844 – Cloverfield: Monstro (2008)

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Cloverfield


2008 / EUA / 80 min / Direção: Matt Reeves / Roteiro: Drew Goddard / Produção: J.J. Abrams, Bryan Burk; David Baronoff (Produtor Associado); Sherryl Clark, Guy Riedel (Produtores Executivos) / Elenco: Lizzy Caplan, Jessica Lucas, T.J. Miller, Michael Stahl-David, Odette Annabele, Mike Vogel


O primeiro Transformers de Michael Bay chegava aos cinemas em 2007, quando antes da exibição do filme, um teaser de menos de um minuto com o arremesso da cabeça arrancada da estátua da liberdade, e créditos de uma produção de J.J. Abrams, tomava o mundo do entretenimento cinematográfico de assalto.

Quase 10 anos depois e uma picareta sequência/ spin off/ apropriação indébita de nome/ whatever chamada Rua Cloverfield 10, o found footage que impulsionou o subgênero, junto com uma leva de filmes lançados naquele período (REC, Atividade Paranormal e Diário dos Mortos), Cloverfield: Monstro ainda continua ocupando o trono de um dos mais interessantes e inteligentes sci-fi + filme de monstro dos últimos tempos.

Ponto para Abrams, que conseguiu usar o recém-poder adquirido de seu sobrenome graças ao sucesso estrondoso de Lost e seus mistérios insolúveis (até então), teorias de conspiração e sua fanbase e principalmente, o poder de utilizar a Internet e os virais para promover um filme (aumentando em ordens de grandeza o que fora feito com outro famoso found footage no final dos anos 90, A Bruxa de Blair).

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Cabeças vão rolar!

E outro fator importantíssimo foi a manutenção do suspense e fomentar aquela sensação de incógnita, não revelando absolutamente nada sobre o que se tratava aquele filme, e mais tarde, nunca mostrar o Clover, nome dado ao monstro, durante a campanha de marketing (e somente uma vez em close, em uma cena originalmente não programada, mas que Abrams achou que o público merecia ver mais detalhes do bichão além dos relances).

Como se não bastasse, o filme se espalhou em virais, pistas, debates em fóruns e os chamados Cloverfiled ARGs, alternative reality games que promoveram adições ao filme e complementos a sua história e a própria origem da criatura colossal, que envolvem desde a corporação japonesa Tagruato, onde o personagem principal, Rob (Michael Stahl-David) iria trabalhar – e por isso a festa de despedida – responsável pelas escavações oceânicas secretas próximas a Nova York, a mesma que usou a queda de um satélite governamental como um bode expiatório, ou mesmo a possibilidade do Slusho Drinks (também utilizado em Alias, outra série de J.J.) ter anabolizado uma desconhecida forma de vida, provocando sua mutação, ou que sua composição pode ser feita do sangue ou outro fluído da criatura encontrada no fundo do oceano.

Detalhe: nada disso é explicado ou mencionado no straight forward filme quase de guerrilha de Matt Reeves, e com o brilhante roteiro de Drew Goddard (hoje um dos roteiristas mais promissoras de Hollywood). Está lá apenas a correia e movimentação captadas por uma câmera na mão do ataque da criatura a Nova York e um grupo de pessoas tentando sobreviver àquela noite catastrófica, incluindo aí o drama pessoal de Rob que tenta resgatar sua pretê, Beth (Odette Annable), que ficou presa em um apartamento avariado durante o avanço do monstro, ou suas crias tóxicas que se espalham pelas ruas e metrô. E tudo isso sem as famosas barrigas das fitas encontradas e um verdadeiro rolo compressor depois que as primeiras explosões são avistadas no horizonte de um telhado.

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Vamos fazer uma sextape?

Além disso, Cloverfiled: Monstro é recheado de easter eggs e segredos escondidos pela película, hoje uma espécie de marca registrada de Abrams, como a aparição do logo da DHARMA Initiative, da série Lost, frames escondidos de monstros clássicos do cinema sci-fi como King Kong, O Monstro do Mar e O Mundo em Perigo; mensagens de áudio no final da fita (que ao ser tocada ao contrário, dirá IT’S STILL ALIVE) e até mesmo uma possível fotinho de Clover dentro de Lost.

O único defeito efetivo do ótimo Cloverfield: Monstro é a ultra mega master blaster câmera inquebrável, que parece ser feita de vibranium, que sobrevive a queda de helicóptero, dentadas do monstro e um soterramento, mas já que estamos com o botão da descrença apertado bem fundo, então até dá para relevar esse pequeno detalhe também.

Hoje Abrams é considerado o “novo Steven Spielberg”, algo tanto quanto precipitado, mas é inegável sua importância para a nova cultura pop e o sci-fi, e Cloverfield: Monstro, nada mais que uma bela homenagem a Godzilla, aos demais Kaijus e todos os Big Bugs e monstros gigantes do cinema B, para mim ainda é a sua mais perfeita contribuição ao(s) gênero(s) (chupa Despertar da Força!) e uma verdadeira aula, ministrada em parceria com Reeves e Goddard, de como misturar elementos em uma história transmídia inteligente e fazer um bom found footage.

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Se não tivesse “Monstro” no subtítulo nacional, nem ia perceber…



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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