824 – A Fronteira (2007)

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Frontière(s) / Frontier(s)


 2008 / França, Suiça / Direção: Xavier Gens / Roteiro: Xavier Gens / Produção: Laurnt Tolleron; Luc Besson, Eric Garoyan, Karim Guellaty, Rodolpho Guglielmi, Bertrand Le Delezir, Pierre-Ange Le Pogan, Noël Muracciole, Fryedryc Ovcaric, Teddy Percherancier (Coprodutores Associados); Ubert Brault (Produtor Executivo) / Elenco: Karina Testa, Aurélien Wilk, Patrick Ligardes, Samuel Le Bihan, Maud Forget


 

Sabe O Massacre da Serra Elétrica, de Tobe Hooper? Imagine agora uma versão francesa, violentíssima e troque a família de canibais sulistas por uma família de neonazistas psicopatas. Isso é A Fronteira, mais uma gema do cinema new french extremity.

Quando eu digo que as produções francesas foram das melhores da década passada do horror, eu não estou sendo exagerado. Uma nova safra de diretores e roteiristas que surgiu do sucesso de Alta Tensão de Alexandre Aja, começou a despontar com produções brutais e gráficas, sempre com aquela peculiar fotografia e ritmo do cinema francês, para aqueles que adoram ver muito sangue nas telas e o circo pegar fogo. A Fronteira segue essa escola.

E todo mundo sabe como os franceses são um povo politizado e que adoram fazer uma greve e sair quebrando tudo quando veem seus direitos constitucionais atingidos por ações do governo. Apesar de ser um daqueles exemplares clássicos de filmes escabrosos e sádicos, A Fronteira tem todo um pano de fundo político em seu entorno, ainda mais hoje em tempos de discussão constante sobre a imigração na Europa x xenofobia e ataques terroristas, que pode até passar desapercebido, escondido pelo verdadeiro banho de sangue que é a fita do diretor Xavier Gens.

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Escondidinha

Na verdade, tudo começa quando um grupo de jovens delinquentes, filhos de imigrantes muçulmanos, resolvem fugir dos guetos parisienses rumo à Holanda, para ajudar uma jovem grávida a fazer um aborto. Só que a capital francesa está em pé de guerra durante a campanha eleitoral em que o presidente francês, que faz parte de um partido de extrema direita, tenta a reeleição. Essa política de choque coloca a polícia nas ruas para segregar e perseguir todo mundo enquanto a população começa uma onda de revoltas e insurreição. Mais um motivo para se mandar de lá.

No caminho a Amsterdã, eis que o pequeno grupo de quatro pessoas se deparam com a tal família de nazistas que falei lá no primeiro parágrafo, que se refugiam em um velho terreno de mineração improdutivo, são adeptos da procriação congênita e realizam todos os tipos de bizarrice, chefiados com mão de ferro por Karl Von Geisler, um velho membro da suástica que escapou para lá no final da Segunda Guerra Mundial, e quer transformar a coitada da Yasmine, a garota grávida em fuga, em mais um membro da próspera família, por falta de opção melhor, mesmo não sendo de sangue puro.

Daí o que nos aguarda é aquilo que o new french extremity nos entrega de melhor: uma profusão quase ininterrupta de sangue e brutalidade gráfica. Pense em todo tipo de personagem atormentado? Está ali naquela família: um nazista louco, putas drogadas, um brutamontes violento e misógino, um gordão retardado, filhos que deram errado e nasceram deformados e por aí vai. Acrescente agora à equação tesouradas, membros decepados, canibalismo, uma pessoa derretendo em um câmera de gás, machadadas, tiros de calibre .12 explodindo cabeças e até uma serra de mesa trucidando uma pessoa!

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As melhores peças da região

Xavier Gens consegue equilibrar toda essa violência desmedida muito bem, ora com cenas de drama, quando você realmente se comove com a situação de Yasmine e seu futuro e com o testemunho de Eva, a “matriarca” do grupo, que foi raptada por Von Geisler quando ainda era criança e teve quatro filhos deformados que foram isolados na mina, ora com verdadeiras cenas frenéticas de ação, com direito a edição alucinante, perseguições de carros e tiroteios.

Fora isso, Karina Testa, que interpreta Yasmine é mais uma daquelas vítimas mulheres do cinema de horror francês que come o pão que o diabo amassou, é abusada física e psicologicamente de todas as formas possíveis, espancada, coberta de sangue e no final torna-se um barril de pólvora de violência pronta para explodir, libertando os seus mais selvagens instintos de sobrevivência. E no finalzinho mesmo do filme, há um toque sarcástico do diretor, fechando o círculo da sua crítica política.

A Fronteira é um deleite para os fãs de gore e do cinema transgressor. Se você procura um filme perturbado e visceral, essa é a escolha. E fique de olho no nome de Xavier Gens. Ele foi o diretor da adaptação do videogame Hitman – Assassino 47 para as telas e do também excelente filme apocalíptico O Abrigo, lançado em 2011 (que coloca esse Rua Cloverfield 10 aí no chinelo).

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Haja OMO!

 

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Papa Emeritus disse:

    Tenho que ver mais filmes dessa safra francesa. São realmente excelentes os filmes franceses desse período.

  2. Cláudio Pianicci disse:

    Nossa, depois de ler essa resenha, impossível não dá um conferida. Obrigado !

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