847 – Espinhos (2008)

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Splinter


2008 / EUA / 82 min / Direção: Toby Wilkins / Roteiro: Ian Shorr, Kai Barry / Produção: Kai Barry, Ted Kroeber; Iqbal Ahmed, Raj Patil (Coprodutores); Graham Begg; Chad Burris; Jamie Carmichael; Mark Cuban; John Glosser; Todd Wagner (Produtores Executivos) / Elenco: Charles Baker, Jill Wagner, Paulo Costanzo, Shea Wigham, Rachel Kerbs, Laurel Whitsett


O ano era 2009 e tinha acabado de entrar na Paris Filmes para trabalhar na comunicação da distribuidora. Em meio a enxurrada de demanda de trabalho do vindouro Lua Nova, segundo filme da malfadada Saga Crepúsculo, estava em meu job description fazer as sinopses dos filmes (e procurar na Internet aquelas resenhas que falavam bem para colocar nas capas dos DVDs). Foi quando conheci Espinhos, um dos lançamentos direct to video deles.

Obviamente, em um primeiro momento, parecia daquelas trasheiras de dar dó, mas quando peguei para assistir ao mesmo, e não é que foi uma grata surpresa? Esse obscuro, pouco conhecido, completamente independente filme é daqueles exemplos de cinema de guerrilha do terror indie, com bons efeitos práticos e maquiagem, a típica história de cerco e sobrevivência, e bem das inspiradas em O Enigma de Outro Mundo, Cabana do Inferno, e por aí vai.

“Grupo preso em um posto de gasolina atacado por uma criatura parasita mutante precisa lutar pela sua sobrevivência” pode parecer um plot bem batido – e é, com certeza – mas acontece que o diretor Toby Wilkins (apesar de apelar para uma direção muito videoclíptica, com um monte de cortes frenéticos e câmera na mão tremida), que também escreveu o roteiro de forma não creditada junto de Ian Shorr e Kai Barry, entrega exatamente aquilo que o velho gosta, aquilo que o velho quer.

Que é exatamente muita nojeira, gore e efeitos práticos das criaturas, com seus espinhos, deformidades e contorções corporais. Tudo bem, tem lá seus lances ridículos como a mão toda cheia de espinhos andando sozinha, ao melhor estilo Coisinha da Família Addams ou o membro decepado de Ash em Uma Noite Alucinante, mas dá bem para relevar isso. E há uma cena em que uma policial é separada em duas pela criatura, que eleva bastante o conceito do longa.

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Isso que dá segurar muito para ir ao banheiro

O longa começa com um redneck dono de um posto de gasolina sendo atacado por esse estranho parasita espinhento de origem desconhecida, que se alimenta de carne animal e toma conta do corpo de seus hospedeiro, causando uma horrenda mutação. Corta para dois casais: um formado por Polly e Seth, respectivamente interpretados por Jill Wagner e Paulo Costanzo, que decidem acampar para comemorar o aniversário de namoro e outro formado por Dennis e Lacey – Shea Wigham e Rachel Kerbs – dois fora da lei procurados pela polícia que querem fugir para o México e pegam o os dois primeiros como reféns.

Na estrada, eles atropelam um animal infectado pelo parasita, que causa avarias no carro, e eles são obrigados a parar no posto de gasolina deserto de beira de estrada. Ah, vale lembrar que tanto Dennis quanto Lacey são “espinhados” pela criatura. Pronto, ao chegar lá o frentista está todo detonado, Lacey também passará por uma rápida metamorfose ao ser morta e Polly, Seth e Dennis precisaram lutar por suas vidas contra aquele ser mutante que parece ter saído direto de Silent Hill ou da base americana 31 na Antártica.

Com seus curtos 82 minutos de direção, é um filme completamente straight forward, sem perder muito tempo explicando a origem do parasita, sem procurar por soluções espetaculosas, tem apenas seis personagens, os dois casais, o frentista e a polícia rasgada ao meio e até aquela jornada de redenção e engrandecimento de caráter dos personagens.

Como disse lá em cima, o maior pecado de Espinhos é a direção atabalhoada e frenética de Wilkins nas cenas de ataque da criatura – além de uma questão estética, talvez escolha para limitar a visão total da criatura e encobrir algum tipo de restrição orçamentária – que chega até a causar tontura devido a sua velocidade e cortes em excesso, mas também não compromete tanto, porque sabe muito bem dosar com a violência gráfica, o sangue jorrando e gosma na medida.

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Tana-nan tsc, tsc…


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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