Wongpoon, mas que não tem absolutamente nada a ver com a história do fantasma vingativo aparecendo em fotos de Polaroid.

Aliás, aqui se trata de outro filme, uma trama completamente diferente, com o título apenas para levar alguns incautos desavisados ao cinema. E olha, até que é um filme bem interessante, claro que inferior ao trabalho anterior, mas que tem seus momentos assustadores, um plot twist em seu final, ao melhor estilo da escola asiática de terror e principalmente do cinema sobrenatural tailandês, que utiliza muito mais o recurso de jump scare e ação aterrorizante, puxado para o ocidental, que o J-Horror, por exemplo.

Gêmeos siameses, ou xipófagos, sempre dão um caldo para o cinema de terror (na verdade, gêmeos em si, tendo em vista a quantidade de longas que utilizam irmãos, geralmente univitelínos, em suas tramas) e em Espíritos 2, vemos Pim, uma jovem que vive com o namorado, Vee, em Seoul, que tem de voltar para sua casa na Tailândia após sua mãe sofrer um AVC.

Naquela casa de memória tão antigas, ela passa a ser visitada – ou assombrada, se preferir – pelo fantasma de sua irmã siamesa, Ploy, após a morte da mesma resultante da cirurgia da separação entre as duas, motivada, como veremos no andar da carruagem, por ciúmes e o envolvimento amoroso se Pin com Vee, quando ainda adolescentes no hospital. Uma história de vingança sobrenatural como só os orientais são capazes de fazer, com Pim pouco a pouco sentindo a terrível presença incômoda de “nunca estar sozinha”, como prega o quilométrico subtítulo, e as suas ações que vão levando-a as raias da loucura.

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O maior destaque de Espíritos 2, tirando a funcionalidade de sua fórmula do espírito vingativo, boas cenas de susto, abuso do jumpscare e pitadas de ação no terceiro ato é exatamente sua reviravolta na trama, aquele que, apesar de soar um pouco clichê, realmente confere um ar de novidade para a trama, trazendo uma informação importante para seu desfecho.

ALERTA DE SPOILER: pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco. Na verdade, a garota que todos imaginamos (inclusive sua mãe e seu namorado) ser Pim, trata-se de Ploy, que tinha inveja da irmã xipófaga, e a matou, assumindo sua identidade para poder ficar com sua vida para si, e claro, se relacionar com Vee em seu lugar. Escolados que somos no cinema asiático de terror, sabemos que um final não muito bonito a aguarda.

Espíritos 2 – Você Nunca Está Sozinho surgiu naqueles sopros do cinema de terror oriental, onde quase todos tratavam-se do mesmo expediente, da aparição rancorosa – e que funcionou por muito tempo com a capacidade íntima de conseguir assustar de verdade – antes do declínio do subgênero, caindo em um loop de repetição. Momento esse em que muita coisa chegava ao Brasil, tanto aos cinemas quanto direto para o vídeo, por conta desse sucesso, e prova disso foi até as distribuidoras lançarem alguns títulos, como esse, como falsas continuações sensacionalistas, mesmo com o longa sendo completamente independente e um bom filme que poderia muito bem se vender sozinho.

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A Rutinha é boa e a Raquel é má 


 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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