85 – Caça ao Monstro (1956)

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The Creature Walks Among Us


 1956 / EUA / P&B / 78 min / Direção: John Sherwood / Roteiro: Arthur A. Ross / Produção: William Alland / Elenco: Jeff Morrow, Rex Reason, Leigh Snowden, Gregg Palmer, Maurice Manson, James Rawley


 

Ao melhor estilo das continuações dos filmes de monstro da Universal, Gill Man ganha seu terceiro e completamente dispensável título, Caça ao Monstro, enterrando de vez a franquia criada em O Monstro da Lagoa Negra.

Com o excelente e menosprezado nome original, que em tradução ao pé da letra seria A Criatura Caminha Entre Nós (sendo que criatura poderia muito bem ser trocada por “monstro” numa boa), a premissa do filme pode parecer que Gill Man está a solta na cidade, espalhando o caos o terror (e o pôster do filme até ajuda essa impressão errônea). Mas na verdade acontece que o termo “caminha entre nós” é uma espécie de metáfora ao fato da criatura ter se tornado, hã, humana, se podemos assim dizer.

Parece bisonho? Pois é. Na trama, Dr. William Barton, um médico cientista rico, obcecado e desequilibrado emocionalmente, quase psicótico, digamos, financia uma caçada ao Gill Man após sua escapada do aquário de Ocean Harbor, no filme anterior, A Revanche do Monstro. Nesta equipe, encontram-se o Dr. Thomas Morgan, o Dr. Borg, Dr. Johson, Jed Grant, guia contratado por eles, e a esposa de Barton, Marcia, uma mulher reprimida pelo marido violento que vira e mexe tem suas vontades coagidas e passa por algumas humilhações públicas.

Nem Pitanguy faria melhor!

Nem Pitanguy faria melhor!

O barco desse time vai até os Everglades, onde encontram a criatura e a capturam, na tentativa de levarem de volta para estudos científicos. Porém durante a caçada, o grupo é atacado e em uma tentativa de defesa, eles acabam colocando fogo no monstro, que quase perde a vida. Com horríveis queimaduras de terceiro grau na pele escamosa, Gill Man é levado para o barco e começa a passar por um intenso tratamento médico.

Só que a criatura anfíbia está com a vida por um fio, já que fora da água, ele não conseguiria se manter muito tempo vivo respirando por suas ineficientes brânquias. Porém, através de uma radiografia, o grupo de cientistas descobre que milagrosamente o monstro continua respirando, pois ele possui dois sistemas respiratórios, e dentro de seu corpo há também um pulmão subdesenvolvido. Através de uma traqueostomia, Gill Man começa a respirar pelo pulmão, tendo o fornecimento de ar pelas suas guelras completamente substituído.

Daí vem a parte absurda e chacota da história toda: com o desenvolvimento do pulmão e a respiração de oxigênio da criatura, Gill Man aos poucos vai perdendo todas as características aquáticas e começa a passar por uma mutação, transformando-o em humano, perdendo as guelras, ganhando um nariz e dedos, e por aí vai. Sério, é ridículo. Tudo bem que é um filme fantástico, mas como alguém pode aprovar um roteiro desses?

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Gill Man sem gill

Gill Man coitado, perde todo seu charme anfíbio, sua aparência clássica, e vira um cafuçu meio retardado, cabisbaixo, sem vontade própria, morrendo de saudades do mar e como se não bastasse, perde totalmente seus instintos violentos. É deprimente. Para piorar ele é levado para a fazendo do alucinado Dr. Barton e vive chateado atrás de um cercado junto com ovelhas.

Nesse ínterim, desde o passeio de barco, o guia Jed Grant, típico mulherengo auto confiante e xavequeiro está dando em cima da patroa de Barton, Marcia. E o doutor só de olho, mas ao invés de mudar sua postura, vira e mexe ameaça a esposa e continua com seus ataques histéricos com ela. Até que a garota, que no começo estava arrastando uma asa para o fortão, de repente começa a achá-lo um chato repugnante também. Pois bem, durante o cárcere do Gill Man, ou só Man agora, já que ele perdeu sua gill (gill = guelra. Tá, piada infame), a primeira volta ao instinto primitivo de matar ocorre quando do nada uma puma (ou suçuarana, se você for muito nacionalista) invade o cercadinho e mata uma ovelha. O segundo e definitivo, que faz o monstro arrebentar a jaula e conseguir fugir é quando num acesso de ciúmes doentio, o Dr. Barton mata Grant bem aos olhos do monstro. E daí é dois palitos para a criatura surtar, acabar com a raça do médico e fugir em direção ao oceano, mesmo que isso custe sua vida, já que agora respira pelos pulmões. O mais legal é ver a felicidade e naturalidade com que Marcia age com a morte do marido.

No final, Caça ao Monstro ainda tenta passar uma estúpida lição de moral sobre a verdadeira natureza humana, e umas baboseiras sobre o homem estar a um passo de conquistar a selva e as estrelas (anos 50, lembre-se). Resumindo, é um filme idiota, que encerra a trilogia do último monstro da Universal.

Cafuçu pegador

Cafuçu pegador



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] O Monstro da Lagoa Negra ainda conseguiu gerar duas sequências: A Revanche do Monstro, de 1955 e Caça ao Monstro, de 1956. Ambos sem o mesmo charme do […]

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