842 – Temos Vagas (2007)

 

Vacancy


2007 / EUA / 85 min / Direção: Nimród Antal / Roteiro: Mark L. Smith / Produção: Hal Lieberman; Stacy Cramer, Glenn S. Gainor, Brian Paschal (Produtores Executivos) / Elenco: Kate Becksinsale, Luke Wilson, Frank Whaley, Ethan Embry, Scott Anderson, Mark Casella, David Doty


 

Suspense bem legal e frenético esse Temos Vagas, viu. Quando assisti da primeira vez, lembro que não dava lá muita coisa, mas foi uma surpresa bem agradável. Claro, não traz nada de novo ao front, é bastante clichê e previsível, tem seus pontos positivos e negativos, mas os últimos não atrapalham o resultado final.

Essa mistura de thriller, slasher e homenagem a Alfred Hitchcock (vamos lembrar que ele se passa em um motel falido de beira de estrada e aquela abertura parece muitíssimo uma atualização das artes de sequência de Saul Bass, principalmente remetendo muito a uma versão moderna de Psicose), dirigida por Nimród Antal (que mais tarde desperdiçaria uma bela chance em Predadores, que ferrou sua carreira) acerta principalmente em ser um suspense/ drama adulto, trazendo dois personagens bem no meio da separação, dando um denso ar de melancolia que se arrasta até eles descobrirem o verdadeiro perigo que os cerca.

Amy e David (respectivamente os dois bons e carismáticos atores, Kate Backinsale e Luke Wilson) acabaram de se separar, após o relacionamento dos dois não darem certo e passarem a se detestar, depois da morte do filho do casal – o que já gera um baita desconforto e clima pesado para o espectador, principalmente para quem já viveu pés de guerras nas retas finais de relacionamento – e estão voltando da comemoração de bodas dos pais da moça, sem ter contado a eles do litígio conjugal.

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Coleção do audiovisual

No meio da estrada deserta à noite, enquanto Amy dormia, David resolve pegar um atalho e desvia de um guaxinim na estrada. O carro fica levemente avariado, e depois de rodar por muitos quilômetros, trocando farpas, cansados e estressados, avistam um posto de gasolina, na esperança de que alguém possa dar uma olhada no metrô e lhes ajudem a encontrar a cidade de destino, mas que encontra-se fechado.

Um inicialmente solicito sujeito surge e ajuda a arrumar o carro, indica o caminho para o casal, que parte feliz até que 3km na frente o veículo para de funcionar. Tudo aí beeeem do clichê. Voltando ao posto de gasolina/ garagem fechado, eles encontram um motel caindo as pedaços em frente, e por ser tarde da madrugada, resolvem se hospedar por ali até a manhã seguinte. Detalhe que ao chegarem, o gerente, Mason (Frank Whaley, ótimo) está assistindo um filme no escritório aos fundos de onde vem gritos bizarros e altíssimos, e age de forma completamente suspeita e estranha.

Bom, não demora a perceber que a vida dos dois corre muito perigo quando David começa a assistir umas fitas deixadas naquela pocilga, contendo algo que parece ser filmes snuff gravados dentro do quarto, com hóspedes sendo agredidos e torturados enquanto são filmados. Logo, precisarão lutar por suas vidas e tentar sobreviver aquela noite infernal, perseguidos pelos sádicos malfeitores que vendem as fitas no mercado negro.

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Jânio Quadros, gerente de motel

O grande problema de Temos Vagas é que essa parte que cabe ao latifúndio dos snuff é muito dos fraquinhos, repleto de cenas editadas e off screen, sem nenhum impacto, tirando os gritos ensurdecedores de dor e desespero, em tempos em que o torture porn comandava e o new french extremity pegava pesado a beça.

Mas em compensação essa higienização e falta de violência gráfica explícita – que não se trata de uma demérito, afinal – dá um tom mais sério, adulto e menos apelativo ao thriller, que não irá se dobrar fácil aos fãs sedentos por sangue, preferindo focar, além do drama do casal que passa todo o ciclo do ódio mútuo ao perdão, na escalada de suspense e tensão que não abandona o longa desde a descoberta das fitas, picos de adrenalina na tentativa de sobrevivência e mantém sua regularidade até chegar a um final chavão, porém aceitável.

Temos Vagas não corre muitos riscos, entrega um suspense correto, que satisfaz e funciona, prendendo a atenção do espectador. E isso por si só já é o suficiente.

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Invasão de privacidade



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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