ESPECIAL Semana Horror Nacional #03 – Sinfonia da Necrópole

Um divertido musical para definitivamente exorcizar seus medos do cemitério!


Mais conhecida por assustar seu público, Juliana Rojas mostra também que é uma prolífica diretora em seu projeto mais que original intitulado Sinfonia da Necrópole, um divertido musical que se passa todo em um cemitério.

A história gira em torno de Deodato (Eduardo Gomes), um assistente de coveiro que tenta seguir os passos de seu tio (Paulo Jordão), porém ele é mais desajeitado e sensível do que todos que ali trabalham. Mas, após a constatação de que o cemitério está superlotado, a agente funerária Jaqueline (Luciana Paes) é chamada para dar andamento à uma obra para reutilizar e reorganizar os túmulos vazios, esquecidos ou abandonados e erguer jazigos verticais. A moça não é só uma mulher de personalidade forte, como também rouba o coração de Deodato.

Neste ambiente se encontra de tudo: um padre moderninho, um hipocondríaco que tenta acelerar sua morte, o diretor meio maluco, a vendedora de flores e seu café pra lá de bom… Enfim, todo um ambiente propício para que as mais inusitadas situações aconteçam e, mesmo sem nenhuma pataquada forçada ou circense, a história se torna extremamente divertida.

Pela similaridade do ambiente, é inevitável não lembrar de Pelo Amor e Pela Morte. Aquele ar filosófico, sombrio e niilista do filme de Michele Soavi é trocado pelas canções alegres e coreografias acerca do cemitério, deixando-o mais acolhedor ao espectador e minimizando ao máximo a visão que intimamente tínhamos do local como assustador e assombrado.

A fotografia e enquadramento de qualidade já conhecida de seus trabalhos anteriores aqui se mantém com um exímio cuidado. As atuações também não deixam nada a desejar e a empatia que se cria com aquelas situações, no mínimo inusitadas e hilárias, abaixam a tensão e agrada ao público, que passa a acompanhar o longa com um imprevisto sorriso no rosto.

Será que esse negócio de cantoria dá certo?!

A trilha sonora – e não poderia ser diferente – é o ponto fortíssimo de Sinfonia da Necrópole. As canções, que foram escritas por Juliana Rojas e compostas por seu compadre, Marco Dutra, possuem uma letra que se encaixam perfeitamente com a cena em questão. Da produção musical, desde violinos, órgãos, pianos e até aquele pagodinho que lembra nosso querido Zeca, fazem parte de toda esta mistura que, felizmente, dá certo.

Uma canção em particular me chamou a atenção por sua mensagem, que pesa muito mais sobre a capital de São Paulo do que em qualquer outro lugar, com certeza. Intitulada “Canção da Metrópole”, esta linda letra e produção soa como uma homenagem à SP e, ao mesmo tempo, uma crítica pesada.

A vida corrida da grande selva de pedra faz com que possamos passar despercebidos por nós mesmos, ou que a ignorância fale por si. Dos engravatados às madames, dos sem-teto aos semelhantes, o dueto entre Deodato e Jaqueline emociona até ao mais durão. Tudo isso em meio à um palco improvisado, enquanto a chuva cai e forma uma linda e memorável cena.

A Sinfonia da Necrópole está feita e à meia-noite os mortos sairão de suas tumbas para reclamar o seu direito de apenas serem lembrados. Esta é a poesia do viver, e do morrer.

PS. Ah, e escute a linda trilha sonora logo ali embaixo!

4 cantaroladas para Sinfonia da Necrópole

E não é que deu certo mesmo, rapaz!


Guilherme Lopes
Guilherme Lopes
Mineiro de nascimento e paulista de criação, vê nos filmes de terror e afins a diversão e bode expiatório para não cometer atrocidades na vida real. Não se engane com sua carinha de anjinho: ele não rebobinava as fitas antes de devolver à locadora.

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