E não é que a segunda temporada de Slasher é decente?

Quando o sentimento de culpa muda os rumos de uma série, que agora é “produção original Netflix”!


Nada como um dia após o outro, ou, aplicando essa máxima para o âmbito das séries de televisão, uma temporada após a outra.

É isso que Aaron Miller pode falar sobre Slasher, sua antologia seriada que no ano passado, foi uma das coisas mais patéticas exibidas na TV pelo canal Chiller. Mas, após ter seus direitos adquiridos pela toda-poderosa Netflix (e divulgada como uma produção original do serviço de streaming, dando aquele selinho já bem famoso para a produção), surpreendente entregou uma decente segunda temporada.

Talvez tenha sido o sentimento de culpa de uma produção tão tosca, Já que a culpa é a força motora desse novo enredo…

Okay, vale a pena falar que Slasher: Guilty Party (ou em bom português, Os Culpados) não traz absolutamente nada de novo pro front e continua a recauchutar velhas ideias do subgênero, colocando um bando de jovens para serem exterminados por um assassino mascarado, aqui, vestido num traje de esqui. Mas, perto do que foi entregue anteriormente, Miller conseguiu pelo menos nos dar oito episódios que diverte, você mal vê o tempo passar se assistir tudo num binge watching, tem lá um daqueles plot twists surpreendentes no último episódio e o principal, uma dose cavalar de gore.

Afinal, se estamos falando de um televisivo que tem como inspiração os slasher movies, sabemos que o que vale mesmo no fim das contas é ver muita sangria desatada e mortes gráficas, e nisso, não há do que reclamar. Destaco aqui dois momentos de violência extrema: uma quando um sujeito é destroçado por um perfurador de gelo, e outro, quando um pobre diabo é dividido ao meio por uma serra elétrica. Sangue e vísceras a rodo que dá até gosto, para compensar o roteiro pobre e personagens clichês.

Procurando por uma temporada melhor… Achei!

A trama fechada se concentra em um grupo de jovens monitores de um acampamento de verão (ah, vá!) que acidentalmente matam uma de suas amigas traíra quando tentavam dar um corretivo nela (ah, vá!) e depois de cinco anos, o local foi fechado e se tornou uma espécie de retiro espiritual. O terreno foi vendido para construção de um resort, o que significa, que logo menos o logradouro passará por escavações e o corpo da moça morta poderá ser encontrado.

Cheios de remorsos e querendo continuar safos do assassinato (apesar que alguns pensam em se entregar), os cinco jovens repletos de estereótipos promovem um reencontro forçado e vão até o local em pleno inverno rigoroso para desenterrar o corpo. Não preciso dizer que não demora para que eles passem ser caçados e assassinados por vingança (ah, vá!).

Durante os episódios, se desenrola a boa e velha tentativa de descobrir quem é o assassino entre eles e o outro grupo residente no local, que fazem parte de uma comunidade badabauê-espiritualista-chegada-em-cristais-vegana-que-pratica-yoga, sendo que o clima de tensão e paranoia crescem exponencialmente, enquanto são abatidos como moscas, em uma narrativa entrecortada em flashbacks que vão mostrando os motivos do assassinato e construindo o background dos personagens.

Como disse lá em cima, Slasher: Guilty Party não é a série mais inovadora e incrível já feita, e continua sendo um remendão de fórmulas fáceis, mas pelo menos, o diferencial de qualidade segunda temporada é em níveis de grandezas, tendo em vista que em sua temporada de debute, eu consegui ter saco para assistir somente os dois primeiros episódios e achei pavorosos. Além disso, vale também o fato de estar disponível na grade da Netflix e você não ter que esperar semanalmente por episódios modorrentos, exatamente o que também acontecera anteriormente.

A dica é: esqueça que existiu uma temporada anterior e assista Slasher tendo ciência de todos seus erros e acertos, sem esperar muita coisa, que assim ela pode lhe entreter e ainda entregará aquele banho de sangue e contagem de cadáveres que tanto apreciamos.

Picolé de vísceras


Marcos Brolia
Marcos Brolia
Jornalista, editor e idealizador do 101HM, é fanático por filmes de terror (ah, vá!) desde que se conhece por gente, dos classudos aos mais bagaceiras. Adoraria ter um papo de boteco com H.P. Lovecraft e virar um shot toda vez que ele falasse a palavra “indizível”.

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