850 – Jogos Mortais 5 (2008)

Lex "Jigsaw" Luthor

Saw V


2008 / EUA, Canadá / 95 min / Direção: David Hackl / Roteiro: Patrick Melton, Marcus Dunstan / Produção: Mark Bug, Gregg Hoffman, Oren Koules; Troy Begnaud (Produtor Associado); Peter Block, Jason Constantine, Stacey Testro, James Wan, Leigh Whannell (Produtores Executivos) / Elenco: Tobin Bell, Costas Mandylor, Scott Patterson, Betsy Russell, Mark Rolston


Uma coisa que é um saco nessa tarefa hercúlea de vida que eu inventei de fazer uma lista de 1001 filmes de terror e resenhar todos eles nesses últimos quatro anos, é pegar essas cineséries infindáveis, em que um filme repete o anterior, não traz nada de novo e só tenta ser mais espetaculoso, e ficar escrevendo sobre cada um deles, queimando neurônio para tentar fazer uma crítica minimamente interessante.

Quando fui lá rever Jogos Mortais 5, essa foi a primeira sensação que me veio a mente, e logo o que deveria ser um prazer, assistir a um filme de terror e escrever sobre, tornou-se um calvário. Mas, eis que essa revisão da quinta parte da saga de Jigsaw, depois de vista pela primeira vez com igual má vontade, não é que não achei ele de toooooodo ruim, e muito mais interessante do que me lembrava?

Calma lá, não estou dizendo que é um filme bom, mas vejam só, é aceitável. Muito melhor que Jogos Mortais 4, por exemplo. Matutando, consegui achar dois motivos para tal: primeiro foi o fato dele ser menos exagerado que os anteriores e um pouco mais sóbrio, apesar daquela armadilha tosca principal mais uma vez com um monte de gente envolvida, tipo Jogos Mortais 2, e se preocupar em trazer detalhes relevantes do passado de John Kramer e do detetive Hoffman, o novo vilão da série desde o filme anterior, mesmo sem fazer lá muito sentido.

O segundo e mais importante é que depois de aguentar Darren Lynn Bousman goela abaixo na direção dos três últimos, a cadeira passou para David Hackl, designer de produção da franquia a partir do segundo longa, e que pode não ser um Orson Wells e tentar emular Bousman em alguns momentos, muito por conta do tom que a série pede, mas não exagera tanto naquela direção frenética videoclíptica e tenta dar um pouco mais de atmosfera de thriller/ policial, tirando as espetaculosas armadilhas.

Lex “Jigsaw” Luthor

O duro é engolir as invenções mirabolantes dos roteiristas em tentar dar sobrevida para a franquia e fazer a Lions Gate faturar umas verdinhas todo ano, em cada Halloween, não deixando Kramer descansar em paz. E esse filme então foi todinho feito para que mais uma vez Jogos Mortais não acabasse ali e já tivesse um sexto filme engatilhado, tanto por conta do seu final (péssimo) e uma misteriosa caixa deixada de herança por Kramer para sua ex-esposa, Jill Tucker (Betsy Russell), entregue por seu advogado, a qual não sabemos seu conteúdo.

Bom, Jogos Mortais 5 começa com Jigsaw emulando Edgar Allan Poe, metendo um assassino solto por uma tecnicalidade do sistema, para tentar lhe ensinar a dar valor à vida, em uma armadilha igual de “O Poço e o Pêndulo”, que acaba repartindo o cara em dois e levando os fãs do torture porn ao delírio. Logo depois, vemos o Agente Strahm (Scott Patterson) também metido em uma armadilha, com a cabeça enfiada numa caixa de vidro que vai enchendo de água, e ele só consegue sobreviver fazendo uma traqueostomia improvisada enfiando uma caneta na sua garganta.

Essas duas arapucas foram desenvolvidas agora por Hoffman (Costas Mandylor), que vira uma espécie de herói nacional por ter finalmente pego o serial killer que tecnicamente não é um serial killer e salvado o dia (mesmo que todo mundo envolvido no final de Jogos Mortais 3 e 4 tenha ido para o saco), que assume o legado de Jigsaw, só que sem nenhuma oportunidade para que as vítimas conseguissem sobreviver e repensar seus atos.

O poço e o pêndulo

O poço e o pêndulo

Strahm, com a pulga atrás da orelha e um buraco na garganta resolve investigar Hoffman e descobre como ele chegou até Kramer, ou vice-versa, em uma linha narrativa não linear, recheado de flashbacks, que trazendo elementos dos filmes anteriores, como a primeira vítima do assassino, a preparação da armadilha coletiva do segundo filme e o rapto da médica e os últimos detalhes em vida de Kramer, mostrados no terceiro capítulo. Essas explicações servem inclusive para tapar alguns buracos de roteiro e antecipar possíveis eventualidades que saíram justamente como planejado em meio a tantas variáveis, o maior defeito em Jogos Mortais 2.

Paralelo a isso, há um grupo de cinco pessoas que são colocadas em mais uma daquelas elaboradíssimas armadilhas coletivas e precisam sobreviver: um playboy viciado em heroína, uma moça que trabalha no corpo de bombeiros, uma vice-presidente de uma construtora, uma funcionário pública do departamento de habitação e um jornalista investigativo, onde todos tem em comum um assassinato e desapropriação de um prédio para a construção de um novo imóvel. Como tudo isso se encaixa na trama, só mesmo Kramer e o sexto filme para explicar.

Para aqueles que estão só atrás do gore, Jogos Mortais 5 tem uma quantidade razoável, nada tão forçado quanto os longas anteriores. Destaque para além da cena do pêndulo, a última armadilha do grupo, onde os sobreviventes precisam “dar o sangue” para sobreviver, e enfiam o braço em uma serra que literalmente reparte o membro em dois pelo meio (ARGH!), e claro, a armadilha final, antes de terminar o filme completamente em aberto. Caso fosse uma série de TV, certeza que estaria escrito um TO BE CONTINUED antes dos créditos.

Pensando dentro da caixa!

Pensando dentro da caixa!



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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