HQRROR #34 – The Lost Boys

Achamos os garotos perdidos!


Em julho de 2016 foi anunciado pela editora Vertigo que o clássico Os Garotos Perdidos teria uma sequência dentro dos quadrinhos. Diferentemente do que ocorreu com as continuações cinematográficas do filme, essa seria uma continuação real oficial, incluindo personagens da obra original dos anos 1980. Ou seja: voltamos para Santa Carla, junto dos irmãos Frog, Star, Sam e Michael!

A primeira edição serve como ponto de reapresentação das personagens. Sam está trabalhando em uma comic shop enquanto Michel trabalha em uma casa de idosos. Ele e Star agora estão juntos, depois que ambos foram salvos do clã de vampiros no filme de Joel Schumacher. Também recebemos mais informações a respeito do vovô Emerson. Agora, sabemos que ele é um dos líderes da Santa Carla Hunters Union, uma associação de caçadores de vampiros. Esse fato explica uma das últimas falas dessa personagem no final do filme: “A única desvantagem em se morar em Santa Carla que nunca pude suportar… são esses malditos vampiros!”.

Depois que estamos devidamente reapresentados, a trama chega em seu conflito, quando a Associação dos Caçadores é atacada e destruída, com vovô Emerson e todos aqueles que sabiam como matar vampiros mortos. Diante disso, caberá aos irmãos Frog – uma vez que eles foram treinados pelo próprio Emerson – aniquilar os sanguessugas do mal!

A estrutura simplista e quase infantil que temos no roteiro do filme original se apresenta em sua forma mais bela nas primeiras páginas da primeira edição. Entretanto, eu fiquei ligeiramente surpreso ao ver a velocidade com que tivemos um aumento na seriedade da narrativa. Aquele clima ameno de Sessão da Tarde é rapidamente substituído por uma tenebrosa sequência de mortes. Nas páginas dos quadrinhos, a ameaça dos vampiros atinge seu potencial real e simples crianças não são tão capazes de lidar com essa ameaça. Infiltrações, conspirações e mentiras articuladas desde a história original, e que agora são trazidas à tona, completam a sombria maturidade da obra.

Mesmo assim, a essência oitentista da obra permanece, sendo carregada por uma personagem: The Beliver. Crente nos desígnios de Deus, esse musculoso e excêntrico tocador de sax irá, juntamente dos sobreviventes do incidente que iniciou tudo, se colocar contra as criaturas da noite que ameaçam Santa Carla.

Scott Goldlewski, responsável pela arte do quadrinho, conseguiu capturar plenamente a essência de Tim Capello, o ator que interpretou o tocador de sax no filme original, naquela cena farofada em que ele se apresenta na praia. Para mim, o surgimento dessa figura na história foi essencial para que a seriedade que a HQ toma encontrasse um balanço com o ritmo da película que a antecede.

A arte não é tão significativa quanto poderia ser, mas cumpre bem o papel a qual se propõe: de contar com clareza o que está acontecendo na história. Não existe nada, além disso, realmente importante para ser dito a respeito dos desenhos da série.

Usando e abusando dos recursos narrativos dos anos 80 e mais, juntamente de um raro e muito desejado respeito por aqueles que cresceram assistindo a esse clássico, The Lost Boys é uma HQ que me proporcionou muitos momentos divertidos e que, sem sombra de dúvidas, trará suspiros nostálgicos a todos que vibraram e sofreram juntos dos jovens caçadores de vampiros de Santa Carla e gostariam de saber mais sobre o que aconteceu com eles depois.        

 

Ficha técnica:

The Lost Boys – 2016 – #1 até #6

Roteiro – Tim Seeley

Arte – Scott Goldlewski

Editora Vertigo

 


Tauami de Paula
Tauami de Paula
Estudante de Letras e de Filosofia, esse apreciador do absurdo e do inexplicável sempre encontrou mais sentido na arte do que na vida. Sendo raramente visto fora de casa, passa os dias lendo, escrevendo e criando teorias sobre tudo aquilo que não entende.

1 Comentário

  1. Leandro 2112 disse:

    Bela resenha.

    Onde encontrou todo o material traduzido?

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