860 – A Centopeia Humana – Primeira Sequência (2009)

The Human Centipede (First Sequence)


 2009 / Holanda / 92 min / Direção: Tom Six / Roteiro: Tom Six / Produção: Ilona Six, Tom Six / Elenco: Dieter Laser, Ashley C. Williams, Ashlynn Yennie, Akihiro Kitamura


 Ahhhh, A Centopeia Humana – Primeira Sequência. Um dos melhores e mais originais filmes de terror dos últimos anos.  É o cinema bizarro em seu esplendor. É o estereótipo do cientista louco levado o mais alto grau da insanidade. O amalucado diretor holandês Tom Six queria chocar a plateia. Com essa produção ele atingiu seu objetivo com louvor. Ame ou odeie. Deleite-se ou tenha nojo. Ria ou fique indignado.

De uma coisa podemos ter certeza: esse filme já faz parte do imaginário popular. Uma história com muitos pés e cabeças (tá, desculpe o trocadilho infame), feito com uma ninharia de orçamento e como resultado uma daquelas experiências cinematográficas que só o cinema fantástico é capaz de nos proporcionar. Num mundo extremamente coxa, onde a caretice impera, e onde aos poucos parece que o desejo de transgredir algumas regras vive sepultado pelo convencional, ainda mais tratando-se de cinema, quando algum afetado aparece com a ideia de uma centopeia humana, costurando a boca de uma pessoa no ânus da outra, é de se bater palmas para o cara. E coincidentemente, foi o que aconteceu exatamente ao terminar a exibição do filme na segunda edição do SP Terror que aconteceu no ano de 2010, a qual eu estava presente.

A Centopeia Humana – Primeira Sequência não é para ser levado a sério, poxa vida. Não é Cidadão Kane. Não é A Lista de Schindler.  Ele mesmo desde o começo não o faz, então porque diabos você ou a crítica o faria? O filme começa com o doutor maluco vendo as fotos da sua primeira experiência malsucedida feita com seus rotweillers e chorando por não ter dado certo. E logo ele sequestra um caminhoneiro que parou para cagar no meio da estrada. Quer mais nonsense do que isso?

Sabe a expressão hora errada e lugar errado?

Interpretado de forma espetacular por Dieter Laser (um espécie de clone de Lúcio Mauro, o Aldemar Vigário da Escolinha do Professor Raimundo), o Dr. Joseph Mengele Heiter é o mais brilhante cirurgião da Alemanha, especialista em separar gêmeos siameses. Só que sua nova obsessão não é mais separá-los, e sim, criar um siamês triplo, a centopeia humana, ligando três pessoas pelo seu sistema digestivo e cortando os nervos dos seus joelhos para que eles só possam andar engatinhando . Sim, é isso mesmo que você acabou de ler!

Para sua experiência, ele rapta duas turistas americanas, Lindsay e Jenny, que estão em viagem pela Alemanha e indo para uma balada, quando o carro fura o pneu no meio de uma floresta. Ao sair para pedir ajuda, elas têm a “sorte” de encontrar a casa do Dr. Heiter. Infelizmente o caminhoneiro que ele sequestrou no começo do filme não combina geneticamente com elas. Então o doutor simplesmente o mata, não antes de dizer a ele que não era nada pessoal!!! Gênio. Mas logo ele substitui a terceira parte, raptando um japonês, que será o primeiro da fila, enquanto Lindsay, que havia tentado escapar anteriormente, ganha a parte do meio, a parte mais dolorida segundo o doutor, e Jenny fica com a ponta.

Após uma cirurgia bem exaustiva, o Dr. Heiter tem sucesso na sua criação, e começa a tratar a aberração que acabou de criar como seu novo bicho de estimação, em sessões sem fim de humilhação, obrigando o japonês da ponta a lhe levar o jornal e comer em uma tigela. Enquanto ele fica só cagando e andando (tá, desculpe esse outro trocadilho infame). Além disso eles vivem trancafiados dentro de uma jaula, como um animal mesmo. E para o médico, tudo isso é motivo do mais puro deleite, já que ele vive se regozijando por seu experimento bem sucedido.

Beijo grego…

 

Para completar a depravação, só há uma maneira das meninas, do meio e da ponta, se alimentarem. Acho que não precisa nem explicar né? A do meio ainda fica com prisão de ventre, atrapalhando a…hã…refeição da sua amiga no final da fila.

O personagem do Dr. Heiter é simplesmente fantástico.  Dieter Laser deveria ter concorrido ao Oscar® de melhor ator, sério. A sua bipolaridade, todo seu tom excêntrico, caricato e sem o menor valor pela vida alheia, sua atuação exagerada e seu orgasmo quase sexual de ver sua criação, é uma aula para todos os cientistas loucos do cinema. E vale uma baita crédito para todos os outros três atores que fizeram parte da centopeia, afinal não deve ter sido nem um pouco fácil gravar aquelas cenas e ficar quase o filme inteiro com a cara enterrada na bunda do companheiro, andando de gatinhas de um lado para o outro.

Por onde passou A Centopeia Humana – Primeira Sequência colecionou os mais diversos tipo de sentimentos. Tiveram aqueles que saíram do cinema por achar que a depravação e o mau gosto tem limite. Tiveram aqueles que se divertem e deram boas risadas com todo aquele absurdo. Vale a experiência de assistir o filme de qualquer forma. Ele nem é tão nojento e tão gore quanto aparenta ser. O segundo é bem mais pesado. E há sim uma boas cenas de suspense e terror, apesar do grande alívio cômico. Programa perfeito!

Ande… Deite…Role…

Horrorcast#07: A Centopeia Humana – Primeira Sequência:



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. nelio francisco disse:

    este filme é muito muito estranho mas bem educativo na forma simples comu as accoes acontecem

  2. […] Leia a minha resenha sobre A Centopeia Humana – Primeira Sequência aqui. […]

  3. natalia disse:

    Que merda de filme e esse , .!!!!!!!!

  4. Talitha Saeki disse:

    Clááássico! hahah sempre quis assistir, agora vai!
    Mas baixei o torrent, e a qualidade está bem baixa… Será que é daqueles filmados de cinema?
    Abraço!

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