827 – A Invasora (2007)

À l’intérieur / Inside


2007 / França / 82 min / Direção: Alexandre Bustillo, Julien Maury / Roteiro: Alexandre Bustillo, Julien Maury / Produção: Vérane Frédiani e Franck Ribière, Rodolphe Guglielmi, Fryderyk Ovcaric e Teddy Percherancier (Co-produtores) / Elenco: Béatrice Dalle, Alysson Paradis, Nathalie Roussel, François-Régis Marchasson


Quando eu li que os diretores de A Invasora, os franceses Alexandre Bustillo e Julien Maury desistiram de dirigir o remake que Hollywood preparava de Hellraiser – Renascido do Inferno porque acharam o roteiro palha, eu descobri que precisava muito assistir ao primeiro filme deles. E me arrependi amargamente de não ter visto antes, porque é um dos filmes mais tensos e explicitamente violentos que já vi nos últimos anos.

A Invasora é mais uma grata revelação do gore francês. E bota gore nisso. Os diretores estreantes não poupam cenas de extrema violência para contar sua história claustrofóbica de uma solitária garota grávida, na noite da véspera do Natal, sozinha em uma casa silenciosa em uma rua deserta. Por si só já encontramos vários elementos de meter medo aí e nos deixar roendo as unhas.

Sarah é uma fotografa, grávida, que logo nos primeiros minutos do filme se envolve em um terrível acidente de carro que tira a vida de seu marido que estava no banco do passageiro. Felizmente (ou infelizmente, sei lá), nada acontece a ela e seu bebê (que aparece em várias cenas do filme em closes do interior do ventre da mãe, passando por todos os mesmos apuros que ela e escancarando toda sua fragilidade). Passado algum tempo, com a gestação quase completa, uma deprimida e desmotivada Sarah decide passar a noite da véspera do Natal sozinha em sua casa (coincidentemente de número 666) antes de ser internada na manhã seguinte para começar o trabalho de parto.

É aí que conhecemos a tal invasora, uma mulher morena vestida com um longo vestido preto e expressão vazia e sádica, que faz uma visita à Sarah tarde da noite e parece saber tudo ao seu respeito. Sarah desesperada chama a polícia, não antes da estranha desaparecer. A polícia não encontra nada e promete voltar mais tarde durante sua ronda noturna. Nesse ínterim, a estranha consegue entrar dentro da casa de Sarah, e aí que uma espiral de adrenalina, sangue, mortes e pavor começa a acontecer, tudo fechado naquele metro quadrado.

Gravidez de risco

Com uma atmosfera tensa, uma verdadeira carnificina rola solta, com a invasora tentando matar a fotógrafa, perseguindo-a nos aposentos e executando qualquer um que apareça na casa para tentar impedi-la de completar seu maligno e visceral plano que vai nos ser revelado mais adiante, junto com suas motivações, e finaliza com uma cena tão impactante e tão forte que ao mesmo tempo que causa repulsa, você simplesmente não consegue desviar o olho da tela.

Olha vou ser sincero com vocês, eu nunca em todos meus 30 anos de vida, vi uma personagem feminina tão sádica e tão marcante quanto a estranha interpretada soberbamente por Béatrice Dalle. Assim, sua presença no longa e sua crueldade para mim a coloca no patamar dos grande serial killers do cinema como Leatherface, Michael Myers ou Jason Voohrees. Uma atuação extremamente forte que cria um excitante contraponto com a grávida e fragilizada Sarah, interpretada por Alysson Paradis, que claro, levará seu instinto de sobrevivência as últimas consequências para protegê-la e ao bebê em seu útero.

O filme é dirigido com verdadeira maestria. Os primeiros trinta minutos são angustiantes, preparando terreno para o que está por vir. Dali para frente é apelação, na boa. Prepare seu estômago para todo tipo de mutilação e litros e litros de sangue sendo derramados, com uma maquiagem mega realista. Fora isso, vale ressaltar a edição, vezes arrastada, vezes alucinada e uma trilha sonora eletrônica repleta de ruídos e elementos distorcidos. E mesmo que, como de costume do cinema de terror, o nervoso e o gore cheguem até a provocar riso, definitivamente essa nunca é a intenção e todo o desenrolar, e principalmente as mortes, são muito bem executados pelos diretores que não parecem nem um pouco novatos.

A Invaosra não é recomendado para aqueles que tem coração e estômago fraco. E muito menos para mulheres grávidas.

Toque francês



 


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. […] Primeiro é bom falar que é um autêntico gore francês, ao melhor estilo Alta Tensão e A Invasora, que flerta muito bem com o exploitaition e o torture porn. É um filme o qual é impossível […]

  2. […] do sucesso de A Invasora, os promissores diretores franceses rejeitaram assumir o remake de Hellraiser – Renascido do […]

  3. Lukkas disse:

    Ola, estou querendo ver muito esse filme, mas o download para no 19% poderia arrumar?

  4. Papa Emeritus disse:

    Oba, mais um da safra francesa dos anos 2000. rsrs

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