841 – O Sinal (2007)

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The Signal


2007 / EUA / 103 min / Direção: David Bruckner, Jacob Gentry, Dan Bush / Roteiro: David Bruckner, Jacob Gentry, Dan Bush / Produção: Jacob Gentry, Alexander Motlagh; David C. Ballard, Pete Ballard, Hilton Garrett, Morris Ruskin (Produção Executivo) / Elenco: Anessa Ramsey, Sahr Ngaujah, AJ Bowen, Matthew Stanton, Suehyla El-Attar, Justin Welborn, Cheri Christian


 

O indie O Sinal, um tanto obscuro e pouquíssimo conhecido do grande público, talvez fazendo uma análise hoje, quase 10 anos depois de seu lançamento, parece ser uma espécie de protogênese do movimento mumblegore e o pontapé inicial do processo criativo dos novos diretores que hoje fomentam o que há de maior frescor no cinema de terror atual.

E mais, essa antologia em três histórias sobre um misterioso sinal emitido por aparelhos eletrônicos, como televisão, rádio e celular, que causa um surto psicótico e transforma pessoas em assassinos – Cronenberg manda abraço – pode também ser uma espécie de pré-V/H/S/, um dos mais importantes filmes de terror dessa nova década.

Até porque, outro dado interessante é que um dos segmentos é escrito e dirigido por David Bruckner, um dos diretores, roteiristas, produtores e idealizadores de V/H/S/ (responsável pelo fodástico primeiro conto da antologia, “Amateur Night”) e do recente Southbound. Pelo jeito os filmes portmeanteau são a pegada do cara.

Mas voltando a O Sinal, ele tem toda aquela pegada do mumblegore e as características do cinema indie de terror americano que vem sendo desenvolvido da metade do século para cá – por nomes como o próprio Bruckner, Ti West, Adam Wingard, Simon Barrett, e por aí vai – e o mais interessante é ele ser dividido em três partes interligadas, contadas por meio do ponto de vista dos três personagens principais, que formam um triângulo amoroso, dirigido por um diretor distinto, e cada um com ênfase em um determinado subgênero.

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Armados e perigosos

O primeiro deles, “Crazy Love”, após uma a sequência de abertura, retirada do curta “The Hap Hapgood Story”, vencedor do 48-Hour film festival e dirigido por Jacob Entry – um dos codiretores – é de Bruckner, onde somos apresentados a Mya (Anessa Ramsey) – personagem principal desse segmento – e Jerry (Matthew Stanton), um casal de amantes, que vive aquele dilema de fugir juntos enquanto, já que Mya é casada com Lewis (AJ Bowen). A moça volta para casa tarde da noite, quando o sujeito está com os amigos assistindo uma partida de beisebol na televisão, que já saca que está sendo chifrado. Então começa aquela estranha transmissão que vão transformá-los em assassinos psicopatas e estourar a hecatombe dos “infectados” que passarão a agir com raiva e selvageria.

As duas sequências seguinte, que apesar de uma narrativa não linear de idas e vindas, seguem o desenrolar dessa história, focada em cada um dos personagens. “The Jealous Monster” é dirigido e escrito por Gentry, e sem dúvida é o grande momento de O Sinal. Enquanto o primeiro tem uma pegada mais de horror visceral, esse aqui é uma comédia de horror recheada de humor negro, que tem Jerry como protagonista, e é deliciosamente divertida – e sangrenta e violenta ao mesmo tempo, mas com um exagero cômico proposital.

Já “Escape”, com roteiro e direção de Dan Bush, finaliza a história quando Jerry tenta resgatar Mya após aquele surto de raiva estourar e deixar as pessoas violentas e tendo alucinações e devaneios, e sem dúvida é o menos interessantes dos três, uma história de amor apocalíptica, mas que reserva um final bem pessimista e nada bonito.

Já de praxe em antologias, o resultado final de O Sinal é irregular, perdendo força em seu final, mas que começa bem promissor e acerta completamente na mão no segundo, mas que vale a pena até mesmo pelo exagero caricato sui generis e principalmente para nos ajudar a traçar um tipo de ponto de partida das primeiras efervescências dos jovens diretores americanos do gênero.

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Transtornado!



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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