783 – A Casa de Cera (2005)

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House of Wax


2005 / EUA / 115 min / Direção: Jaume Collet-Serra / Roteiro: Chad Hayes, Carey Hayes / Produção: Susan Levin, Joel Silver, Robert Zemeckis; Richard Mirisch (Coprodutor); Erik Olsen (Produtor Associado); Bruce Berman, Herbert W. Gains, Steve Richards (Produtor Executivo) / Elenco: Elisha Cuthbert, Chad Michael Murray, Brian Van Volt, Paris Hilton, Jared Padalecki, Jon Abrahams, Robert Ri’chard


Olha, apesar dos apesares, a Dark Castle, produtora de filmes de terror de Joel Silver e Robert Zemeckis, meio que pela primeira vez acertou um A Casa de Cera. Claro, que é nivelar por baixo tendo em vista os lançamentos anteriores como A Casa da Colina, 13 Fantasmas, O Navio Fantasma e Na Companhia do Medo.

Mas o longa dirigido pelo espanhol Jaume Colett-Serra pelo menos é bem generoso na questão violência e tem uma boa dose de brutalidade. Só que assim, nem rola classifica-lo como um remake de Museu de Cera de 1953, estrelado por Vincent Price (que por sua vez já era um remake de Os Crimes do Museu). Porque enquanto o primeiro é um thriller de suspense e vingança com um dos mais carismáticos e multifacetados atores do cinema de terror, esse aqui nada mais do que é um slasher.

Entupido de rostos de jovens conhecidos da televisão, como a Elisha Cuthbert de 24 Horas, Chad Michael Muray de One Three Hill, Jared Padalecki de Supernatural e argh! Paris Hilton no elenco, A Casa de Cera foi feita como um enlatado sob medida, com todos os clichês possíveis e imagináveis hollywoodianos, aquele plot twist salafrário, personagens que estão ali só pra entrar no body count… MAS, repito, na questão violência e doses de brutalidade, ele se sobressai aos demais, tanto que tomou uma classificação R nos States.

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Olha, um boneco de cera do Sam Winchester!

Claro, estamos na metade da década quando o torture porn começou a pegar de vez, Jogos Mortais e O Albergue já haviam chocado a galera e escancarado a porteira, então, a ideia foi manter o nível de gore e sujeira, muito também inspirado na refilmagem de O Massacre da Serra Elétrica, há dois anos. Na verdade, parando para pensar, A Casa de Cera tem muito mais de Armadilha Para Turistas do que o original o qual ele rouba o título.

Outro grande problema da fita é a metragem. Sua 1h53 minutos, sendo que trinta minutos poderia ter ficado na lixeira da sala de edição, e para ser mais preciso, a meia-hora inicial. Criado para o público desenvolver alguma espécie de empatia com os personagens (mas que falhou miseravelmente, uma vez que é impossível se identificar, curtir e se comover com aquele bando de jovens inócuos e estereotipados), o filme só pega mesmo quando finalmente o casalzinho principal chega a tal cidade de Ambrose, depois de ter seu carro sabotado.

A cidade tem seu museu de cera, um verdadeiro tourist trap, mas dos bons, que tem toda uma história de tragédia (que é cantada a bola no começo) sobre um médico que perdeu o direito de praticar medicina, teve dois filhos gêmeos, um bom e um ruim, tipo a Rutinha e a Raquel, e sua esposa começou o museu de cera. Depois vai rolar uma reviravolta (salafrário como salientei) e os dois irmãos vão se mostrar psicopatas de marca maior que vão caçar os jovens incautos, assim como os demais que se perdem por aquela região, para servir como molde para sua cidade inteira de cera.

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Turminha da TV tudo!

Agora um parêntese: eu não sou arquiteto, engenheiro civil, empreiteiro e nem nada do tipo, mas eu acho BEM impossível se construir uma CASA INTEIRA, incluindo alicerces, escadas, teto, paredes, chão, de cera, que começa a derreter toda durante um incêndio. Haja suspensão da descrença para engolir essa, mas tudo bem. Se eu estiver enganado, que me corrijam aí nos comentários.

O personagem de Jared Padalecki é o que mais come o pão que o diabo amassou, junto com a nossa Final Girl da vez, que nem é tão Final assim porque o irmãozinho metido a bad boy dela também sobrevive (ah dei SPOILER, mas era tão óbvio). O sujeito tem o tendão de Aquiles cortado com uma tesoura, é dopado para não conseguir gritar ou se mover, mas está acordado e sentindo tudo, o rosto depilado, é besuntado de cera quente, sobrevive, vira um boneco no museu de horrores e tem parte da pele de seu rosto arrancada na tentativa de salvá-lo. É de uma agonia da brava! Elisha Cuthbert segue de perto, sendo torturada, tendo seu dedinho cortado por um alicate e lábios colados por Super Bonder (CHUPA Boa Noite, Mamãe!). Além da morte de Paris Hilton que tem um cano atravessado em seu crânio (e a galera VIBRA!).

Volto a repetir porque vale bem enfatizar: A Casa de Cera está em um nível acima do cinemão comercial americano adolescente de terror, exatamente por não economizar na violência gráfica, brutalidade e sujeira, nada asséptico, apesar do roteiro e dos clichês fazerem de tudo para derrubá-lo.

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Fazendo a Madame Trussot


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

0 Comentários

  1. Matheus L. CARVALHO disse:

    Eu achei mais ou menos…

    Mas, Paris Hilton… Ninguém merece…

  2. raul heros disse:

    esse filme tá mais pro remake do Tourist Trap de 79 , tem cenas muito parecidas

  3. Pois esse filme é meu slasher preferido .

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