829 – A Maldição do Rio (2007)

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Kaidan


2007 / Japão / 115 min / Direção: Hideo Nakata / Roteiro: Satoko Okudera (baseado em uma história de Enchô San’yûtei) / Produção: Takachige Ichise; Jun’ichi Sakomoto (Produtor Executivo) / Elenco: Kumiko Asô, Takaaki Enoki, Leona Hirota, Teisui Ichiryûsai, Mao Inoue, Tae Kimura


 

A Maldição do Rio é o melhor filme do projeto J-Horror Theatre, hexalogia dirigida por diversos nomes do terror japonês e produzida por Takashige Ichise (uma espécie de Jason Blum nipônico), e que é daquelas provas cabais de como asiático SE FODE quando faz alguma merda e será a vida toda atormentado por um espírito rancoroso que virá lhe assombrar pela sua cagada.

Dirigido impecavelmente por Hideo Nakata, sim, o mesmo de Ring – O Chamado e Dark Water – Água Negra, ambos também produzidos por Ichise, A Maldição do Rio é um verdadeiro mix do cinema japonês, misturando elementos do típico horror com um fantasma vingativo, filme de samurai, o teatro kabuki e uma trama com toques de drama, ciúme e sobrenatural.

Passado no Japão feudal do Século XIX, tirando o longa do lugar comum dos tempos atuais e o subtexto do J-Horror como uma metáfora da dicotomia dos japoneses entre a tradição e a tecnologia, A Maldição do Rio nos leva de volta ao tempo do cinema de horror clássico nipônico, que possui excelentes exemplos como As Quatro Faces do Medo, Onibaba – A Mulher Demônio ou O Gato Preto.

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A dama da água

Na trama, Soetsu é um acupunturista que vai juntando um dinheiro e torna-se um agiota e passa a emprestar grana para as pessoas cobrando um valor exorbitante de juros. Certa vez ele faz um empréstimo para o samurai Fukami, três anos se passam, e ao cobrar a dívida, a samurai o mata e joga seu corpo em um rio, onde os cadáveres desaparecem e não voltam mais para a superfície.

Mas claro que antes de morrer, Soetsu roga uma praga em Fukami, o amaldiçoa, fazendo com que num ato de loucura ele acabe matando sua esposa, deixando suas duas filhas pequenas órfãs, Oshiga e Osono. Passam-se 25 anos e o filho de Fukami, Shinkichi, um vendedor de tabaco, conhece Oshiga, que é professora de canto na província de Edo, mais velha que ele, e ambos se apaixonam, com a moça passando a sustentar o chupim. Só que Shinkichi acaba se enrabichando com uma das suas alunas, Oisa, e ele decide deixar Oshiga e se mudar com a ninfeta para sua terra natal.

Rola uma briga feita e Shinkichi acaba cortando o rosto da moça, que pega uma infecção que começa a necrosar. Oshiga morre sozinha, mas antes ela amaldiçoa o escroque, prometendo que irá assombrá-lo para o resto da vida e levará para o túmulo qualquer mulher que ele ame. A segunda metade do filme é o desgraçado comendo o pão que o diabo amassou, sendo atormentando pelo espírito rancoroso e vingativo de Oshiga, e fazendo merda atrás de merda, incluindo aí o assassinato de Oisa estrangulada, ludibriado pelo fantasma, e se envolvendo com a jovem, Orui, com quem tem um filho, e que trata ambos como lixo.

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Maria Japa

A vida de Shinkichi se torna um ciclo desgracento, com o maluco fazendo um monte de presepada e sempre com o fantasma da falecida que lhe rogou a maldição aparecendo constantemente, até o final, que logo quando começa a história toda sabemos que não vai ser bonito. Tudo isso contado de forma poética por Nakata, com um belo trabalho de câmera, ângulos e movimentos suaves e fluídos, alguns momentos de terror, drama e ação com briga de samurai, e todo um design de produção e ambientação de época incrível, que parece muito mais uma peça de teatro, com seus cenários estáticos construídos misturados com belas locações, e uma trilha sonora das mais chorosas.

O nome original, Kaidan, que significa “história de fantasma”, é o mesmo de As Quatro Faces do Medo de 1964, dirigido por Masaki Kobayashi, mas não se trata nem de um remake e nem de uma das histórias da antologia recontada por Nakata. A inspiração para o filme é o conto sobrenatural Shinkei Kasanegafuchi de Enchô San’yûtei, escrita por Satoko Okudera.

A Maldição do Rio chegou até a ser lançado no Brasil em DVD, aproveitando a época que muito do horror oriental chegava por aqui por conta do sucesso do J-Horror por essas bandas, é um excelente filme, mas que definitivamente vai desagradar bastante quem espera um terror japonês convencional e aqueles que procurem jumpscare e ação sobrenatural.

Throat_Timer333

No sufoco!


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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