Bibliofobia #45 – Jurassic Park

Bem-vindos, ao Parque dos Dinossauros!


Em 1993, Steven Spielberg mudou os rumos da ficção científica e fantasia no cinema com seu Jurassic Park – Parque dos Dinossauros. Pela primeira vez, crianças – e adultos – que cresceram fascinados pelos gigantes répteis pré-históricos puderam ter o gostinho de como seria viver milhões de anos atrás, quando os dinossauros caminhavam pela Terra como reis do mundo. O filme foi um sucesso estrondoso e deu origem a três continuações: Mundo Perdido: Jurassic Park, de 1997; Jurassic Park III, de 2001 e Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros, de 2015, que renderam bilhões de dólares ao redor do mundo, mas poucos puderam ler e apreciar o livro que deu origem a este universo: Jurassic Park, de Michael Crichton.

Michael Crichton concebeu um roteiro que envolvia um estudante universitário que recriava um dinossauro e acabou transformando seu roteiro em um romance, Jurassic Park, que, antes mesmo de ser publicado, chamou a atenção de Steven Spielberg quando ambos conversavam em uma reunião sobre o projeto da série de TV E.R. (ou se você preferir, Plantão Médico no Brasil). Spielberg conseguiu os direitos do livro e trouxe Crichton para escrever o roteiro do filme, que foi lançado em 1993, três anos depois da primeira publicação do romance, em 1990.

Há quem diga que Crichton apenas requentou seu roteiro para o filme de 1973, Westworld – Onde Ninguém Tem Alma, que envolvia um parque de robôs que saíam do controle atacando os visitantes. E, de certa forma, eles estão corretos, mas seu romance envolvendo dinossauros se tornou uma daquelas obras muito maiores que seu autor e hoje é praticamente impossível alguém que não conheça o enredo de Jurassic Park. A história, de um excêntrico milionário que recria dinossauros em uma remota ilha da América do Sul no intento de transformá-la em um parque e que convida um grupo de consultores para avaliar o local antes de sua inauguração até que algo dá muito errado, está gravada no imaginário popular graças ao incrível filme de Spielberg. Mas e o livro?

O romance de Crichton é muito parecido com o roteiro que ele mesmo escreveu para o cinema. Com a diferença de que o livro é muito mais completo. Afinal, por questões orçamentárias, muitas passagens do romance foram eliminadas no roteiro final. Além disso, o livro possui tons muito mais sombrios que foram devidamente pasteurizados por Spielberg almejando um público muito maior graças a uma censura mais baixa. E são justamente estes contornos mais sombrios tornam o livro definitivamente melhor. Não que “sombrio” seja sinônimo de melhor (alô DC/Warner). A sequência de abertura do romance já envolve muito mais sangue e tensão do que aquele mostrado em toda a franquia cinematográfica. A partir daí a leitura flui com tranquilidade, e velocidade, pois o leitor já foi fisgado.

Crichton cria uma fantasia bastante palpável, com contornos científicos, que fazem com que o leitor se pegue pensando se aquilo tudo não seria realmente possível. Dados estatísticos, gráficos, tabelas e planilhas de computadores reforçam o caráter quase documental do romance e estão presentes por todos os capítulos de Jurassic Park. Como resultado, o livro possui um aspecto muito mais de ficção científica, com pitadas generosas de horror, que o filme, que segue um caminho muito mais aventuresco. Apesar de todos estes dados espalhados pelas páginas do livro, a leitura nunca se torna técnica demais. Ponto pro autor que soube muito bem onde plantar estes dados para convencer o leitor da plausibilidade do que está ali sem nunca entediá-lo.

A edição da Editora Aleph, publicada com um excelente timming enquanto Jurassic World chegava aos cinemas em 2015, possui um acabamento gráfico impecável. Com a lombada colorida e uma diagramação belíssima, o trabalho da editora torna a leitura de Jurassic Park ainda mais agradável. O resultado é um livro que chama a atenção na estante quase como uma peça de design. Em 2016, a editora lançou a continuação, Mundo Perdido, também de Circhton, mantendo a identidade visual e a qualidade gráfica do primeiro. A Aleph recentemente lançou O Enigma de Andrômeda, outro romance de Crichton que também se tornou um filme e mostra a versatilidade deste autor que, ao todo, teve 18 de seus romances transportados para as telonas.

Michael Crichton faleceu em 2008, com quase 200 milhões de títulos vendidos, e além de escritor foi produtor de conteúdo para a TV e Cinema, deixando um legado para o cinema e literatura de ficção científica que inclui O Enigma de Andrômeda, Congo, A EsferaO 13º Guerreiro e muitos outros. O autor, com suas obras, sempre recheadas de detalhes técnicos e científicos, jamais poderia imaginar que, de certa forma, mudaria os rumos da ciência, levando reconhecimento e novos profissionais à paleontologia, que cresceu como nunca após o lançamento de Jurassic Park, adaptação de seu mais famoso romance, que está de volta para nos lembrar dos tempos de criança quando admirávamos fascinados os gigantescos esqueletos de dinossauros nos museus.

Título: Jurassic Park

Autor: Michael Crichton

Ano: 2015

Editora: Aleph

Páginas: 528

ISBN: 978-8576572152


Rodrigo Ramos
Rodrigo Ramos
Designer, roteirista da HQ Carniça, coautor dos livros Medo de Palhaço e Narrativas do Medo. Fã e pesquisador de quadrinhos e cinema de horror. Tem mais gibis em casa do que espaço pra guardar e tempo pra ler, mas quem nunca?

2 Comentários

  1. luiz beagle disse:

    Existem muitas diferenças entre o livro e o filme:

    SPOILERS
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    O começo do livro é na verdade o começo do filme Lost World,com uma menina sendo atacada por pequenos dinossauros, além disso é mostrado o que aconteceu no hospital com o funcionário atacado pelo raptor ah e existem relatos de ataque de dinossauros fora da ilha nublar

    Alan Grant e Ellie Satler são professor e aluna, não um casal

    No livro Tim é o mais velho e haker, Lex é bem mais nova e odeia dinos

    Nedry o cara que rouba os embriões é um cara totalmente discreto e não chama atenção

    John Hamond é um verdadeiro FDP arrogante que trata os netos como cobaias e tem um destino bem diferente.

    O T-Rex aparece bem mais no livro, aliás são dois Tiranossauros no livro.

    A cena da gaiola dos pterodáctlos de JP 3, acontece no livro

    a cena da cozinha com os raptores ocorre no escuro com Tim usando u visor noturno

    os raptores são mortos com tiro de bazuca

  2. os tiranossauros são nervosos

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