830 – Medo Profundo (2007)

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Black Water


2007 / Austrália / 90 min / Direção: David Nerlich, Andrew Traucki / Roteiro: David Nerlich, Andrew Traucki / Produção: David Nerlich, Andre Traucki, Michael Robertosn; Paul Cowan, Chris Wheeldon (Coprodutores); Michelle Harrison, Germaine McCormack-Kos, Gary Rogers (Produtores Executivos) / Elenco: Diana Glenn, Maeve Dermody, Andy Rodoreda, Ben Oxenbould, Fiona Press


A Austrália é um país que é um prato cheio para eco-horror sobre sua fauna selvagem em um ambiente inóspito. E com certeza, o crocodilo é um dos animais perfeitos para ilustrar esse tipo de filme quando se passa nas terras do canguru. Medo Profundo é um desses exemplares.

Porém, há aqui um detalhe que faz com que o longa difira dos demais do subgênero, ainda mais se pensarmos que 2007 foi o ano dos crocodilos nas telas do cinema (por conta do também Australiano Morte Súbita e de Primitivo, esse se passando na África, ambas produções americanas). Medo Profundo é muito mais um thriller psicológico que qualquer outra coisa.

Completamente independente (diferente dos dois exemplos acima), feito com a merreca de 700 mil dólares australianos, sabemos que os cineastas não teriam grana para construir um animatrônico de crocodilo ou fazê-lo em CGI, pois correriam o risco de transformá-lo em uma criatura digna da The Asylum ou então, aqueles crocodilos toscões do Sérgio Martino ou do Tobe Hooper.

A ideia então qual foi? Mostrar minimamente o réptil anfíbio e se concentrar no drama de sobrevivência de três turistas, a grávida Grace (Diana Glenn), seu namorado, Adam (Andy Rododera), e sua irmã, Lee (Maeve Dermody), que durante uma viagem de férias alugam um barco para pescar nos pântanos australianos, tendo Jim (Ben Oxenbould) como guia, e acabam adentrando o território de um crocodilo desgarrado, que irá defendê-los com, hã, cauda e dentes.

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Não pode descer da trepada

O bicho vira o barco, devora Jim logo de prima – o único que tinha uma arma – e os três sobreviventes ficam presos em cima de uma árvore, enquanto o crocodilo mantém-se ali a espreita (remetendo uma canção de ninar local, sobre três macacos atazanando um crocodilo que não poderia alcança-los). O tempo vai passando, nenhuma ajuda parece estar a caminho, os conflitos humanos começam a aparecer, além de outros problemas como desidratação e picadas de mosquitos, e a única saída é eles tentarem virar o barco novamente para fugir dali.

Bom, esse tipo de filme survival horror geralmente reserva um final não dos mais felizes, pelo menos para a grande maioria dos envolvidos. Aqui, são apenas três atores durante 90 de projeção, presos em um único ambiente, o que já é uma tarefa hercúlea conseguir manter e desenvolver uma trama, mas o crocodilo que é bom, é visto pouquíssimas vezes, com o mínimo uso de CGI e de efeitos práticos, mas que soa bastante ameaçador quando coloca sua gigantesca cabeça para fora da água.

Os ataques não são lá dos mais críveis e quase nada sanguinários, inclusive a violenta investida contra Adam e mais tarde, contra Grace, que deveria ter sido destroçada, mas apenas tem lacerações profundas na perna que causa uma hemorragia. O lance mesmo de Medo Profundo é ater-se ao psicológico, a situação de tensão, desolação e claro, o medo primal da insignificância do homem ao ter de enfrentar a natureza selvagem. O crocodilo não é um vilão, apenas segue seu instinto e defende seu território, como reza a lei da selva.

Por conta do seu ritmo lento imposto pelos diretores David Nerlich e Andrew Traucki (também responsável pelo roteiro, assustadoramente baseado em fatos reais), falta de ação, baixo orçamento, atuação discreta do réptil que seria o personagem principal e do amadorismo dos atores, Medo Profundo acaba em um resultado cansativo, sendo entediante em uma boa parte da metragem, mesmo clara a ideia, dentro de suas limitações, de se calcar muito mais em um trhiller psicológico que um eco-horror sanguinolento de praxe. Aliás, Traucki voltaria ao subgênero em 2010 dirigindo Perigo em Alto Mar, dessa vez tendo um grande tubarão branco como ameaça a um grupo de mergulhadores perdido em mar aberto, e também dirigiria um dos segmentos de O ABC da Morte.

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Snack!

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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