Review 2015: #18 – Terror nos Bastidores

Daqueles casos raros onde a sátira ao gênero do terror acaba nos entregando um filme de qualidade


Tenho que confessar que quase nunca me disponho a ver esses filmes de terror mais voltados para o público adolescente, porque na maioria das vezes eu já esqueci do filme minutos depois dos créditos terem subido. Vocês já devem ter percebido que eu sou meio preconceituosa fresca para filmes e séries, então quando raramente abro uma exceção, é apenas pra ver um determinado filme que tenha sido bem recomendado ou que tenha tido uma boa repercussão, por esse motivo quase nunca vejo algo sem saber o que me espera.

Porém, esses dias dando scrolling na linha do tempo do meu Facebook, vi um post falando sobre Terror nos Bastidores, um filme lançado no começo de outubro nos Estados Unidos e ainda não tem data prevista para estrear aqui no Brasil. Eu realmente não tinha ouvido falar dessa produção até aquele momento, mas confesso que fiquei curiosa em ver a atriz queridinha dos fãs de terror adolescente, Taissa Farmiga (que despontou atuando na série American Horror Story), protagonizando um slasher com um clima pra lá de oitentista. Decidi que iria vê-lo, mesmo com aquela sensação de que desperdiçaria 88 minutos da minha vida.

 

O fato é que mordi a língua bonito. Terror nos Bastidores, produção dirigida pelo americano Todd Strauss-Schulson (que tem vários curtas-metragens e séries no currículo) é um daqueles casos raros onde a sátira ao gênero do terror acaba nos entregando um filme de qualidade. Aqui, conhecemos a adolescente Max (Farmiga), que ainda está em luto pela morte de sua mãe Amanda Cartwright (interpretada pela belíssima Malin Akerman), que morreu num acidente de carro.

Amanda foi uma atriz que ficou conhecida ao atuar num slasher na década de 80 chamado Camp Bloodbath, que se passa num acampamento (ah, vá?) onde um assassino mascarado mata os adolescentes que estão passando ali as férias de verão (ah, vá?). Mais oitentista que esse enredo, impossível. Os amigos de Max decidem então ir até o cinema que Camp Bloodbath está sendo exibido, numa forma de prestar uma homenagem a Amanda, justamente no dia em que sua morte completa três anos.

Espantados!

Espantados!

É claro que alguma coisa dá bem errado (é um filme de terror, cazzo!) e um incêndio toma conta do cinema durante a exibição do filme, obrigando Max e seus amigos a cortarem a tela e tentarem fugir adentrando-a, porém o resultado é desastroso: eles acordam dentro de Camp Bloodbath! Lá, eles encontram os monitores Kurt (Adam DeVine), Tina (Angela Trimbur) e Nancy, que é interpretada por Amanda. Passado o susto inicial e o choque de Max ao ter que interagir com sua falecida mãe, eles juntam forças para sobreviver durante o filme e, de quebra, tentar matar o assassino do local, Billy Murphy, um homem que foi queimado quando criança e, segundo a lenda, sempre volta para se vingar (tipo o Cropsy, saca?).

 

Como era de se esperar, o filme é recheado de clichês já tão conhecidos pelos fãs do horror, e obviamente, pelos novos monitores do acampamento que fizeram sua lição de casa e viram Camp Bloodbath várias vezes. Eles já sabem a regra principal de todo slasher: ficar pelado ou transar é morte certa. E é usando essa isca que eles conseguem atrair Billy, usando as final girls do título para atacar o vilão. Durante o filme, vemos vários outros elementos e homenagens ao subgênero que fez tanto sucesso, como por exemplo, o nome de alguns personagens, inspirados em alguns rostos (ou máscaras) conhecidos dos filmes da época.

O fato também de Billy Murphy ser um híbrido entre Cropsy  (da pérola oitentista Chamas da Morte) e Jason Voorhees, os verdadeiros vilões de acampamento, é uma deliciosa surpresa, e a trilha sonora também é praticamente igual a usada em Sexta-Feira 13. Como nada é perfeito, o filme, por sua vez, tem seus pontos baixos: o gore quase não existe, as cenas são muito mais focadas na comédia da situação do que na tensão mesmo, e o pior, nada de nudez, hahaha (NE: Niia #chatiada). Alguns fãs podem torcer o nariz pra esse tipo de coisa, mas acho que nesse caso as referências que foram utilizadas de forma despretensiosa salvam num geral e resultam num filme honesto e divertido de se ver.

Uma bela homenagem aos filmes oitentistas tão queridos pelos fãs de horror, Terror nas Bastidores não deixa de ser um filme pra adolescentes, mas acho que exatamente por isso isso agradou em cheio minha adolescente interior que, tal e qual alguns vilões, se recusa a morrer.

 

3 machetes para Terror nas Bastidores

Briga de foice no escuro

Briga de foice no escuro

 


Niia Silveira
Niia Silveira
Mentalidade de Jack Torrance num corpinho de Annie Wilkes. Foi criada em locadoras e bibliotecas e se apegou ao universo do horror ainda pequena. Não cresceu muito em estatura de lá pra cá, mas sua paixão por sangue e desgraça aumenta a cada dia.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: