86 – O Lobisomem (1956)

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The Werewolf


1956 / EUA / P&B / 79 min / Direção: Fred F. Sears / Roteiro: James B. Gordon, Robert E. Kent / Produção: Sam Katzman / Elenco: Steven Ritch, Don Megowan, Joyce Holden, Eleanore Tanin, Kim Charney, Herry Lauter, Ken Christy


 

Menos conhecido do que seus antecessores da Universal, O Lobisomem de 1956 trata de atualizar a lenda para o seu devido tempo, deixando de lado qualquer tipo de origem mística ou maldita, para transformá-lo em mais uma vítima de cientistas loucos brincando com os perigosos efeitos da radiação.

A fita é produzida pelo lendário Sam Katzman, responsável por uma série de filmes B realizados durante os anos 50 pela produtora Clover para a Columbia Pictures, entre eles O Monstro do Mar Revolto, O Ataque vem do Polo (sem dúvida o pior filme de monstro gigante de todos os tempos), O Cadáver Atômico e Os Zumbis de Mora Tau. Além destas precisosidades, Katzman também é conhecido pela minissérie do Superman de 1948 e os filmes de Elvis Presley para a MGM na década de 60.

Dirigido por Fred F. Sears, aqui a criatura é interpretada por Steven Ritch, que na pele do personagem Duncan Marsh, sofre um acidente de carro no interior dos EUA e é resgatado por dois cientistas que resolvem aplicar um experimento no coitado, que acaba transformando-o na criatura peluda. Diferente do sofrido lobisomem vivido por Lon Chaney Jr. em O Lobisomem de 1941, o monstro de Ritch não tem medo de bala de prata, nem da flor do mata-lobos e também não tem a exclusividade de se transformar nas noites de lua cheia, podendo fazer isso em qualquer horário, dependendo do perigo que corre e do nível de adrenalina em seu corpo.

Desorientado, Marsh vai parar em uma cidade montanhosa cercada de florestas, onde mata acidentalmente um dos moradores bêbados após uma briga em um beco, resultado de uma tentativa de roubo. O xerife Jack Haines (Don Megowan) e seu assistente Ben Clovey então começam a investigar a estranha morte, que é creditada a um animal pelo corpo ter sido encontrado com a garganta dilacerada. Porém quando Clovey é atacado, ele tem certeza que o que viu era mais parecido com humano, e sua teoria ajuda a ganhar força ao encontrarem pegadas na neve que mudam de humanas para lobo.

Turba enfurecida: melhor remédio contra monstros

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Com a ajuda do Dr. Jonas Gilcrist e sua enfermeira, Amy Standish, também noiva do xerife Haines, o caso desenrola-se até se tornar uma verdadeira caçada humana à criatura pelas florestas, sempre sem sucesso. Amy, porém acaba convencendo Haines a não matar Marsh, que nessa altura do campeonato já havia se apresentado a ela e ao doutor e confessado a autoria do crime e sua capacidade em se transformar na besta, ficando comovida com a dramática situação vivida pela vítima, principalmente após a chegada de sua mulher e filhos na cidade.

A maquiagem do O Lobisomem é bastante interessante, sempre abusando da mesma técnica de trucagem para a transformação de homem em lobo, usado anteriormente nos clássicos da Universal, como o próprio O Lobisomem com Lon Chaney ou o anterior O Homem Lobo. Claro que não há o dedo do mago da maquiagem Jack Pierce para a criação do monstro, mas Clay Campbell (não creditado) dá conta do recado e faz um lobisomem crível, perto do monte de absurdos com relação aos efeitos especiais que estamos acostumados a ver nos anos 50. O duro é você ver a criatura mudar de forma e continuar alinhada, com a camisa engomadinha, a calça intacta e vestindo os sapatos.

O Lobisomem é um filme correto. Ponto. Não acrescenta nada no gênero, a direção é precisa, mas bem burocrática, sem nenhuma ousadia, a explicação do uso da radioatividade é chinfrim. O roteiro abraça muito mais a carga dramática e o sofrimento familiar que o homem-lobo é obrigado a suportar. Acho que no total são contabilizadas três mortes durante o longa.

O legal é que O Lobisomem foge um pouco dos monstros gigantes e invasões alienígenas incessantes que víamos no gênero durante aquele período, e também por presenciarmos mais uma incursão do monstro nas telonas, depois do hiato que viveu após os filmes da Universal e suas sequências, até a volta do licantropo em A Maldição do Lobisomem da Hammer, somente na década seguinte.

Chaney?

Lobisomem por Ricardo Almeida


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Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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  1. […] um pouco na Internet sobre um filme de um dos meus posts anteriores da lista, O Lobisomem, do mesmo diretor desta bomba aqui, encontrei uma história bastante inusitada sobre O Ataque Vem […]

  2. […] de Samuel Z. Arkoff e James H. Nicholson, e produzido por Herman Cohen, aqui mais uma vez, como em O Lobisomem de Fred. F. Sears, lançado um ano antes, a licantropia no personagem principal é culpa de um […]

  3. […] trashes da década de 50 dignos de nota (entenda isso como quiser), como O Monstro do Mar Revolto, O Lobisomem (que foi lançado em sessão dupla com Os Zumbis de Mora Tau) e O Ataque vem do Polo. Agora se você […]

  4. […] Lon Chaney Jr. viveu Harry Talbot e ficou amaldiçoado em toda noite de lua cheia no clássico O Lobisomem, o monstro peludo licantropo sempre foi retratado no cinema de horror como uma criatura bípede, […]

  5. […] Inglaterra rural e serem atacados por um licantropo, vemos citados clássicos do subgênero como O Lobisomem da Universal e A Maldição do Lobisomem da Hammer, em Inocente Mordida, vira e mexe alguém está […]

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