GAME OVER #02 – Dino Crisis

Um dos melhores jogos de PSX. E tenho dito!


Com toda a certeza, o melhor console dos anos 90 e um dos melhores já fabricados foi o PlayStation! O videogame da japonesa Sony chegou com tudo e arrebatou milhares de fãs ao redor do mundo. Em terras tupiniquins não seria diferente, e a sua popularidade cresceu quase que imediatamente – assim como a pirataria, que bem, digamos que viabilizou a compra de jogos, né.

Final Fantasy, Syphon Filter, Gran Turismo, Driver, Crash the Bandicoot, Twisted Metal, Vigilante e N jogos foram lançados criando altas jogatinas nas casas dos amigos – bem como criando discórdias memoráveis, tenho certeza – e cabuladas de aula para tentar fechar aquele jogo difícil que tínhamos uma gana inimaginável.

O terror não ficou de fora da gama de jogos do PSX era grande: Resident Evil, Parasite Eve, Silent Hill, Alone in the Dark, Clock Tower e tantos outros despertavam nossa coragem e medo. Esta época ficou famosa pelo famoso “kit sobrevivência” que compunha: um refrigerante, salgadinhos Fofura e algumas doses de adrenalina para reviver, caso haja necessidade.

A maioria dos jogos de terror tinham como vilões variados e fantásticos, desde zumbis trazidos de volta à vida por um certo vírus e bizarras criaturas vindas com a  névoa mas, e se um portal criado sem querer trouxesse animais há milanos extintos?

Os famigerados dinossauros seriam motivo suficiente para fazerem o jogador tremer na base? Se já jogou o clássicão Dino Crisis, a resposta é com certeza! Caso não, sua opinião mudará rapidinho depois de clicar em “NEW GAME” e escutar o urro do poderoso T-Rex.

Capítulo 1: A terceira energia

O enredo do game é o seguinte: um grupo da S.O.R.T. (Secret Operation Raid Team), liderado por Gail, é enviado à uma ilha para encontrar e prender Edward Kirk, um cientista, outrora declarado morto, mas que foi descoberto trabalhando no projeto Terceira Energia, onde se esperava criar uma fonte de energia sustentável. Ao chegar numa base militar aparentemente abandonada, o grupo inicia sua missão de procura e apreensão (ou resgate) e, é claro que encontrarão algumas surpresas nada agradáveis pelo caminho, assim como a verdadeira ida à ilha, revelada.

OI!

Após o estrondoso sucesso de Parque dos Dinossauros e sua continuação O Mundo Perdido: Jurassic Park, ambos de Steven Spielberg, e ainda com uma ponta de influência de Aliens – O Resgate, o diretor de games Shinji Mikami, o mesmo por detrás de Resident Evil, resolveu desenvolver um jogo com os famosos animais pré-históricos. Mikami e sua equipe criaram o que os próprios chamaram de “panic horror” – onde o medo é mais palatável e o inimigo, rápido e mortal, pode te perseguir de sala em sala.

Ao contrário de seu irmão recheado de mortos-vivos, Dino Crisis foi desenvolvido para ser um jogo muito mais adulto e difícil. Prova disto são os famosos puzzles e as diferentes opções que o player pode tomar para controlar o rumo de Regina, a ruiva especialista em armas da equipe S.O.R.T., protagonista do jogo.

Mantendo a claustrofóbica característica dos games survival horror da Capcom, a cada nova porta aberta e nova sala adentrada, o jogador se sente vulnerável a um terror iminente. Como o próprio diretor declarou certa vez: “Dino Crisis é um terror mais visceral, como uma montanha-russa.”

O jogo foi tão influente que a sua recepção não poderia ter sido melhor: lançado em julho de 1999, o game foi aclamado pela crítica especializada e um total de 2,4 milhões de cópias foram vendidas mundo afora, na época lançado apenas para PlayStation. Com louvor ganhou o título Platinum da Capcom, como um dos melhores da companhia.

Não era de se esperar menos para um game tão complexo. Quem não lembra dos enigmas e quebra-cabeças? Descobrir os Code Discs e os D.D.K’s já era um sofrimento, mas nada comparado às horas perdidas tentando descobrir o bendito password em meio ao amontoado de letras aleatórias entre o Code e Key. Sendo moleque, sem nenhuma expertise na língua americana e ainda tentando decifrar alguma palavra que você nem sabia o significado era doído, viu?! Isso para os verdadeiros, pois ainda haviam alguns que apelavam ao famoso DETONADO ou Game Shark.

Cenas memoráveis com certeza fazem de Dino Crisis um grande clássico. O primeiro encontro de Gail e Regina com a metade de um corpo logo no início do jogo já deixava o coração à mil por hora! E quando encontramos o chato do velociraptor, bicho que não largava de nosso pé e ainda era 3x mais rápido que nós? A felicidade de conseguir entrar na sala trancada por códigos se transformava em terror puro quando tentávamos salvar uma vida e um certo Tiranossauro metia a cabeçona pela janela, por exemplo, deixando a gente mais em desespero do que qualquer outra coisa (bem, pra isso a adrenalina estava lá, não é?!).

Fato é que Dino Crisis fez um legado de fãs imediatos a tentar decifrar os mistérios, encontrar o máximo de fichas e diários, matar todos os dinossauros possíveis, achar o fujão do Dr. Kirk, descobrir a verdadeira missão da S.O.R.T. à serviço do governo e principalmente, atirar, tacar fogo, eletrocutar e explodir o rei dos répteis jurássicos, bem como toda a maldita ilha.

É aqui a comida de graça?

Parte 2: O reencontro com os vorazes

Em qualquer tipo de mídia, fazer uma continuação digna de seu antecessor é algo muito complicado, mas diria que, para os games, essa tarefa é muito mais árdua. Fazer com que o jogador sinta-se desafiado a reviver ou continuar uma história é ser obrigado a criar um game muito mais imersivo do que o primeiro. Nem sempre os desenvolvedores conseguem, não é?

Felizmente este não é o caso de Dino Crisis 2, que consegue mesclar o que há de melhor no antecessor e ainda trazer novos recursos, habilidades e diversão a esta segunda parte. Ao contrário do original, esta sequência troca a ausência de sons e tensão por um ritmo mais acelerado, ação e trilha sonora que acompanha fugas alucinantes e casam perfeitamente com o ambiente onde o personagem se encontra no momento.

Com um roteiro muito mais elaborado, aqui reencontramos Regina em mais uma missão de busca e reconhecimento, desta vez acompanhada de um batalhão – que não dura muito, diga-se de passagem – onde destacamos seus parceiros Dylan Morton e David Fork, o Crocodilo Dundee da vez! Como vimos no primeiro jogo, a Terceira Energia já havia dado muito problema nas mãos do Dr. Kirk, porém a missão foi completada e Regina retorna com o disco contendo todas as anotações do projeto desta nova fonte de energia renovável, ou um portal interdimensional.

Achei! Sua vez no esconde-esconde

Mas como sempre o governo faz [email protected]#%&, a ganância de querer descobrir o inimaginável e o inexplorado faz com que uma fenda no tempo se abra em uma ilha longínqua no meio do nada, e lá vamos nós de novo tentar consertar a cagada alheia. O legal deste novo DN2 é que há histórias paralelas rolando – até viajantes e controladores do tempo ao melhor TimeCop do Van Damme, lembra?! – que em determinados pontos elas se cruzam e até o último momento do jogo o jogador é surpreendido. Viagens no tempo para presente e futuro, incluindo devaneios de algumas lembranças é comum no decorrer do game.

Com um gráfico melhorado e mais trabalhado principalmente nos ambientes, aqui várias melhorias foram desenvolvidas como andar atirando, esquivas rápidas, girada 180º para uma fuga mais efetiva e uma arma secundária que te ajuda nos ataques dos velociraptors antes de que te acertem, que variam de facões até armas de choque e fogo, que dão uma puta ajuda fazendo um arco à sua volta e lhe protegem por alguns segundos, tempo suficiente para que meta bala em tudo!

A dificuldade para decifrar os códigos de acesso e D.D.K’s neste jogo são substituídos pela procura das chaves nos mais diversos locais, o que faz com tenha muuuita paciência em determinados momentos, pois deverá vasculhar cada canto e corpo da sala. Acredite, encontrará files dos dinossauros bem como diários dos mortos, chaves, acessos e muito mais que te ajudará no decorrer de sua missão ora controlando Regina, ora Dylan.

A ação em alguns momentos é frenética e ao invés de fugir por sua vida, uma grande sacada do jogo foi fazer com que o jogador enfrente tudo de peito aberto. Isso porque quanto mais dinossauros matar, mais pontos você acumula, ainda com a possibilidade de formar combos, e, por sua vez, quanto mais combos formar e pontos ganhar, mais armas potentes poderá comprar.

Vai falar que não se empolgava na missão do bote quando empunhava um fuzil e metia bala nos lagartos marinhos e pterodáctilos? Ali era uma fábrica de pontos e combos. Ao final, só passar no e-shop e comprar suas armas que brotavam já no seu inventário.

“Será que fiquei bem nessa foto?”

Os dinossauros também são mais desenvolvidos, mais rápidos, mais violentos e com certeza mais chatos! Quem lembra do T-Rex que te persegue o jogo todo só porque tomou um tiro de bazooka e ficou caolho? E dos alossauros que vez ou outra apareciam pra azucrinar a vida – ficavam até vermelho de raiva, hein? Os oviraptores por sua vez eram difíceis de acertar na bala e quando não gorfavam um ácido em você, davam uma voadora ao melhor estilo Haggar de Final Fight! Ainda estou para encontrar alguém que não tenha passado UM MINUTO DE RAIVA ao encontrar um filhote de oviraptor que rouba seu cartão de acesso e precisamos correr de sala em sala, gastar bala à toa para prendermos o dito cujo na jaula e o reavermos.

O bom é que, ao final do jogo, abre-se um minigame chamado Extra Crisis com duas opções: Dino Colosseum e Dino Duel. O primeiro, como o próprio nome diz, é um divertido modo survival para se digladiar entre os personagens dos jogos e os próprios dinossauros, com a possibilidade de jogar como um réptil pré-histórico! Mate todos antes do tempo e sobreviva à este sádico jogo ou morra tentando. E o Dino Duel é uma opção multiplayer para que você e seu comparsa se batam como os dinossauros dos jogos.

Nostalgia à parte, como seu antecessor Dino Crisis 2 foi muito bem elogiado pela crítica especializada bem como pelo público, gerando, dois anos após, uma continuação em primeira pessoa com o subtítulo Survivor, e no ano seguinte a terça parte, desta vez diretamente lançada para a plataforma Xbox, mas altamente criticada por fãs, o que fez com que a vida dos dinossauros na série de jogos acabasse, por enquanto.

Rumores de que a Capcom poderia revitalizar a série com novos jogos ou até mesmo restaurar o primeiro Dino Crisis, à modelo do novo Resident Evil, caíram por terra e até o momento, apenas a saudade, os games antigos e os emuladores conseguem resgatar a emoção de jogá-los novamente.

Se possui a chance de reviver os dias de terror proporcionados pelos dois primeiros Dino Crisis, aproveite a oportunidade e corra paga o console ou PC mais próximo!

Dica detonado: pegue todos os Dino Files do segundo jogo e terá munição infinita. Será que consegue? Não vale apelar para a revista, e nem Youtube, hein?!

Corra, Lola, Corra


Guilherme Lopes
Guilherme Lopes
Mineiro de nascimento e paulista de criação, vê nos filmes de terror e afins a diversão e bode expiatório para não cometer atrocidades na vida real. Não se engane com sua carinha de anjinho: ele não rebobinava as fitas antes de devolver à locadora.

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