84 – Terror que Mata (1955)

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The Quatermass XPeriment / The Creeping Unknown


1955 / Reino Unido / P&B / 82 min / Direção: Val Guest / Roteiro: Richard Landay, Val Guest (baseado no personagem criado por Nigel Kneale) / Produção: Anthony Hinds, Robert L. Lippert (não creditado) / Elenco: Brian Donlevy, Jack Warner, Margia Dean, David Kin-Wood, Richard Wordsworth


 

Todo mundo conhece a Hammer como a casa britânica de Drácula e Frankenstein, pela parceria entre os galantes Christopher Lee e Peter Cushing e por ter jogado sangue e cor no cinema de terror. Mas antes disso tudo, foi no ano de 1955 que uma ficção científica derivada de uma série da BBC de Londres catapultou o estúdio para sua projeção internacional e garantiu financeiramente a sua guinada. Estou falando de Terror que Mata.

O Professor Bernard Quatermass é uma criação de Nigel Kneale para uma minissérie britânica homônima de enorme sucesso, exibida na televisão em 1953. O herói Quatermass é um brilhante e distinto cientista inglês, pioneiro do programa espacial britânico, liderando o time do primeiro foguete experimental da terra da rainha, o que o acaba colocando como peça chave em enfrentar terríveis ameaças alienígenas que pretendem destruir a humanidade.

Situando historicamente Terror que Mata, o mundo vivia o auge da corrida espacial naqueles anos, disputado palmo a palmo tanto pelos russos quanto pelos americanos. Até então, ninguém havia conseguido obter um pleno sucesso, até que em 1957, os russos finalmente lançaram um satélite no espaço, o SPUTNIK e três anos depois, o cosmonauta Iuri Gagarin foi o primeiro homem enviado ao espaço. Em 1969 os EUA venceriam essa batalha levando o homem à lua. Só que aqui nessa ficção, os britânicos, vejam só, largaram na frente de todo mundo e enviaram um foguete tripulado por três astronautas, projeto chefiado pelo Prof. Quatermass.

A cor que caiu do ceu

Apertem os cintos que o piloto sumiu…

Ao retornar para a terra e cair em um campo aberto, dois desses astronautas misteriosamente desapareceram, enquanto o único sobrevivente, Victor Carroon, estava em um estado semi-catatônico, completamente atordoado, sem poder explicar o que estava acontecendo. Só que Carroon passa a sofrer uma terrível mutação corporal, possuído por uma entidade alienígena que tomou conta de seu corpo durante a viagem espacial, transformando-o aos poucos em uma massa disforme que vai crescendo exponencialmente de tamanho e absorvendo outras matérias com as quais entra em contato.

Cabe ao Prof. Quatermass junto com o Dr. Gordon Briscoe e o Inspetor Lomax, da Scotland Yard, tentar descobrir o paradeiro da criatura, solto pelas ruas de Londres, até ser encurralado na Abadia de Westminster, tendo de ser destruído a todo custo, pois com a velocidade em que sua mutação se acelerava, ele poderia em pouco tempo assimilar e exterminar toda a raça humana.

Terror que Mata tem um ritmo completamente intrigante, que consegue prender muito bem o espectador criando um clima de mistério e terror sufocante em todo o longa. O roteiro infelizmente é fraco ao trabalhar seus personagens, principalmente por não nos trazer a história e as capacidades do Prof. Quatermass, e deixando a ver navios aqueles quem não eram familiarizado com a série original. Mas o desenrolar da história acaba tornando o filme interessante, fazendo com que na verdade a trama sinistra se sobressaia sobre as atuações apáticas de todos os atores do longa, principalmente de Donlevy como o Prof. Quatermass, que foi alvo de críticas pesadas de Nigel Kneale, devido aos seus problemas com o alcoolismo. A dupla Lee / Cushing ainda não havia estreado nos filmes do estúdio até então. Uma curiosidade é que Donlevy era casado com Lillian Lugosi, viúva de Bela. Mas tudo isso não impediu o sucesso estrondoso da fita nas bilheterias.

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Quem pisou no meu polvo?

A interpretação de Carroon pelo ator Richard Wordsworht, com sua aparência que vai se tornando sinistra e esquisita durante o decorrer do filme, é realmente o  que se destaca do restante do elenco desconhecido. A criatura amorfa no qual o alienígena se transforma no final do filme também é bastante interessante, não chegando a ser tosca como a maioria dos alienígenas / criaturas espaciais representadas no cinema de ficção científica da época. Na verdade, se você olhar bem para aquela massa disforme, consegue perceber que ele provavelmente deve ter servido de inspiração para outro sucessos do sci-fi e tem até um pegada meio Lovecraftiana, à la A Cor que Caiu do Céu.

A direção simples, porém precisa de Val Guest também não atrapalha o filme, mas não acrescenta nada de muito excepcional, fazendo somente o seu arroz com feijão. Uma das melhores cenas é quando é exibido o vídeo do interior da nave, sem nenhum som de fundo, quando eles são supostamente atacados por uma energia alienígena. Apesar de confusa, ela consegue ter seu efeito de suspense, deixando-nos ainda com mais perguntas sem respostas. Guest ganharia mais tarde um BAFTA, o Oscar britânico, pelo roteiro de O Dia Em que a Terra se Incendiou, que também dirigiu, além de ter em seu currículo, O Abominável Homem das Neves, também da Hammer com Peter Cushing no elenco, e o filme não oficial de James Bond, Cassino Royale de 1967 (não o recente estrelado por Daniel Craig).

Terror que Mata, obra importantíssima para o gênero, ganhou mais duas continuações, tanto na televisão, quanto suas respectivas adaptações para o cinema: Usina de Montros de 1957, também com Donlevy reprisando o papel do cientista espacial e dez anos mais tarde, a terceira continuação, Sepultura para a Eternidade, já com Andrew Keir no papel de Quatermass.

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Monstro à la Lovecraft



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] do sucesso de Terror que Mata, o dinheiro em caixa permitiu a Hammer alçar voos mais altos e investir pesado em suas próximas […]

  2. […] dessa década e nas duas próximas. Dirigido por Val Guest e escrito por Nigel Kneale, os mesmos de Terror que Mata, baseado no filme para televisão de Kneale, O Abominável Homem das Neves prima por elementos de […]

  3. […] nesse contexto que a Hammer, que já havia tido sua incursão na ficção científica com Terror que Mata e X, O Monstro Radioativo, e em seu filme próprio de monstro, O Abominável Homem das Neves, […]

  4. […] imperavam, aqui em The Trollenberg Terror, assim como as produções de ficção da Hammer como Terror que Mata e X, O Monstro Desconhecido, ou mesmo O Horror Vem do Espaço, também traziam o tema invasão […]

  5. […] aqueles que tinham o sci-fi como ponto de partida. Só da Hammer, entra nessa lista britânica: Terror que Mata; X, O Monstro Radioativo; A Maldição de Frankenstein e O Vampiro da Noite, isso sem esquecer do […]

  6. […] Delambre, interpretado por Brian Donlevy (o Prof. Bernard Quatermass de Terror que Mata) o filho do cientista mosca original de 1958, está tentando dar continuidade em seus experimentos […]

  7. […] desde a primeira aparição do chefe do programa espacial britânico no cinema, que aconteceu em Terror que Mata de 1955 e nove anos de Usina de Monstros, sequência de […]

  8. matheus chaves jardim disse:

    Marcos. Meu pai assistiu o filme na epoca de seu lancamento em BH. Pelo que ele diz, o titulo no Brasil foi o monstro rastejante. Sera?

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