840 – O Retorno da Maldição – A Mãe das Lágrimas – (2007)

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La Terza Madre / Mother of Tears: The Third Mother


2007 / Itália, EUA / 102 min / Direção: Dario Argento / Roteiro: Dario Argento, Jace Anderson, Walter Fasano, Adam Gierasch, Simona Simonetti / Produção: Claudio Argento, Dario Argento, Marina Berlusconi, Giulia Marletta; Kiko D’Amico (Produtor Executivo) / Elenco: Asia Argento, Cristian Solimeno, Adam James, Moran Atias, Valéria Cavalli, Udo Kier, Daria Nicolodi


O maior problema de O Retorno da Maldição – A Mãe das Lágrimas, é que – além de ser uma porcaria, claro, mas isso é incontestável e intrínseco – ele é completamente deslocado no tempo, parecendo que você está vendo um filme ruim da década de 80, com o mesmo calibre de trasheira, em pleno 2007.

Se Argento tivesse lançado logo após Suspiria e A Mansão do Inferno, que era sua intenção original, ele talvez fosse um filme melhor e não essa bomba repleta de altos e baixos e com uma baita sensação de deslocamento, que fomos obrigados a engolir vinte sete anos depois do segundo filme da trilogia das mães ganhar vida.

Nessa altura do campeonato, Argento já se tornara um diretor decadente (mas nada que não pudesse piorar com os vindouros Giallo – Reféns do Medo e Drácula 3D, mas não vem ao caso) e em O Retorno da Maldição (aliás, quem deu esse título ridículo, que poderia ter ficado apenas com o subtítulo “A Mãe das Lágrimas” ou “A Terceira Mãe”, tradução literal?), com um baixo orçamento, sem estrutura, tempo e com a mão perdida há tempos, o resultado não poderia ser diferente.

Todo aquele ar do gótico + barroco italiano, só que sem um pingo da beleza estética de Suspiria (que é uma obra-prima, então não dá para ficar comparando muito) ou do misé-en-scene e da ferocidade de A Mansão do Inferno, com dedinho de Mario Bava na direção, não se faz presente aqui, e toda a atualização do longa, mesmo querendo pegar carona no medieval e fantástico, simplesmente não consegue entrar no tom, com um roteiro dos mais clichês e bobos, e tentando se compensar com o gore e a ultraviolência, que também aqui no final da primeira década do século XXI, nem consegue mais causar impacto, ainda mais perto do expoente do cinema do país vizinho de cima, a França.

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Eita, que eu quero venerar essa bruxa também!

A história começa em escavações no terreno de uma antiga igreja em Roma, onde em uma urna de pedra é encontrada com um artefato místico em seu interior, mandando para o Museu de Arte Antiga. Lá, Sara, interpretada por Asia Argento (não vou de novo fazer a piada de que ela é a melhor criação do diretor) deixa cair uma gota de sangue nos objetos da urna, ao mesmo tempo que a outra especialista começa a ler as antigas inscrições em latim, trazendo a vida uma horda de demônios, um MACACO possuído assassino (JURO!) e a tal da terceira mãe, a Mãe das Lágrimas, ou Mater Lachrymarum, a mais poderosas de todas as bruxas ancestrais, já representadas pela Mater Suspiraraum e a Madre Tenebrarum nos filmes anteriores.

Bom, uma reação em cadeia se dá por toda Roma, e de repente, uma série de surtos psicóticos começam a tomar conta das pessoas, em cenas tosquíssimas de levante e violência coletiva, que nem de longe passam o sentido de urgência que elas deveriam, preparando o terreno para a volta da Bruxa a fim de colocar a humanidade em uma era de trevas, só podendo ser impedida por Sara, que vai seguindo os conselhos de sua mãe morta, uma vez que ela começa a aparecer em projeções astrais que nem vou me dar ao trabalho de esculhambar, vivida por sua mãe na vida real, Daria Nicolodi.

As atuações, para variar, são aquelas esperadas do cinema de terror italiano, o roteiro e os diálogos dos mais bisonhos, o final medíocre, a direção de Argento, principalmente na questão estética e recursos visuais e técnicos, não é a mesma, mas, pelo menos para os fãs, com certeza O Retorno da Maldição não desaponta nem nas conexões com os filmes anteriores da trilogia, nem na sangreira desvairada, violência gráfica sem o menor pudor (na primeira morte, a moça é esfaqueada repetidas vezes e depois enforcada com suas próprias tripas, só para se ter noção), nudez (afinal a tal da Mãe das Lágrimas vive peladinha, com um corpão escultural), a boa e velha trilha sonora progressiva de Claudio Simonetti, parceiro de longa data de Argento, com sua banda Goblin e os efeitos especiais de Sergio Stivaletti, outro colaborador frequente do diretor.

É uma pena, que O Retorno da Maldição – A Mãe das Lágrimas, finaliza uma das mais importantes trilogias do cinema italiano de terror de forma tão deprimente e tão fora de contexto e de necessidade, muito longe do auge da forma de Argento.

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Quando o Dario Argento acerta, acerta!



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Dave Santos disse:

    Lembro que quando saiu, fiquei LOUCO!!!!!
    E assisti… que decepção…

    QUE COISA HORRÍVEL!!!
    Queria saber o que aconteceu com a cabeça do Dario Argento…

  2. betomagnun disse:

    E pensar que tem gente que acha esse filme melhor que “Inferno”… Asia é incrivelmente ruim! Puta que pariu!

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