GAME OVER #3 – Halloween

Um dos jogos mais obscuros do Atari 2600… Pelos motivos errados!

No mundo atual, tá todo mundo ligado que quando um filme faz muito sucesso, obviamente haverá centenas de milhares de produtos derivados por causa da verdinha que entra. Um desses principais produtos são os vídeo-games. E, sim, existem diversos games baseados em filmes de terror que são muito bons, vide Friday the 13th: The Game, lançado ano passado.

Em 1978, John Carpenter deu a vida ao avô de todos os filmes slasher: Halloween – A Noite do Terror. O longa ditou as regras do subgênero e estabeleceu a figura da Final Girl, se tornando um sucesso estrondoso e um clássico absoluto do horror. E cinco anos depois, em 1983, nasceu Halloween, o jogo baseado no filme lançado para o avô dos vídeo-games: o Atari 2600.

Sim, esse jogo realmente existe e ele é um tanto obscuro, mas por todas as maneiras erradas. Mas, chegaremos lá. O jogo é simples, como qualquer outro de Atari: você controla uma babá – que você aí deve estar imaginando, por ser um game do Halloween, que é Laurie Strode – e deve salvar as crianças de um assassino empunhando uma faca que, novamente, por ser um jogo do Halloween, você imagina ser Michael Myers.

O problema é que nenhum dos personagens tem nome, mas voltamos nesse assunto já já. Sua missão é pegar as crianças e levá-las até o canto da tela de cada andar da casa (é uma casa de dois andares, só para situar) para que elas se safem do psicopata. Você avança de nível a cada cinco crianças resgatadas ou esfaqueando o assassino duas vezes se conseguir encontrar a faca.

A cada nível, o assassino vai ficando mais rápido e o jogo acaba quando você esgota suas três vidas. Simples, não? Um ponto interessante: diferente do filme, o jogo tem muito mais gore. Sim, um jogo de Atari! Explicar-lhes-ei: quando a babá morre, a cabeça da bonequinha some e esguichos de sangue pixelado aparecem no seu lugar. Outro detalhe é que, sempre que o assassino entra em cena, a icônica música tema toca.

Então, eu disse que esse era um dos jogos mais obscuros do catálogo do Atari 2600, mas porque isso? Pois bem, apesar da capa ter a imagem do pôster original, ter o nome Halloween e, como citei acima, até mesmo a música tema principal, em nenhum momento, como também já disse, o jogo se refere aos personagens por seus nomes no filme. Eu li em algumas matérias sobre que isso era para evitar problemas com direitos autorais. Mas, raios, se os caras pagaram pra usar a porra do nome do filme, o pôster e a música, porque não os personagens? Aí é que tá, para explicar isso pra você, ó nobre leitor, precisamos falar sobre o lançamento do jogo.

O jogo foi desenvolvido pela MicroGraphicImage e publicado pela Wizard Video Games, que já não era, de certo modo, nenhuma novata no mercado dos vídeo-games de horror, pois Halloween foi lançado em outubro de 1983, sendo que em março do mesmo ano, a empresa publicou outro jogo também baseado em um clássico absoluto do cinema de terror: O Massacre da Serra Elétrica. Ambos os jogos foram extremamente controversos na época por seu conteúdo violento e a temática, visto que o público era, em sua maioria, crianças. Por causa disso, muitos vendedores se recusavam em vender os jogos e aqueles que o faziam, mantinham os cartuchos escondidos atrás do balcão, vendendo apenas quando alguém chegava à loja procurando o game.

Isso fez com que as vendas não fossem lá muito bem. Hoje em dia o produto é extremamente escasso devido à má distribuição. Um jogo completo, com caixa, tem um custo bem alto, porém é bastante procurado e tem uma grande popularidade entre colecionadores, não só de Atari, mas entre colecionadores de horror também. Os dois jogos fizeram com que a Wizard fosse à falência, e a empresa fizesse uma liquidação de seus produtos. Por isso, existem cópias que são apenas o cartucho ou então com um adesivo com o nome do jogo escrito à mão para cortar gastos, fazendo com que muitas lojas recusassem as outras tiragens por causa da aparência.

Infelizmente o jogo não é dos melhores, acaba se tornando um pouco chato e na real você quer mesmo é morrer pra ver a bonequinha correndo pelo cenário sem cabeça. Sempre falo que é preciso experimentar e eu recomendo que façam isso, só vai precisar de um emulador.

Agora com Jason entrando da forma correta no mundo dos games e os fãs do cinema slasher podendo também desfrutar do game Dead by Daylight, que além de ser uma ode ao subgênero, também conta com Michael Myers como personagem jogável, e mais, com o novo filme da franquia aí, será que não tá na hora de Halloween também ter uma vida mais digna no mundo dos games?


Angelus Burkert
Angelus Burkert
Psicopata em formação. Pegou gosto pelo cinema de horror após ir até a sessão de VHS de terror na locadora e olhar todas as capas de filmes possíveis. Fã confesso de música e games, provável que não mude nada com o passar dos anos, exceto o amor pela carnificina.

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