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874 – A Casa (2010)

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La Casa Muda / The Silent House


2010 / Uruguai / 86 min / Direção: Gustavo Hernández / Roteiro: Oscar Estévez / Produção: Gustavo Rojo / Elenco: Florencia Colucci, Abel Tripaldi, Gustavo Alonso, María Salazar


 Todo filme de terror que traga um atrativo, narrativo ou estético, que seja ousado e diferenciado, é merecedor de ser visto com muita atenção em um gênero às vezes tão pasteurizado quanto o terror. Agora um filme independente todo em plano sequência só com cortes falsos, simulando uma filmagem em tempo real e vindo do Uruguai, como A Casa, merece mais ainda ser visto por se tratar de um PUTA filme.

Inspirado em um caso real onde a polícia encontrou dois corpos severamente mutilados em uma casa rural em Godoy, interior do Uruguai, e uma série de fotos como possíveis relatos dos fatos ocorridos, o diretor Gustavo Hernández não apenas ousou na técnica e estrutura narrativa para tentar dramatizar o que aconteceu naquele local, por meio do roteiro de Oscar Estévez em cima da história de Hernandez e Gustavo Rojo, em uma produção totalmente colaborativa, acompanhando os últimos minutos das vítimas, como conseguiu criar uma atmosfera completamente sinistra, lúgubre e claustrofóbica de terror psicológico sobrenatural perene.

Tudo isso usando apenas uma locação, três atores, fotografia escura iluminada ocasionalmente por lâmpadas azuis fluorescentes, trilha sonora minimalista (e uma creepy canção de ninar) e filmado em quatro míseros dias, com uma câmera fotográfica digital SLR. Tudo organizado em uma edição exímia para parecer que o filme se passa em apenas um take contínuo, escola Alfred Hitchcock com Festim Diabólico e muito antes do oscarizado e badalado Birdman de Iñarritu.

Laura (Florencia Colucci) e seu pai, Wilson (Gustavo Alonso) são contratados para restaurar uma antiga casa para que seu proprietário, Néstor (Abel Tripaldi) possa vende-la. Os dois resolvem passar a noite no local para terminar a manutenção no dia seguinte, quando Laura começa a ouvir estranhos barulhos vindos do andar de cima da residência.

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Só uma espiadinha

Ela pede para seu pai checar e ele é violentamente atacado por alguém (ou algo) que não sabemos o que é, e Laura ficará então presa no local, atormentada por visões e sons, em um crescente desespero, mantendo o coração do espectador literalmente na boca, até seu acachapante plot twist.

Como se não bastasse tudo isso, no final do terceiro ato, o filme muda esteticamente saindo da posição de colocar o espectador como testemunha ocular preso àquela casa, compartilhando toda a agonia e medo de Laura, para o POV de uma das vítimas, abordando outro interessantíssimo recurso narrativo, até seu epílogo, na cena pós-crédito que serve apenas para atestar o excelente insight de Hernandez e trupe, na forma de conduzir o filme até aquela conclusão de arrepiar.

A Casa não é aquele tipo de filme para o público médio que gosta do cinema de terror convencional. Se você for um desses, esqueça, vai detestar. Apesar de abusar de alguns clichês típicos do gênero (como o uso da câmera Polaroid com flash e as próprias fotos tiradas com a máquina), sabe utilizar muito bem a ausência de iluminação e o jogo de luz e sombra, os efeitos sonoros e o mise-én-scene incluindo aí objetos e mobílias, e principalmente se abstém de explicações fáceis, deixando-as subentendidas e não se preocupando em torna-las didáticas, apesar dos créditos darem aquela ajudinha a mais.

O clima de tensão e mistério crescente, misturado com elementos sobrenaturais, a sensação claustrofóbica de perturbador medo iminente e a forma como usa todo o ambiente, fotografia, narrativa, roteiro e edição, transformam por completo a experiência em assistir A Casa em uma das mais revigorantes e interessantes do cinema mundial de terror nesta década. Tanto é que não demorou nadinha para ele ganhar um remake americano (obviamente inferior).

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The further

 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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