836 – The Poughkeepsie Tapes (2007)

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The Poughkeepsie Tapes


2007 / EUA / 86 min / Direção: John Erick Dowdle / Roteiro: John Erick Dowdle / Produção: Drew Dowdle; Mitchel Dumlao, George Michael Kostuch (Produtores Associados); Ward Barnett, Stephen Chobsky, Drew Dowdle, Patrick Lussier, Michael Zoumas / Elenco: Stacy Chbosky, Bem Messmer, Samantha Robson, Ivar Brogger, Lou George, Amy Lyndon, Michael Lawson, Ron Harper


 The Poughkeepsie Tapes é um filme que caminha em uma tênue linha entre um interessante e perturbador mockumentary, e uma completa perda de tempo! Sabe aquele tipo de filme que pode apertar, mas não vai acender? Pois é.

Isso porque, pouco antes do BOOM dos falsos documentários e do found footage, o longa do diretor John Erick Dowdle (que depois “despontaria” no gênero com Quarentena, Demônio e Assim na Terra Como no Inferno, todos de qualidade duvidosa), poderia alcançar um nível de interesse bastante peculiar para o subgênero, mas que, até mesmo por falta de ousadia e esbarrar apenas na ideia burocrática de um documentário, à la Investigação Discovery, deixou a desejar como produto final, apesar de alguns bons momentos.

A ideia, de um mockumentary sobre um famigerado e pervertido serial killer, que vive na cidade de Poughkeepsie, localizada no estado de Nova York, que matou homens, mulheres e crianças, desafiou a polícia devido a variação do seu modus operandi, sequestrou e torturou uma garota colegial, e registrou tudo isso em mais de 800 fitas VHS, tem um toque sombrio de veracidade (a estética de um doc noventista, entrevistas com supostos pais de vítimas e agentes do FBI) mas que hoje também não choca mais quem está acostumado a ver esse tipo de programa na TV à cabo.

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Cárcere privado

A parte que realmente faria a diferença, em que Dowdle e os envolvidos poderiam de verdade chocar o público e deixa-lo bolados, que são os momentos em que o assassino capta toda sua perversão, seus brutais assassinatos e mais, o cárcere privado e tortura psicológica e física da adolescente Cheryl Dempsey, e coloca nas fitas, é prejudicada por ser comedida, problemas de ritmo, e até mesmo pela estética escolhida da fita de videocassete com seu granulado, ajustes de tracking, escuridão e POV, e tudo mais.

E mais, peca em como algumas são misturadas impactantes e realmente revoltantes, como o tratamento com Dempsey e alguns fetiches loucos do assassino, como garotas estourarem balões sentadas neles e usar uma antiga máscara de médico da renascença e tudo mais, com outras realmente sem sentido e com muita parcimônia e firulas, sem desenvolver de verdade todo o potencial sádico (e recurso dramático) do psicopata.

Agora o final de The Poughkeepsie Tapes, esse sim é de deixar um gosto ruim na boca e a sensação de soco na boca de estômago, sendo completamente desolador. ALERTA DE SPOILER: Pule para o próximo parágrafo ou leia por sua conta e risco. A polícia consegue, depois de anos de investigação, encontrar a residência do assassino (após uma reviravolta sobre sua identidade que também, como todo o filme, interessante e tosca no mesmo nível), aquelas centenas de fitas e Dempsey, que desenvolve Síndrome de Estocolmo no nível hard, desnutrida, sem uma das mãos que foi cortada pelo assassino (a cena em que ela coça o rosto é de uma carga dramática e choque fudidos) e que se suicida pouco depois a gravação de sua entrevista para o falso doc.

O problema é aquele velho defeito dos mockumentary/ found forage: muita barriga, muito material desperdiçado, dramaturgia de segundo escalão e momentos bem entediantes, principalmente no que se refere a edição de entrevistas e depoimentos. Mas ainda assim, The Poughkeepsie Tapes consegue fugir um pouco do convencional e se destacar no mar do subgênero, ainda mais por ver todo o esforço de cineastas independentes e dos irmãos Dowdle em desenvolver um filme com baixíssimo orçamento e uma série de diversas dificuldades em exibição e distribuição.

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Nem um pio!



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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