867 – Premonição 4 (2009)

The_final_destination_poster.jpg

Final Destination 4


2009 / EUA / 82 min / Direção: David R. Ellis / Roteiro: Eric Bress / Produção: Craig Perry, Warren Zide; Art Schaefer (Coprodutor); Tawny Ellis (Produtora Associada); Richard Brener, Walter Hamada, Sheila Hannahan (Produtores Executivos) / Elenco: Bobby Campo, Shantel VansSanten, Nick Zano, Haley Webb, Mykelti Williamson, Krista Allen


A outra franquia de terror dos anos 2000, junto com Jogos Mortais, Premonição nasceu como uma ideia originalíssima, inicialmente de um roteiro de James Wong e Glen Morgan que seria um episódio de Arquivo X, subvertendo os slasher movies colocando a morte em si como antagonista, e foi sendo descontruída em uma cinesérie (não tão esculachada quanto a criação de James Wan e Leigh Whannell) até chegar, nove anos depois do original, no completamente inócuo Premonição 4.

A fórmula padrão segue firme e forte, sem ter o que por e o que tirar, com um roteiro igualmente raso e personagens da profundida de um pires interpretados por atores medíocres, ali apenas para seguir a timeline batida de: sujeito tem uma visão pré-cognitiva e vê uma acidente fatal, que tende a ser maior, maios violento e espalhafatoso que o filme anterior. Salva seus companheiros, mas a morte fica putinha por ter interferido em sua lista negra, e os sobreviventes passam a morrer um por um, de formas rocambolescas, na mesma ordem em que teriam empacotado se o acidente tivesse se consumado por inteiro. Descoberto isso, passam a tentar burlar a figura de foice e manto negro com suas artimanhas da ACME, para sobreviverem.

Nada de novo no front, mas o lance é que em Premonição 4, que marca a volta de David R. Ellis para a direção (ele havia dirigido Premonição 2) é que nem as mortes elucubradas são legais. NEM ISSO eles conseguiram, em um filme que só traz… isso! Minto que tem uma morte sensacional do garoto tragado pela sucção do ralo da piscina, mas se você leu “Assombro” do Chuck Palahniuk, nem vai se impressionar com a cena, de onde claramente ela foi inspirada.

Outra experiência deprimente é que ele foi lançado em 3D, e se você não o assistiu no cinema com o óculos, ver em casa, na sua televisão, é uma verdadeira bobagem com aquele monte de cena ridícula em CGI, com efeitos especiais dignos de videoclipe dos anos 90 ou de cutscenes do PS2, incluindo aí a premonição do personagem central, colocadas apenas para justifica-las saltando na tela em terceira dimensão.

Finaldestination-4_car_exploading.jpg

Need for speed

O roteiro? Não tem o que escrever sobre. Já disse ali no segundo parágrafo que é o xerox de todos os outros filmes da franquia, sem novidade, sem reviravoltas no roteiro, sem absolutamente nada. E olhe que a série não era lançada nos cinemas todo ano, como foi o caso de Jogos Mortais, levando SEIS anos entre Premonição 3 e este filme, o que poderia ter dado tempo para os roteiristas e todos os envolvidos bolar alguma coisa com o mínimo de criatividade, ou caprichado melhor nas mortes fabulosas.

Nem o acidente da vez, que acontece em uma pista de corrida de carros, compensa. E rola uma SEGUNDA premonição no final, envolvendo uma explosão de cinema, que estamos lá engolindo achando que tudo aquilo vai acontecer e o filme acabar, uma verdadeira benção, mas não, de novo o personagem principal deu uma de Mãe Dinah, naquele velho e surrado argumento que lembra o “era apenas um sonho”. Broxante!

Olha, para não falar QUE NADA se salva, tirando ali a morte da piscina, os créditos iniciais mostram todas as mortes dos três filmes anteriores em uma espécie de Raio-X, ao melhor estilo Mortal Kombat. Só que créditos iniciais bacanas não bastam para salvar um longa metragem, não é mesmo?

Acontece que no frigir dos ovos, o que importa mesmo para a New Line Cinema, é que Premonição 4, foi na época a maior bilheteria de um filme de terror 3D nos EUA, faturando mais de 186 milhões de doletas no mundo todo (o que é uma cifra enorme para um filme de gênero) e gerou uma última continuação, Premonição 5, lançada dois anos depois, encerrando de vez a franquia.

2009_final_destinati.jpg

Pra baixo todo santo ajuda!



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Nelson disse:

    Também não gosto desse filme, assisti no cinema e nem o 3D salvou rs. Fiasco.
    Só uma pequena correção: o filme foi lançado três anos depois do terceiro, e não seis como é citado no texto.
    Excelente blog! Abração.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *