878 – A Epidemia (2010)

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The Crazies


2010 / EUA, Emirados Árabes / 101 min / Direção: Breck Eisner / Roteiro: Scott Kosar, Ray Wright / Produção: Michael Aguilar, Rob Cowan, Dean Georgaris; Brian E. Frankish, Alexander W. Kogan Jr. (Produtores Associados); Jonathan King, George A. Romero, Jeff Skoll (Produtores Executivos) / Elenco: Timothy Olyphant, Radha Mitchell, Joe Anderson, Danielle Panabaker, Christie Lynn Smith, Brett Rickaby, Preston Bailey


Em 1973, logo após o sucesso de A Noite dos Mortos-Vivos e a fundação do cinema de horror moderno, George A Romero dirigiu O Exército do Extermínio, que apesar de fracasso de público, foi mais um filme recheado de crítica social, afinal, estamos falando do mestre, que explorava a paranoia humana, alienação, descontrole militar, terrorismo e guerra biológica, pouco depois do frustrante resultado da Guerra do Vietnã.

Originalmente, o roteiro de O Exército do Extermínio, escrito por Paul McCollough era focado na história de um grupo de sobreviventes de um surto de raiva que se espalhou por uma cidade suburbana americana, que tentava escapar do local durante um levante militar que deixa o local em estado de sítio. Ao cair nas mãos do produtor Lee Hessel, ele resolveu investir na fita, porém modificando a história para deixar de lado a questão da sobrevivência e explorar mais a intervenção do exército na cidade.

Em 2010, o decente remake A Epidemia, aproximou-se mais dessa ideia do que o original, focando na tentativa de sobrevivência de dois personagens, os policias David (Timothy Olyphant) e Russell (Joe Anderson) e a médica, esposa grávida de David, Judy (Radha Mitchell) do ataque dos infectados, quase como pseudo zumbis, com a intervenção militar como um rápido pano de fundo, mesmo que ainda assim a América do começo da década continuasse pautada pelos mesmos temas levantados por Romero há 27 anos: paranoia, alienação, descontrole militar, terrorismo, guerra biológica, e dessa vez, lambendo as feridas da Guerra do Afeganistão e do Iraque.

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Risco hospitalar

Tendo Romero como produtor executivo, Breck Eisner na direção (que não dirigiria mais nada até o recente O Último Caçador de Bruxas, com Vin Diesel) e roteiro da dupla Scott Kosar e Ray Wright, A Epidemia traz basicamente a mesma trama do original, onde um avião militar cai no reservatório de água de uma pequena cidade, carregando uma nova toxina, preparada como arma biológica, que espalha um surto de insanidade, raiva e descontrole em quem ingerir a água. Os militares declaram lei marcial no local para tentar conter a infecção de se espalhar, e para isso, não poupará balas nem para matar cidadãos inocentes, num típico exercício de truculência do exército americano.

Daí veremos o típico filme survival, com os três mocinhos e mais a assistente do consultório de Judy, Becca (Danielle Panabaker) lutando por suas vidas, enfrentando os outrora pacatos vizinhos transformados em insanas máquinas de matar, sem expressões e sentimentos, quase mutados em zumbis (cada um deles levara quatro horas sentado na cadeira de maquiagem), e tentando também escapar do tal exército do extermínio, que não tem lá um plano muito feliz desenhado para a cidadezinha interiorana do Iowa em questão, afinal, eles precisam muito encobrir seu erro de qualquer forma, nem que tomando medidas bastante drásticas.

Há uma boa dose de tensão (principalmente a fatídica cena de um dos loucos com um garfo de feno no hospital e na parada de caminhões no terceiro ato), violência gráfica e gore, mas claro, que deixa de lado toda a crítica social cinematográfica (como aconteceu com outros dos remakes da obra de Romero, como Madrugada dos Mortos, por exemplo) apenas para focar no cinema de terror misto de ação, atualizando até de forma muito superficial as questões e camadas do longa para os dias de hoje. Mas ainda assim, funciona como um produto de entretenimento.

Um detalhe daqueles causos que conto quando escrevo as resenhas algumas vezes, é que assisti A Epidemia na abertura do saudoso SP Terror que rolou em 2010, e o filme foi uma pré-estreia especial antes de entrar em cartaz nos cinemas brasileiros. E pode ser considerado mais um daquelas boas refilmagens, que sabemos ser casos raros no cinema de Hollywood.

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TEJE PRESA



Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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